quarta-feira, 21 de outubro de 2009

QUANDO VOCE FOI PARA OS USA.

QUANDO VOCE FOI PARA OS USA.
O que dizer do passado que o levou para outros ares
O que dizer de você que foi e deixou tanta saudade?
Do passado digo que foi o destino
De você, um grande sonho que o fez partir
Senti sua falta, falta do silencio que era so seu
Falta do perfume que você deixava no corredor.
O que dizer desses anos todos e você ainda tão longe
Mesmo meu coração tão saudoso,
Sei que estas tão perto, porque assim que vejo você.
Lira Vargas
Para Juninho de mamamia

MISTÉRIO DO AMOR

MISTÉRIO DO AMOR
Meu coração estava em festa, sorriso de um, primeiros passos de outro
Palavras de outro, confusas, desajeitadas, engraçadas.
Nos momentos de recordações do passado, a tristeza chegava perto, mas ocupantes
Faziam a tristeza ir embora, eram sorrisos, eram passos e palavras.
Nessa festa de amor, pensava que o espaço já estava tomado, ficava feliz
Mas numa tarde de primavera, as flores trouxeram perfumes dos jardins, e uma noticia também.
Diziam que no inverno um pequeno viajante chegaria pra festa.
Meu coração deu espaço para um CHEGANTE, viajante do mistério do amor.
E foi assim, entre mensagens, emoções e saudações.
Victor chegou, pequeno, frágil, e num espaço de meu coração
Ocupou.
Não senti seu cheiro, nem seu calor, mas sinto uma imensa emoção
Acho que é o Mistério do amor.
De Vovó Clara para Victor,

2009
Explicando sorriso de um Julinha
Primeiros passos de Laurinha
Palavras de outro... Gabriel.

JUGALAVI

quinta-feira, 18 de junho de 2009

DEPRESSÃO, PREGUIÇA OU MANHA?

DEPRESSÃO, PREGUIÇA OU MANHA?

O sol brilhava nos jardins suntuosos de minha casa. As montanhas coloridas pôr flores pareciam competir com o mar estendido com barcos à vela, era o espetáculo da chegada do verão. Os pássaros cantavam, tudo isso acontecia, eu sabia, mas não levantava de minha cama. Dora, uma empregada paraguaia, autoritária, alegre, acho que ela pensava que era minha mãe. Entrou em meu quarto, colocou as mãos na cintura e dizendo que ia abrir a janela para eu ver que dia lindo, colorido com show exclusivo para mim, já passava das dez horas. Destampei meu rosto, senti raiva dela, mas contive, perguntei pôr meu marido, Dora responde que ele não viria almoçar, mas que eu observasse que já era a terceira vez naqueles dias que ele não vinha. Senti ciúmes e ao mesmo tempo um certo alívio, teria mais tempo pra ficar sozinha, curtir minha solidão, os choros convulsivos, o sono insaciável.
Com muito esforço, entrei no banheiro, a banheira já preparada pôr Dora, despertou apetite de desfrutar daquela espuma perfumada. Tirei minha camisola, quando ia entrar na banheira, olhei o roupão, vesti-o, e saí do banheiro, caminhei sem rumo pôr minha casa, fui até o jardim e sentei nos bancos ao redor da piscina, experimentei uns três para sentir conforto. Já eram onze e meia da manhã. Dora foi até a piscina trazendo um suco e frutas, pão, queijo, geleia etc., tudo que pudesse destruir-me na bandeja. Comi, comi, parecia que muito tempo não comia assim. Ela informa que o almoço já estava quase pronto. Fiquei silenciosa, uma lágrima rolou em meu rosto, trazendo outras e outras, a montanha e o mar assistiram aquele choro e permaneceram lindos e silenciosos.
Retornei para meu quarto, resolvi tomar um banho, abri o chuveiro, a banheira ficou ali preparada para nada. Brevemente Dora mandaria alguém esvazia-la, e pôr ralo a fora ia toda aquela espuma perfumada.
Retornei para a cama, antes fui até a janela e cerrei as cortinas.
A noite Orlando chegou, e foi até meu quarto, ainda deitada, e quando ele entrou no quarto com aquela expressão de pena, comecei a chorar, e pedi que deixasse-me sozinha. Orlando obedeceu.
Foi numa tarde, ainda deitada, Orlando ligou informando que tinha um jantar, se eu quisesse ir, que ele passaria as oito horas da noite. Foi horrível aquele convite, mas Dora ajudou-me na arrumação de minha roupa e cabelos.
Orlando chegou, eu já estava pronta, percebi que meu marido já não sentia pena de mim, ele estava indiferente aos meu choros, preguiça ou depressão, sei lá. Quando descemos as escadas dos jardins, senti um certo receio, medo de insetos, ratos, achei que alguém estava escondido nos jardins, mas não falei nada. Quando chegamos na garagem, o motorista se prontificou para entrarmos no carro, Orlando recusou, disse que ele poderia descansar, ele mesmo iria dirigir. Senti um calafrio, senti medo. Orlando dirigia calado, a cada lanterna de freio dos automóveis que acendiam, eu levanta da cadeira do carro, apoiava as mãos e dava um impulso, senti os estômago responder ao meu pavor, pedi para parar o carro, quando ele ia encostando, gritei, que tinha que ser em um posto de gasolina, ali era perigoso. Orlando obedeceu silencioso. Continuamos a viagem calados, o medo não passava, tinha certeza que algo iria acontecer, e no pensamento prometia nunca mais sair de casa. O jantar foi no restaurante de um hotel, os diretores da empresa se reuniram, depois percebi que era uma tentativa de ajudar-me. Quando cheguei, percebi os olhares curiosos, parecia que eu era alguém de outro planeta, mais gorda, pálida, fingia um sorriso.





Torcia que aquela reunião animada demais para meu gosto acabasse para retornar pra casa.
Quando chegamos em casa, senti um certo alívio, tentei um carinho em Orlando, esse retribuiu, mas sem aquele entusiasmo de antigamente. Fizemos amor, e cai em sono profundo. Na manhã seguinte, na mesma rotina, Dora entrou em meu quarto e falou do dia, estava chovendo, as folhas e flores estavam mais coloridas. Nada respondi e quando ela saiu, levantei da cama e fui até a janela. Olhei para o mar, cinzento, frio, olhei para as montanhas, a chuva deixou-a embaçada. Passei minhas mãos pela vidraça da janela, olhei para a cama, para o banheiro, caminhei lentamente e lembrei de meu passado, das coisas ruins que aconteceram em minha vida, e como um arquivo velho, pastas cheias de ácaros, clipes enferrujados, gavetas empenadas, sentei na beira da cama, e num pulo, peguei todo meu passado resumido naquele arquivo, aproveitei que estava chovendo, joguei tudo pela janela, percebi naquela manhã que o passado estava num arquivo imaginário, eu nada podia fazer, nada podia mudar, eu não tinha força para isso, eu não tinha culpa de nada, se eu sofria é pôr que não me fora dado o poder de fazer diferente, e se me tivessem dado, eu teria feito, mas não fiz porque não pude fazer. Se estava enchendo-me de remorso pôr algo que fiz. Fiz e daí? Já fiz, não podia mudar, já fiz. E se não fiz, e daí? Não fiz porque não pude fazer e daí? que eu era fraca? sim e daí? Que eu não tinha olhos azuis, e daí? Se eu não tinha olhos pretos e daí? Se não tinha altura e daí? Se não tinha amigos, ia tentar Ter, se não forem como gostaria que fossem e daí? Se não era bem sucedida na minha profissão, fazer o que? Não tinha esse poder, se perdi alguém que amei, perdi não tem mais jeito, não mudarei o fato, se perdi a pessoa que não amava mas que tinha que amar, perdi, não tem mais jeito, se cometi uma injustiça, tem jeito vou pedir desculpas, vou despir-me do medo, fazer uma ligação ou mandar um e-mail, ou uma carta. Se não tenho filhos, e não posso Ter e daí? Posso pegar algum pra criar, se meu filho enveredou para o caminho da droga, não sou culpada, vou tentar traze-lo de volta, mas se não consigo...fazer o que? Lutar. se trabalho num local de pessoas falsas ou chatas, problema delas, não posso muda-las. Se não tenho um avião particular, e daí? Mas tinha um céu lindo para lavar as folhas e um sol poderoso para secar, bronzear e ajudar no curso natural de cada manhã. Eu não sei mudar, não posso mudar e nem quero mudar o mundo, dá muito trabalho. Pôr que tinha que chorar, para pensarem que sou uma coitadinha? Para que chorar ? lágrima não é guindaste, lágrima não é trator, lágrima não é laboratório, lágrimas em excesso não resolve, apenas marca ainda mais a alma, e alma sofrida marca o rosto. Pensei nos hospitais de doenças incuráveis, pensei no dia a dia que os doentes vencem, nas dores intermináveis, nos sedativos alucinógenos, na carne se abrindo, nos órgãos se deteriorando pela doença, na impotência dos médicos, e as vezes na impaciência das enfermeiras, das famílias que estão cansadas, e naqueles que perdem e partem para outro mundo, na mãe que perde um filho em assalto, em acidente ou com doenças, pensei em empresários que perdem a empresa e chora, pensei na mulher que perde o amante, o marido que perde a mulher, no motorista que perde o carro, na jovem que perde o vestibular, gostaria de reuni-los para entenderem o que entendi naquela manhã chuvosa, cair em depressão não resolve, resolvi ir a luta, levantar uma bandeira para uma guerra de paz, de luta e mudança.
E eu não sabia nada da vida. Lembrei de um e-mail que uma amiga enviou quando perguntei o que fazer com minha vida.







“Não sei filosofar, não sei nada da vida, pois há cada dia que amanhece é um mistério, sei apenas que é bom levantar da cama respirando espontaneamente, sei que é bom levantar da cama com nossas pernas, sei que é bom acordar, abrir os olhos e olhar o teto de nosso quarto, olhar a janela e assistir de graça o espetáculo do céu, do mar, da mata, sei que é bom pensar silenciosamente o que quiser, dar asas aos pensamentos, viajar de graça nas lembranças, sei que é bom caminhar pelas calçadas sem pressa, sem medo da polícia pela liberdade que tenho, sei que é bom olhar para quem está do nosso lado e saber que é um companheiro que nos defende se alguém tentar nos derrubar, sei que é bom Ter amigos para bater papo furado, mesmo que esse amigo não mereça a confiança de saber que algo está errado, sei que é bom Ter um trabalho “ sem o seu trabalho o homem não tem honra, sem a sua honra, o homem chora Raymundo fagner “ Sei que é bom Ter filhos mesmo que eles não tenham aprendido a caminhar sozinhos, sei que é bom Ter netos, para perpetuar a família, sei que é bom morrer, para descansar. Amigo, não sei se consegui levantar você, mas que tentei...tentei”
Fui ao banheiro, tomei um banho quente, vesti uma roupa há muito guardada, desci o jardim, o chofer veio ao meu encontro, recusei, pedi um taxi.
___Moço, leve-me até o Hospital do Câncer.
Fazem oito meses que trabalho como voluntária.
Orlando colabora com meu trabalho, e estamos muito felizes.

IMAGEM

IMAGEM

Lágrimas inundavam meus olhos, nas luzes da cidade vi raios coloridos
Nos verdes,vi florestas abrigando pássaros, até ouvi seus cantos
Nos azuis um céu imenso aberto com flocos de nuvens vi anjos sorrindo.
O vermelho se misturava as outras cores e vi flores se abrindo
Vi amarelo brilhar como ouro em cordoes e medalhas tambem.
Entre tantas luzes e cores se misturando.Até perfume senti !
Fechei os olhos num sono profundo
E no sonho sua imagem me olhando,colorida também

Lira Vargas

domingo, 31 de maio de 2009

ETERNIDADE

ETERNIDADE

Fui um capitulo no livro de sua vida,
Você foi minha história
Em noites de estrelas, nossos olhares brilhavam com a luz da lua
Em manhas de inverno, o calor de nossos corpos aqueciam tanto
Que a brisa desviava das frestas da janela
As flores dos jardins pareciam mais coloridas,festejando nossa alegria
E o céu azul em harmonia com o mar
Unia o céu e a terra num silencio de paz.
E quando as gaivotas cortavam as nuvens
Pareciam sorrir diante aquele amor imenso.
E numa manha de verão o silencio do desencontro
Se fez presente.
Você partiu para longe, deixando uma saudade imensa
Fui um capitulo do livro de sua vida
Você foi minha historia
Até aqui amei você.
Na eternidade não sei.
Te procurarei....eu sei.

Lira Vargas.

PECADO MAIOR.

PECADO MAIOR.

Morava no interior de Juiz de Fora, a igreja da cidade era um encontro quase obrigatório dos finais de semana, nos anos de 1960, as festas religiosas para arrecadar recurso para a igreja, aconteciam com entusiasmo, minha mãe fazia bolo para as barraquinhas das beatas.
Eu tinha 15 anos, meus cabelos loiros, olhos azuis, meu jeito meigo, faziam-me destacar entre minhas amigas, tinha juntado com aquela meiguice o objetivo de seguir a vida religiosa, queria ser freira.
Fazia parte do coral da igreja. Uma tarde, quando ensaiava, olhei para o altar, o coral ficava no segundo patamar da igreja, vi que o Padre Issac estava olhando-me. Envaidecida, cantei com felicidade, percebi que ele notara meu entusiasmo e vi um sorriso, nossos olhos se encontraram, e na inocência de meus quinze anos, senti pela primeira vez o sangue correr quente pôr meu corpo, algo diferente jamais sentido, jamais sentido com os namoricos com os meninos da escola. Abaixei os olhos, minha voz falhou, e logo procurei seu olhar, mas Padre Issac já não me olhava, naquele momento ajoelhado no altar, parecia um anjo.
A semana transcorrera sem novidades, apenas sentia de vez em quando a ansiedade pelo dia de ensaio. Nesse dia, procurei ir mais bonita para o ensaio, prendi meus cabelos num grampo dourado, aventurei até o batom de minha irmã. Estávamos cantando, meus olhos procuravam pela igreja o Padre Issac, em meus pensamentos palavras de perdão pôr aquela atitude, e como um anjo, lá estava o Padre Issac surgindo de trás do altar, olhando-me fixamente, e outra vez o sangue correu mais quente pôr minhas veias. Acabou o ensaio, atrasei os passos, ofereci-me em arrumar a sala, as partituras espalhadas, à professora foi descendo as escadas, fazendo observações para que eu não misturasse as partituras fora de ordem, gostei, pois seria mais tempo para ficar ali. Uma mistura de medo e ansiedade tomou conta de mim, os últimos passos e falatório das pessoas foram se perdendo, e o silencio da igreja foi ficando mais pesado, senti vontade de olhar lá pra baixo, mas não tive coragem, era vergonha, e me perguntava, e seu estivesse enganada. meus pensamentos foram interrompidos pôr passos lentos, alguém subia as escadas, não olhei, arrumava nessa hora o piano, senti um cheiro de roupa lavada com sabão, sem perfume, tive vontade de rir, quando aquelas mãos frias, finas e branquinhas, seguraram as minhas, tremi, mas lentamente deitei minha cabeça em seu peito, o Padre Issac segurou meu queixo, nossos olhos se encontraram, e num gesto quase inconsciente, nossas bocas se encontraram num longo beijo. Nesse momento, soltei-me de seus braços, desci as escadas, e no meio da igreja, quando ia transportar a porta, parei e olhei para cima, lá estava ele, olhando-me, silencioso, como a pedir perdão.
Cheguei em casa ofegante, corri para meu quarto, minha mãe veio assustada querendo saber se algo muito grave acontecera, disse que era uma cólica comum.
Durante a semana fiquei calada, as colegas do colégio perguntavam o que havia acontecido comigo, meu silencio preocupava. No dia do ensaio, fui tomada pôr uma calma muito prazerosa, uma certeza que nunca mais iria acontecer outro encontro. No ensaio, procurava aqueles olhos de menino, aquela, magia de anjo, e nada. Terminou o ensaio, sai com uma ponta de tristeza, mas ao passar pelo confessionário, parei, percebi que ele estava ali, e lentamente ajoelhei e murmurei algo incompreensível. Ele respondeu que sentiu saudade. E lentamente o Padre Issac levantou, pegou minha mão, e conduziu-me até a sala de ensaio. Subimos as escadas, nossos passos se confundiam com as batidas de meu coração, e, entre o piano e os pés do microfone, nossos gemidos se transformaram num hino ao amor. Suas mãos acariciavam meu pequeno corpo que no prazer do amor, fazia a dor do prazer, aquele local, onde as vozes do coral cantavam para casais que se dirigiam ao altar, pareciam nos conduzir ao caminho do céu. Nossos corpos rolando pelo chão, nossas roupas misturadas, nesse momento eram cúmplices, se amaciando o chão. As partituras silenciosas guardavam as notas para nos saudar naquele momento sublime do prazer e do amor.
Acordamos daquele êxtase, acordamos felizes, nossos lábios se encontravam, eu tinha que ir embora, mas os beijos insaciáveis, era uma despedida ansiosa para um novo encontro.
E outros encontros aconteciam em seus aposentos, já éramos íntimos, cada vez mais precisávamos um do outro.
Até que um dia sugeri uma fuga da cidade, nós queríamos mais e mais, ficar longe passou ser suplício, Isaac ficava indeciso eu queria uma solução. Então decidimos pensar numa decisão. As férias chegaram, minha tia do Rio de Janeiro convidara-me para estudar lá, minha mãe sugeriu que eu fosse, lá eu poderia me formar e Ter um futuro melhor neguei assustada, pois minha mãe era rigorosa, minha irmã mais velha, não casou e nem terminou os estudos, eu era a esperança de minha família, minha irmã que tinha muita autoridade confirmava juntamente com minha mãe. Fui para o quarto e rezei, pedi a Deus que não permitisse que me forçassem a ir embora, saí escondida de minha mãe, caminhei até a igreja silenciosa, fui me aproximando dos aposentos de Isaac que ficava após uma porta atras do altar, ouvi alguém conversando com ele, um crucifixo pendido na parede, agucei meus ouvidos, Padre Isaac conversava com alguém que aquela semana seria a última, ele estava decidido ir embora para outra cidade, tinha sido convidado para outra igreja. Uma lágrima correu em meu rosto, a decepção da perda, a solidão fazendo parte de minha vida tão jovem. Saí, quando cheguei na rua, corri, chorava compassivamente, cheguei em casa abracei minha mãe e pedi aos prantos que permitisse que eu fosse para o Rio de Janeiro continuar meus estudos.Esta assustada e sorrindo, feliz com minha decisão, disse que na manhã seguinte eu iria embora. Ligou para minha tia, foi até a rodoviária, comprou uma passagem e na manhã seguinte, o orvalho ainda nas folhas, brilhavam com os primeiros raios de sol nas folhagens que contornavam a estrada. O ônibus passou pela igreja, olhei a torre, as vidraças, os jardins as escadas daquela igreja que nunca confessei meu pecado maior de ter amado o padre que rezava, que levava a Deus os pecados daquela cidadezinha tão bonita. Chorei pôr muito tempo. A estrada ia se alongando cada vez mais, pondo para trás minha felicidade.
Os anos se passaram. Um dia rompi com o medo e perguntei a minha mãe pelo Padre Isaac, ela disse que ele tinha ido embora no ano em que eu saíra da cidade e que nunca mais alguém o viu. Terminei meus estudos, casei com Orlando, tive três filhos, nossa vida sem muitas emoções, minha mãe sempre vinha ao Rio de Janeiro, evitei retornar a Juiz de fora durante vinte anos.
Um dia recebi um telefonema que minha mãe adoecera. Falei com Orlando que tinha que viajar. Cheguei na minha cidade, o coração apertado, antes de me dirigir para a casa de minha mãe, fui até a igreja, caminhei, fui até o altar, rezei pôr um instante, o coral ensaiava, olhei melancolicamente para aquelas jovens, meu olhar parou numa loirinha de olhos azuis, parecia comigo, fiquei pôr alguns instantes emocionada, uma volta ao passado, o hino, o cenário, e caminhei até a saída e atras do altar o padre olhava para o coral. Dei um sorriso e saí.
Cheguei em casa minha mãe velhinha, na cadeira de balanço, nos abraçamos, ela fraquinha falava da doença, meus pensamentos vagavam. Fui até a estante, a mesma de quando morava ali, peguei um livro, dei um sorriso e lembrei que fora meu, quando abri, tinha um bilhete dentro de um envelope, gasto pelo tempo. Perguntei a minha mãe de quem era, ela com a voz cansada disse que o Padre Issac tinha deixado pra mim, mas eu tinha viajado naquela manhã. Abri o bilhete com a mesma emoção daquela época, suas palavras pareciam tomar forma em meus pensamentos ‘ ESPERE-ME NA RODOVIÁRIA, VAMOS SER FELIZES “. Encostei o bilhete em meu peito, fui até a varanda, nesse momento o sino da igreja tocou a tarde caia e uma lágrima correu em meu rosto, de saudade e pena de nós dois”.
Lira Vargas.