Canção de Natal
Severino, trabalhador de obra. Recebe seu décimo terceiro salário sonhado durante o ano inteiro. Finalmente as mãos ásperas pegam o "bolo" de notas, no rosto suado exibe um sorriso momentâneo, vai fazer uma farra. Lembra que a mulher pedira uma pregadeira de cabelo para segurar aqueles cabelos negros que flutuavam quando embalados nas noites de amor na rede ao pé do barraco. Cabocla matreira! Severino lembra do último vestido que lhe dera, florido, hoje já desbotado, o decote mostrando os seios bronzeados pelo sol que a acaricia durante toda sua vida, nas lavagens à beira do rio, cabocla matreira, seu sorriso revela o que os olhos brilhantes negros como o rio em noite alta, um sorriso matreiro, debochado, cheio de desejos, brilhando como gotas de chuva nas folhas do cupuaçu, e o perfume de carne saudável, quente como as florestas do Amazonas. Cabocla matreira. Severino alisa os bolsos, pensa, um pensamento de vitória, vai comprar um vestido bem bonito pra ela, um vestido que faça saltar os seios quando ela correr nas matas à beira do rio, que o vento levante e deixe à mostra aquelas pernas de jambo, que o calor aqueça aquela pele e o suor desça e sinta o perfume do suor da mulher amada. Diz uma voz ao trabalhador de obra, uma voz lá de dentro. (Essas cenas passando em sua mente). Vem a lembrança dos filhos, três meninos e uma menina, um deles o Chico, tem os olhos pequeninos, olhos de índio, olhos de pidão, Severino lembra que nunca pôde dar um presente de Natal à eles, e a menina, Tina, caboclinha bonita, cópia da mãe de olhar brilhante. Pensa em voz alta "comprarei um montão de presentes". E vem a lembrança da taberna, débito de todo mês. Sempre ameaçando de perder o fiado pelo Seu Cardoso. Severino alisa o bolso, tira as notas e começa a contar uma a uma, pensa na taberna - "maldito ladrão" - lembra da farmácia: marditos vermes da barriga das crianças. Severino levanta do banco da parada de ônibus, faz sinal e vai pra feira do agricultor perto do cais do porto. Roberta Miranda canta numa das barracas "...vai com Deus, o amor ainda está aqui, vai com Deus...". Severino sorri, parece que era pra ele. Compra pirarucu salgado, anda mais um pouco, para numa barraca e toma uma cachaça, duas, três, quatro, e a voz da Roberta Miranda "...cada dia que se passa, um rosto tão bonito se perdeu na indiferença..." Severino olha para o céu, noite escura, lua alta, céu estrelado, mas nuvens carregadas tentando estragar aquele cenário. Os primeiros pingos de chuva refrescam a cara cansada do trabalhador amazonense. Pode chover! Pensou, só não pode molhar meu décimo terceiro salário. Arrastava-se pela feira à procura de um vestido bem florido, que deixasse à mostra os seios bronzeados da cabocla matreira, que deixasse à mostra, quando na corrida pela mata, as pernas da cor de jambo!. E lembra as corridas dos dois que acabavam fazendo amor nas matas e depois se banhando nos igarapés. Parou numa barraca, protegendo-se da chuva que aumentara. É quase Natal, Severino ensopado, lameado, sentindo os primeiros arrepios, compra uma garrafa de cachaça, toma em golada, procura um lugar para sentar, a chuva cai, no céu uns pássaros cortam a chuva à procura de abrigo, as pessoas atropelam-se em alegria total, parece que a felicidade de Severino contagiou o mundo. O cheiro de tapioca misturado à fumaça de um braseiro de carne de sol. Um misto de alegria e tristeza atravessa o peito de severino. O céu está unido com a terra e o rio, (cena do cais) faz parecer que todos os problemas estão solucionados . Toma outro gole. Severino sorri. Agora o som é musica do boi. Severino já trôpego vai mais perto ouvir o musical. Uma cabocla dançava, atrevida, balançava os quadris, os seios saltavam no decote desbotado do vestido velho, o sorriso alegre, desvendando o mistério da noite de Natal (pensa em voz alta) é a alegria de todos. Severino aproxima-se trôpego até a cabocla, sua língua enrolada, sob o braço a garrafa vazia, o pirarucu salgado já molhado no refugio do corpo de Severino. Era sua cabocla amada nos braços de outro. Severino tenta gritar, mas as palavras se confundem no pensamento e na visão turva, e no som do "boi" a cabocla o olha insinuante, Severino dá um murro na cabocla matreira. É formada a confusão, foi embora a alegria. Batem em sua cabeça, no corpo, pisoteado, a cabocla de longe o agride com palavras, em meio de tantos murros o soluço entrecortado, o sangue misturado ao suor e a chuva, as lágrimas brotam como o fiasco de um rio nascendo. O corpo não obedece, levanta as mãos num suplício de menino chorão, os olhos fechados para conter a dor do ciúme, do sonho esfacelado em pedaços e as palavras saem em dor: cabocla me ajude, eu te amo, não me deixe. A polícia chega para acalmar a multidão, Severino é levado pro hospital desmaiado.
Da janela, à beira do rio, a cabocla de severino, chora, nas águas barrentas do Solimões, passa um cargueiro apitando, Zefinha pensa: Severino tá chegando., mas da escuridão alguém grita : Feliz Natal Zefinha, Feliz Natal Severino... Zefinha não responde, da garganta a voz está embargada, nos olhos as lágrimas escorrem, naquele rosto queimado pelo sol das lavagens de roupa do rio Solimões. E no silêncio da noite de Natal, a saudade de Severino. Cadê Severino? Pensa a cabocla matreira.
Lira Vargas
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segunda-feira, 30 de junho de 2008
A SOLIDÃO DOS PÁSSAROS
A SOLIDÃO DOS PÁSSAROS.
Uma brisa leve balançou os galhos de uma frondosa árvore. O céu no tom lilás para azul, anunciava a aurora do amanhecer. O sol despertava lento no horizonte prometendo um dia de liberdade. Era primavera, as flores perfumavam com aromas diferente, acácias, violetas, jasmim, rosas... Notados apenas pelos insetos e pássaros. Nos ninhos os filhotes reclamavam a fome, espreguiçavam alongando as patinhas e as minúsculas asas, de uma noite de aconchego sob as asas das mães. Os pais, de uns machos de outras fêmeas, sacudindo suas asas para mais um dia de trabalho, gorjeavam confusas notas, talvez para espantarem a preguiça diante o céu que se abria para mais um dia de liberdade e alimentá-los, e se alimentarem.
Um casal de canário saiu à procura de larvas. Outro de araras também. Dos ninhos ainda ouviam os piados insistentes por alimento e por aconchego. E de galho em galho os pássaros desempenhavam suas tarefas.
Nas ruas os carros passavam apressados, os apitos dos guardas de transito, conduzindo as pessoas aos seus destinos.
Mas no sítio a vida ainda começava naquela manhã, a mesa posta, os pães fumegando a quentura do forno, exalando o cheiro bom de trigo assado.
Sob a mesa, os alçapões guardavam falsos alimentos para atrair num gesto de Judas, a comida farta e fácil.
Seguem os caçadores para a mata, o céu desenhava lágrimas nas nuvens. E o pássaro foi atraído por aquela comida farta, seus filhotes teriam muito conforto naquele dia. Pulando de galho em galho entrou no alçapão, que num barulho ensurdecedor acabou com a liberdade. E no ninho seus filhotes, viram o dia passar a fome aumentar, as forças acabar e o sol secar suas penugens indefesas. E o cantor canta a saudade da mulher amada
Da nova moradia, o pássaro canta uma melodia, é a saudade misturada a lágrimas que não podem cair, é a liberdade acabada numa prisão, é saudade do ninho, é a preocupação pelos filhotes que à noite esfriará e de dia o sol queimará. E outro caçador sorri orgulhoso de uma arara caçada nas matas e o parceiro no desespero da solidão dos que amam, sobe até as nuvens e mergulha para eternidade na esperança de resgatar do outro lado da vida o companheiro perdido. Deixando nos ninhos os filhotes órfãos. É assim, as araras não suportam viver sozinha.
Está em meu projeto, campanhas educativas nas escolas contra a prisão de pássaros, os pássaros são responsáveis pela arborização do planeta, há espécies em extinção, como por exemplo o CURIÓ. Esse pássaro, por ter um canto com várias notas, estimula aos outros pássaros ao acasalamento, e a prática de prendê-los e procriá-los em cativeiro, está extinguindo outras espécies que dependiam de seu canto para acasalamento. A cadeia é rompida, e a função dos mesmos também se interrompe e ainda a prática de devastar as matas, está faltando árvores na terra. A NASA, registra 2% por ano de devastação de árvores no planeta.As Secretarias de Educação, precisam educar as crianças na idade de 08 anos, para que daqui a 10 anos, essas crianças tenham a conscientização da importância dos pássaros na natureza. E as Secretárias de Meio Ambiente, também precisam estar nessas campanhas em conjunto, penalizando com rigor os caçadores de pássaros, como a campanha de desarmamento está surtindo os efeitos esperando, a campanha de libertação dos pássaros também irá funcionar.
É importante que as autoridades se informem da importância dessa situação, pois dentro de cem anos, o dano dessa indiferença irá prejudicar o planeta, e será um crime sem perdão e sem solução.
Lira Vargas.
Uma brisa leve balançou os galhos de uma frondosa árvore. O céu no tom lilás para azul, anunciava a aurora do amanhecer. O sol despertava lento no horizonte prometendo um dia de liberdade. Era primavera, as flores perfumavam com aromas diferente, acácias, violetas, jasmim, rosas... Notados apenas pelos insetos e pássaros. Nos ninhos os filhotes reclamavam a fome, espreguiçavam alongando as patinhas e as minúsculas asas, de uma noite de aconchego sob as asas das mães. Os pais, de uns machos de outras fêmeas, sacudindo suas asas para mais um dia de trabalho, gorjeavam confusas notas, talvez para espantarem a preguiça diante o céu que se abria para mais um dia de liberdade e alimentá-los, e se alimentarem.
Um casal de canário saiu à procura de larvas. Outro de araras também. Dos ninhos ainda ouviam os piados insistentes por alimento e por aconchego. E de galho em galho os pássaros desempenhavam suas tarefas.
Nas ruas os carros passavam apressados, os apitos dos guardas de transito, conduzindo as pessoas aos seus destinos.
Mas no sítio a vida ainda começava naquela manhã, a mesa posta, os pães fumegando a quentura do forno, exalando o cheiro bom de trigo assado.
Sob a mesa, os alçapões guardavam falsos alimentos para atrair num gesto de Judas, a comida farta e fácil.
Seguem os caçadores para a mata, o céu desenhava lágrimas nas nuvens. E o pássaro foi atraído por aquela comida farta, seus filhotes teriam muito conforto naquele dia. Pulando de galho em galho entrou no alçapão, que num barulho ensurdecedor acabou com a liberdade. E no ninho seus filhotes, viram o dia passar a fome aumentar, as forças acabar e o sol secar suas penugens indefesas. E o cantor canta a saudade da mulher amada
Da nova moradia, o pássaro canta uma melodia, é a saudade misturada a lágrimas que não podem cair, é a liberdade acabada numa prisão, é saudade do ninho, é a preocupação pelos filhotes que à noite esfriará e de dia o sol queimará. E outro caçador sorri orgulhoso de uma arara caçada nas matas e o parceiro no desespero da solidão dos que amam, sobe até as nuvens e mergulha para eternidade na esperança de resgatar do outro lado da vida o companheiro perdido. Deixando nos ninhos os filhotes órfãos. É assim, as araras não suportam viver sozinha.
Está em meu projeto, campanhas educativas nas escolas contra a prisão de pássaros, os pássaros são responsáveis pela arborização do planeta, há espécies em extinção, como por exemplo o CURIÓ. Esse pássaro, por ter um canto com várias notas, estimula aos outros pássaros ao acasalamento, e a prática de prendê-los e procriá-los em cativeiro, está extinguindo outras espécies que dependiam de seu canto para acasalamento. A cadeia é rompida, e a função dos mesmos também se interrompe e ainda a prática de devastar as matas, está faltando árvores na terra. A NASA, registra 2% por ano de devastação de árvores no planeta.As Secretarias de Educação, precisam educar as crianças na idade de 08 anos, para que daqui a 10 anos, essas crianças tenham a conscientização da importância dos pássaros na natureza. E as Secretárias de Meio Ambiente, também precisam estar nessas campanhas em conjunto, penalizando com rigor os caçadores de pássaros, como a campanha de desarmamento está surtindo os efeitos esperando, a campanha de libertação dos pássaros também irá funcionar.
É importante que as autoridades se informem da importância dessa situação, pois dentro de cem anos, o dano dessa indiferença irá prejudicar o planeta, e será um crime sem perdão e sem solução.
Lira Vargas.
A SOLIDÃO DOS PÁSSAROS
A SOLIDÃO DOS PÁSSAROS.
Uma brisa leve balançou os galhos de uma frondosa árvore. O céu no tom lilás para azul, anunciava a aurora do amanhecer. O sol despertava lento no horizonte prometendo um dia de liberdade. Era primavera, as flores perfumavam com aromas diferente, acácias, violetas, jasmim, rosas... Notados apenas pelos insetos e pássaros. Nos ninhos os filhotes reclamavam a fome, espreguiçavam alongando as patinhas e as minúsculas asas, de uma noite de aconchego sob as asas das mães. Os pais, de uns machos de outras fêmeas, sacudindo suas asas para mais um dia de trabalho, gorjeavam confusas notas, talvez para espantarem a preguiça diante o céu que se abria para mais um dia de liberdade e alimentá-los, e se alimentarem.
Um casal de canário saiu à procura de larvas. Outro de araras também. Dos ninhos ainda ouviam os piados insistentes por alimento e por aconchego. E de galho em galho os pássaros desempenhavam suas tarefas.
Nas ruas os carros passavam apressados, os apitos dos guardas de transito, conduzindo as pessoas aos seus destinos.
Mas no sítio a vida ainda começava naquela manhã, a mesa posta, os pães fumegando a quentura do forno, exalando o cheiro bom de trigo assado.
Sob a mesa, os alçapões guardavam falsos alimentos para atrair num gesto de Judas, a comida farta e fácil.
Seguem os caçadores para a mata, o céu desenhava lágrimas nas nuvens. E o pássaro foi atraído por aquela comida farta, seus filhotes teriam muito conforto naquele dia. Pulando de galho em galho entrou no alçapão, que num barulho ensurdecedor acabou com a liberdade. E no ninho seus filhotes, viram o dia passar a fome aumentar, as forças acabar e o sol secar suas penugens indefesas. E o cantor canta a saudade da mulher amada
Da nova moradia, o pássaro canta uma melodia, é a saudade misturada a lágrimas que não podem cair, é a liberdade acabada numa prisão, é saudade do ninho, é a preocupação pelos filhotes que à noite esfriará e de dia o sol queimará. E outro caçador sorri orgulhoso de uma arara caçada nas matas e o parceiro no desespero da solidão dos que amam, sobe até as nuvens e mergulha para eternidade na esperança de resgatar do outro lado da vida o companheiro perdido. Deixando nos ninhos os filhotes órfãos. É assim, as araras não suportam viver sozinha.
Está em meu projeto, campanhas educativas nas escolas contra a prisão de pássaros, os pássaros são responsáveis pela arborização do planeta, há espécies em extinção, como por exemplo o CURIÓ. Esse pássaro, por ter um canto com várias notas, estimula aos outros pássaros ao acasalamento, e a prática de prendê-los e procriá-los em cativeiro, está extinguindo outras espécies que dependiam de seu canto para acasalamento. A cadeia é rompida, e a função dos mesmos também se interrompe e ainda a prática de devastar as matas, está faltando árvores na terra. A NASA, registra 2% por ano de devastação de árvores no planeta.As Secretarias de Educação, precisam educar as crianças na idade de 08 anos, para que daqui a 10 anos, essas crianças tenham a conscientização da importância dos pássaros na natureza. E as Secretárias de Meio Ambiente, também precisam estar nessas campanhas em conjunto, penalizando com rigor os caçadores de pássaros, como a campanha de desarmamento está surtindo os efeitos esperando, a campanha de libertação dos pássaros também irá funcionar.
É importante que as autoridades se informem da importância dessa situação, pois dentro de cem anos, o dano dessa indiferença irá prejudicar o planeta, e será um crime sem perdão e sem solução.
Lira Vargas.
Uma brisa leve balançou os galhos de uma frondosa árvore. O céu no tom lilás para azul, anunciava a aurora do amanhecer. O sol despertava lento no horizonte prometendo um dia de liberdade. Era primavera, as flores perfumavam com aromas diferente, acácias, violetas, jasmim, rosas... Notados apenas pelos insetos e pássaros. Nos ninhos os filhotes reclamavam a fome, espreguiçavam alongando as patinhas e as minúsculas asas, de uma noite de aconchego sob as asas das mães. Os pais, de uns machos de outras fêmeas, sacudindo suas asas para mais um dia de trabalho, gorjeavam confusas notas, talvez para espantarem a preguiça diante o céu que se abria para mais um dia de liberdade e alimentá-los, e se alimentarem.
Um casal de canário saiu à procura de larvas. Outro de araras também. Dos ninhos ainda ouviam os piados insistentes por alimento e por aconchego. E de galho em galho os pássaros desempenhavam suas tarefas.
Nas ruas os carros passavam apressados, os apitos dos guardas de transito, conduzindo as pessoas aos seus destinos.
Mas no sítio a vida ainda começava naquela manhã, a mesa posta, os pães fumegando a quentura do forno, exalando o cheiro bom de trigo assado.
Sob a mesa, os alçapões guardavam falsos alimentos para atrair num gesto de Judas, a comida farta e fácil.
Seguem os caçadores para a mata, o céu desenhava lágrimas nas nuvens. E o pássaro foi atraído por aquela comida farta, seus filhotes teriam muito conforto naquele dia. Pulando de galho em galho entrou no alçapão, que num barulho ensurdecedor acabou com a liberdade. E no ninho seus filhotes, viram o dia passar a fome aumentar, as forças acabar e o sol secar suas penugens indefesas. E o cantor canta a saudade da mulher amada
Da nova moradia, o pássaro canta uma melodia, é a saudade misturada a lágrimas que não podem cair, é a liberdade acabada numa prisão, é saudade do ninho, é a preocupação pelos filhotes que à noite esfriará e de dia o sol queimará. E outro caçador sorri orgulhoso de uma arara caçada nas matas e o parceiro no desespero da solidão dos que amam, sobe até as nuvens e mergulha para eternidade na esperança de resgatar do outro lado da vida o companheiro perdido. Deixando nos ninhos os filhotes órfãos. É assim, as araras não suportam viver sozinha.
Está em meu projeto, campanhas educativas nas escolas contra a prisão de pássaros, os pássaros são responsáveis pela arborização do planeta, há espécies em extinção, como por exemplo o CURIÓ. Esse pássaro, por ter um canto com várias notas, estimula aos outros pássaros ao acasalamento, e a prática de prendê-los e procriá-los em cativeiro, está extinguindo outras espécies que dependiam de seu canto para acasalamento. A cadeia é rompida, e a função dos mesmos também se interrompe e ainda a prática de devastar as matas, está faltando árvores na terra. A NASA, registra 2% por ano de devastação de árvores no planeta.As Secretarias de Educação, precisam educar as crianças na idade de 08 anos, para que daqui a 10 anos, essas crianças tenham a conscientização da importância dos pássaros na natureza. E as Secretárias de Meio Ambiente, também precisam estar nessas campanhas em conjunto, penalizando com rigor os caçadores de pássaros, como a campanha de desarmamento está surtindo os efeitos esperando, a campanha de libertação dos pássaros também irá funcionar.
É importante que as autoridades se informem da importância dessa situação, pois dentro de cem anos, o dano dessa indiferença irá prejudicar o planeta, e será um crime sem perdão e sem solução.
Lira Vargas.
A MÁSCARA DO TEMPO
A MÁSCARA DO TEMPO
Todos os sábados o casal de velhinhos, atravessava a rua e iam para o bar da esquina. Ele de nome Silvio, tinha um semblante sério, mal humorado, ela, bem cansada pela idade, tinha feições meigas, as rugas profundas, pareciam marcar a história de sua vida.
Sentavam no bar e o Silvio pedia cerveja, e conversavam banalidades, mas lá pelas tantas da tarde, Silvio começava a ofender a parceira de bar, que só bebia refrigerantes, talvez a maneira discreta de acompanha-lo na bebida. Silvio começava a ofende-la, culpava-a de sua infelicidade, ela o olhava, num olhar vago e meigo, Silvio dizia de sua solidão, que marcava a história de sua vida, culpava-a de não Ter filhos, dizia que odiava seus olhos azuis, suas rugas e seu silencio, e quando as acusações ficavam sem fundamento, Silvio tirava a blusa de seu time e a vestia na parceira de mesa, ela passivamente permitia que a camisa cobrisse seu rosto, sem descer até o pescoço, e sem um só movimento, ficava naquela posição um tanto débil, a escuta das acusações do Silvio. Ele pagava a conta sob os olhares de reprovação, e num gesto meio cômico, carregava a companheira no colo, pois ela permanecia com a camisa sobre os olhos, carregava-a até a rua, parava perto da porta do sobrado, colocava-a no chão, abria a porta, voltava e a carregava até as escadas.
Foi num sábado de outono, o sol disputava com a brisa fresca que envolvia a cidade. O casal chegou no bar. Todos sabiam que a cena se repetiria como todos os sábados. Alguém, pilhareou que não permitiria que o Silvio cometesse a mesma covardia de todos os sábados. Silvio chegou, ainda alegre com a companheira silenciosa, pediu cervejas e bolinhas de queijos, sentaram na mesa e o dialogo começou sem problemas, na rua o vento soprava a poeira, ela, tentou se defender da poeira e Silvio ajudou-a a limpar o braço enrugado, os dedos compridos sobre a mesa, o corpo frágil. Nesse instante alguém ligou o rádio e a música de xitãozinho e xororó ecoou pelo bar “quando a gente ama qualquer coisa serve pra lembrar, um vestido velho da mulher amada tem muito valor...” ela tentou cantarolar, batendo levemente os dedos sobre a mesa. Silvio empolgado com a música, acompanha os cantores, e com a cerveja no copo, faz um brinde no ar, a companheira levante seu copo de guaraná, respondendo num gesto meigo o brinde, sabe-se lá porque.
Quando termina a música, Silvio sugere que repitam a fita, e paga para tal musica permanecer, e a essas alturas a cerveja já começara seus efeitos e Silvio, cantando, dá uma parada e olha nos olhos meigos da companheira de bar e faz as acusações de sua infelicidade, ela o olha, balbucia algo, mas Silvio não permite que ela diga algo, diz que odeia sua voz, seus olhos e seu silencio. Tira a blusa e cobre seu rosto, pede a conta e a carrega de maneira patética. As pessoas do bar fazem os mesmos comentários de recriminação, mas ninguém impede Silvio a carregar a companheira pela pequena rua, pela pequena distancia. Ao atravessar a rua, Silvio para e olha para trás, olha para o bar e grita para que desliguem a música. Chega perto da porta do pequeno sobrado e deita a companheira no chão, o sol já desistira de lutar com o vento, folhas de jornais rolavam pela rua. Silvio abre a porta e se abaixa para carregar a companheira, que não reage, Silvio a sacode e tira a camisa de seu rosto. Percebe nesse instante que a companheira de bar, não respondia aos seus chamados. Silvio dá um grito de pavor.
__ Carmelia, Carmélia, eu te amo, não faça isso comigo, não me deixe, Carmélia, eu te amo.
E sacode seu corpo inerte no chão, nesse instante ambos cercados pôr pessoas. E no desespero da morte, Silvio sofre um enfarte fulminante caindo sobre o corpo de Carmélia, que nesse instante, acorda do desmaio, ajudada pelas pessoas, Carmélia, num gesto meigo, e sofrido, senta no chão, segura a metade do corpo de Silvio sobre seu colo, e num gesto maternal, permite as lágrimas rolarem em seu rosto marcado pelo tempo:
_____ Meu filho, eu te amo, não me deixe.
Lira Vargas
Todos os sábados o casal de velhinhos, atravessava a rua e iam para o bar da esquina. Ele de nome Silvio, tinha um semblante sério, mal humorado, ela, bem cansada pela idade, tinha feições meigas, as rugas profundas, pareciam marcar a história de sua vida.
Sentavam no bar e o Silvio pedia cerveja, e conversavam banalidades, mas lá pelas tantas da tarde, Silvio começava a ofender a parceira de bar, que só bebia refrigerantes, talvez a maneira discreta de acompanha-lo na bebida. Silvio começava a ofende-la, culpava-a de sua infelicidade, ela o olhava, num olhar vago e meigo, Silvio dizia de sua solidão, que marcava a história de sua vida, culpava-a de não Ter filhos, dizia que odiava seus olhos azuis, suas rugas e seu silencio, e quando as acusações ficavam sem fundamento, Silvio tirava a blusa de seu time e a vestia na parceira de mesa, ela passivamente permitia que a camisa cobrisse seu rosto, sem descer até o pescoço, e sem um só movimento, ficava naquela posição um tanto débil, a escuta das acusações do Silvio. Ele pagava a conta sob os olhares de reprovação, e num gesto meio cômico, carregava a companheira no colo, pois ela permanecia com a camisa sobre os olhos, carregava-a até a rua, parava perto da porta do sobrado, colocava-a no chão, abria a porta, voltava e a carregava até as escadas.
Foi num sábado de outono, o sol disputava com a brisa fresca que envolvia a cidade. O casal chegou no bar. Todos sabiam que a cena se repetiria como todos os sábados. Alguém, pilhareou que não permitiria que o Silvio cometesse a mesma covardia de todos os sábados. Silvio chegou, ainda alegre com a companheira silenciosa, pediu cervejas e bolinhas de queijos, sentaram na mesa e o dialogo começou sem problemas, na rua o vento soprava a poeira, ela, tentou se defender da poeira e Silvio ajudou-a a limpar o braço enrugado, os dedos compridos sobre a mesa, o corpo frágil. Nesse instante alguém ligou o rádio e a música de xitãozinho e xororó ecoou pelo bar “quando a gente ama qualquer coisa serve pra lembrar, um vestido velho da mulher amada tem muito valor...” ela tentou cantarolar, batendo levemente os dedos sobre a mesa. Silvio empolgado com a música, acompanha os cantores, e com a cerveja no copo, faz um brinde no ar, a companheira levante seu copo de guaraná, respondendo num gesto meigo o brinde, sabe-se lá porque.
Quando termina a música, Silvio sugere que repitam a fita, e paga para tal musica permanecer, e a essas alturas a cerveja já começara seus efeitos e Silvio, cantando, dá uma parada e olha nos olhos meigos da companheira de bar e faz as acusações de sua infelicidade, ela o olha, balbucia algo, mas Silvio não permite que ela diga algo, diz que odeia sua voz, seus olhos e seu silencio. Tira a blusa e cobre seu rosto, pede a conta e a carrega de maneira patética. As pessoas do bar fazem os mesmos comentários de recriminação, mas ninguém impede Silvio a carregar a companheira pela pequena rua, pela pequena distancia. Ao atravessar a rua, Silvio para e olha para trás, olha para o bar e grita para que desliguem a música. Chega perto da porta do pequeno sobrado e deita a companheira no chão, o sol já desistira de lutar com o vento, folhas de jornais rolavam pela rua. Silvio abre a porta e se abaixa para carregar a companheira, que não reage, Silvio a sacode e tira a camisa de seu rosto. Percebe nesse instante que a companheira de bar, não respondia aos seus chamados. Silvio dá um grito de pavor.
__ Carmelia, Carmélia, eu te amo, não faça isso comigo, não me deixe, Carmélia, eu te amo.
E sacode seu corpo inerte no chão, nesse instante ambos cercados pôr pessoas. E no desespero da morte, Silvio sofre um enfarte fulminante caindo sobre o corpo de Carmélia, que nesse instante, acorda do desmaio, ajudada pelas pessoas, Carmélia, num gesto meigo, e sofrido, senta no chão, segura a metade do corpo de Silvio sobre seu colo, e num gesto maternal, permite as lágrimas rolarem em seu rosto marcado pelo tempo:
_____ Meu filho, eu te amo, não me deixe.
Lira Vargas
A FACE DO SONHO
A FACE DO SONHO D
Sandra, uma linda gaúcha, de grande talento artístico, iniciava no teatro, surpreendendo a todos, mas teve uma gravidez inesperada aos quinze anos, nasceu Luiza. Sua vida foi um transtorno, pois dividia seu sonho com uma criança indesejada. Os anos foram passando, o sucesso fazendo parte da vida de Sandra, que se projetava há cada espetáculo no teatro do Rio de Janeiro.
Luiza foi crescendo, muito diferente da mãe, chegava a ser considerada, feia, e a pior, rejeitada pela mãe famosa. Sandra omitia a existência de Luiza, quando algum repórter tocava no assunto, Sandra desviava com um sorriso melancólico.
O tempo foi passando, Sandra estava no auge da carreira aos trinta anos, e Luiza em sua vida insignificante com quinze anos. Luiza admirava a beleza de sua mãe, quando a mesma estava se arrumando para sair, Luiza a admirava, e em sua singeleza uma vez perguntou a Sandra como era ser bonita e famosa. Sandra desconversava e até a agredia com palavras rude. Luiza, mesmo não sendo bonita, tinha uma simpatia e singeleza que superavam a falta de beleza. Colecionava as reportagens que falavam de Sandra, era sua fã, mas silenciosa, pois Sandra nem comentava sobre sua vida com Luiza.
Na mansão, Sandra adaptara uma grande sala de teatro para seus ensaios. Luiza ficava fascinada quando tinha ensaios. Nessa sala, havia uma saída de ar condicionado e ao lado tinha uma pequena varanda que dava para um imenso jardim. Luiza descobrira uma pequena abertura na passagem do ar, e dali assistia solitários os ensaios, chegava a aplaudir sem som sua linda mãe diante dos diretores e produtores dos espetáculos. Luiza percebeu que Sandra iria fazer um novo espetáculo, pois notara telefonemas e as preocupações normais quando Sandra ia começar um novo espetáculo. E em seus pensamentos, Luiza torcia e sabia que seria um grande sucesso, e todas as noites eles ficava a espera desse novo ensaio que para sua ansiedade demorava muito. E na escola, com sua única amiga Lurdes, ela comentava toda sua ansiedade sob o olhar de compaixão de sua amiga. Que não entendia como Luiza podia amar e admirar tanto uma mãe que a negava. Às vezes Lurdes perguntava a Luiza se ela seguiria a carreira de sua mãe, e em gesto de timidez e tristeza, Luiza respondia que seria impossível, pois não era bonita como sua mãe.
Numa manha, Luiza procurou Sandra para falar algo sobre o colégio, e notara que ela estava abrindo um envelope com um caderno, Luiza deu um sorriso de felicidade, finalmente o script chegara, e Sandra, em semblante serio, abaixou o material e nem permitiu que Luiza continuasse a falar, resmungou em tom rude que estava ocupada, Luiza humildemente, compreendeu e pediu desculpas, saindo feliz, como seria esse novo espetáculo, perguntava em pensamento e com sorriso feliz.
Foi numa noite de inverno, um diretor que Luiza nunca tinha visto, chegara com uma equipe para uma reunião com Sandra. Luiza estava jantando e Sandra, pediu licença e foi atender o pessoal que chegara na sala de ensaios. Luiza sorriu, e rapidamente foi para seu esconderijo assistir os primeiros ensaios daquele misterioso espetáculo. Ao chegar no esconderijo, Luiza ficou fascinada pela quantidade de pessoas, imaginou que deveria ser um espetáculo muito grande, pois era bem diferente das outras, e em sua singeleza, Luiza bateu palmas sem som e pensou que esse espetáculo, com certeza, iria para o exterior.
E começou o ensaio. O diretor acompanhado de sua esposa tratava Sandra com admiração, sua voz era meiga e segura, Luiza deixou-se envolver pôr aquela voz, parecia um anjo, ela tentava vê-lo, mas no angulo que ele ficara, era impossível. Luiza tentava, mas era em vão. O diretor lia o scripti e informava que o sapateado tinha que ser perfeito, pois seria uma das atrações do espetáculo. Um professor espanhol ensinava os primeiros passos a Sandra. Luiza com o rosto colado na parede deu um sorriso e dizia que seria muito fácil para sua mãe, e num impulso, Luiza imitava os passos do sapateado. Seu entusiasmo era tanto que Sandra tentava acompanhar o professor, e de repente parou do outro lado, Luiza continuara. Foi um silencio total. O diretor Willis, perguntou quem fizera aquele som. Sandra pigarreou, e desviou a atenção de todos, preocupada, pois sabia que só podia ser a Luiza. Ao terminar o ensaio, quando todos foram embora, Sandra foi ao quarto de Luiza e a repreendeu, dizendo, que nunca mais repetisse. Luiza ficou surpresa, pois então, Sandra sabia de seu esconderijo. Na manha seguinte, quando tomava café, percebeu que a copeira Seleste tinha um sapato parecido com o que sua mãe usara no ensaio, e em gesto de menina, pediu que lhe emprestasse o sapato, Seleste sorrindo, disse que não tinha problema, e quando Sandra saiu, Luiza foi com a copeira tentar os passos no teatro de sua mãe.
N a escola, Luiza treinava os passos sem som na carteira da sala para não ser chamada a tençao, e no intervalo, chamava Lurdes para ajuda-la, Lurdes ria de Luiza, que insistia com seriedade que observasse se estava certo.
E nos outros ensaios, Luiza não resistia e ia para seu esconderijo. E outra vez, fez os passos do sapateado. E para sua surpresa, Sandra já sapateava, mas sem a aprovação total de Willis, mas ainda faltavam alguns meses para a estreia.
Naquela noite, foi movimentada para Luiza, pois percebera que alem do sapateado, tinha uma musica linda para acompanhar. Uma professora de canto ensaiava Sandra. Luiza do outro lado prestava atenção na melodia e saia correndo até o jardim e para sua surpresa, sua voz era linda, e combinava muito bem com a melodia. Sapateava, e cantava sozinha no jardim. Voltava para seu esconderijo para assistir. E nessa noite ela ouvira Willis falar com Sandra que não tinham mais tempo para outros ensaios, que Sandra não conseguia assimilar o sapateado e a melodia, que teria que aceitar um duble que ficaria atras das cortinas para esses dois atos. Sandra mostrou-se revoltada, mas aceitou a idéia. Então ficara combinado que na outra noite trariam o duble. Nesse instante, Luiza foi tomada pôr um impulso assustador, saiu do esconderijo, correndo pelo jardim, deu a volta enorme até a entrada do teatro, ofegante parou na porta, bateu, e alguém abriu, entrou e sob o olhar de reprovação de Sandra, parou diante a Willis que a olhou espantado, não sabia de sua existência. Luiza com um vestido longo, infantil demais para sua idade, tentou falar, sendo interrompida pôr Sandra que a mandou voltar. Mas Luiza insistiu olhando nos olhos de Willis, tentava falar, Willis, em gesto atencioso, pediu que Luiza falasse, fazendo gesto para Sandra ficar quieta. Luiza então, sem nada falar, fez o sapateado, e para surpresa e fascínio de todos, soltou a voz, a equipe extasiada, pareciam hipnotizados tamanhos talentos numa pessoa tão simples tão magrinhos, tão sem beleza. Ao terminar, sob o aplauso de todos, Luiza pediu para ser a duble de sua mãe. Foi feita uma reunião relâmpago, e o ensaio varou a noite toda, Luiza cada vez fazia melhor.
Chegou o dia do espetáculo. Luiza ficaria atras das cortinas. Sandra representava a trama de um espião americano perdido na Rússia ela vestida de soldado russo, tentando fugir, quando chegam os guardas, e guando está acuada num paredão, sob a mira de fuzis, o soldado se revela cantando new York new York. Os russos em risadas descobrem que o soldado é uma mulher, espera que ela termine a musica e a fuzila. A platéia fica de pé aplaudindo o espetáculo. O palco escuro, uma luz sobre Sandra, ela vaidosa pelo sucesso, agradece a platéia, atras da cortina, Luiza emocionada, sorri chorando de emoção pela mae adorada pelo publico.
Na manha seguinte os jornais comentam o sucesso. Ninguém sabe que a voz e o sapateado eram de Luiza.
O espetáculo se repete pôr quinze dias com sala cheia. Até que um dia Luiza fica sabendo que o espetáculo fora convidado para apresenta-se na Broadway. Era tudo que o Sandra queria. O último espetáculo no Brasil, fora marcado para um sábado. Toda a imprensa fora convidada. Luiza em seu anonimato torcia para aquela noite marcante, pois no outro mês estariam em NY.
O espetáculo começa. Luiza posicionada atras da cortina. Sua roupa comum. De saia azul, blusa preta, microfone na mão, sapato especial para sapateado, aguardava sua vez de entrar em cena. Fora chegado à hora. O teatro lotado. No ato final, quando acaba de cantar, ouve os disparos dos fuzis, a platéia aplaudindo, varias flores são jogados no palco, os aplausos ecoavam pelo teatro, nos rostos lagrimas emocionadas, Sandra sob uma forte luz azul, reluzindo a farda de soldado americano, se levanta do chão, agradecem a platéia, sua maquiagem pálida, olhos contornados de negro, faz o gesto de agradecimento, vira a costa para a platéia e surpreendentemente, levanta num impulso a cortina mostrando a cantora e sapatiadora, dizendo ao publico que os aplausos eram para Luiza sua filha. Luiza pasma, tenta fugir, mas Sandra a abraça e informa que tinha muito orgulho de sua filha.
O espetáculo foi para NY, Willis acompanhou. E na ultima noite do espetáculo, Sandra revela que Luiza era sua filha.
Lira Vargas.
Sandra, uma linda gaúcha, de grande talento artístico, iniciava no teatro, surpreendendo a todos, mas teve uma gravidez inesperada aos quinze anos, nasceu Luiza. Sua vida foi um transtorno, pois dividia seu sonho com uma criança indesejada. Os anos foram passando, o sucesso fazendo parte da vida de Sandra, que se projetava há cada espetáculo no teatro do Rio de Janeiro.
Luiza foi crescendo, muito diferente da mãe, chegava a ser considerada, feia, e a pior, rejeitada pela mãe famosa. Sandra omitia a existência de Luiza, quando algum repórter tocava no assunto, Sandra desviava com um sorriso melancólico.
O tempo foi passando, Sandra estava no auge da carreira aos trinta anos, e Luiza em sua vida insignificante com quinze anos. Luiza admirava a beleza de sua mãe, quando a mesma estava se arrumando para sair, Luiza a admirava, e em sua singeleza uma vez perguntou a Sandra como era ser bonita e famosa. Sandra desconversava e até a agredia com palavras rude. Luiza, mesmo não sendo bonita, tinha uma simpatia e singeleza que superavam a falta de beleza. Colecionava as reportagens que falavam de Sandra, era sua fã, mas silenciosa, pois Sandra nem comentava sobre sua vida com Luiza.
Na mansão, Sandra adaptara uma grande sala de teatro para seus ensaios. Luiza ficava fascinada quando tinha ensaios. Nessa sala, havia uma saída de ar condicionado e ao lado tinha uma pequena varanda que dava para um imenso jardim. Luiza descobrira uma pequena abertura na passagem do ar, e dali assistia solitários os ensaios, chegava a aplaudir sem som sua linda mãe diante dos diretores e produtores dos espetáculos. Luiza percebeu que Sandra iria fazer um novo espetáculo, pois notara telefonemas e as preocupações normais quando Sandra ia começar um novo espetáculo. E em seus pensamentos, Luiza torcia e sabia que seria um grande sucesso, e todas as noites eles ficava a espera desse novo ensaio que para sua ansiedade demorava muito. E na escola, com sua única amiga Lurdes, ela comentava toda sua ansiedade sob o olhar de compaixão de sua amiga. Que não entendia como Luiza podia amar e admirar tanto uma mãe que a negava. Às vezes Lurdes perguntava a Luiza se ela seguiria a carreira de sua mãe, e em gesto de timidez e tristeza, Luiza respondia que seria impossível, pois não era bonita como sua mãe.
Numa manha, Luiza procurou Sandra para falar algo sobre o colégio, e notara que ela estava abrindo um envelope com um caderno, Luiza deu um sorriso de felicidade, finalmente o script chegara, e Sandra, em semblante serio, abaixou o material e nem permitiu que Luiza continuasse a falar, resmungou em tom rude que estava ocupada, Luiza humildemente, compreendeu e pediu desculpas, saindo feliz, como seria esse novo espetáculo, perguntava em pensamento e com sorriso feliz.
Foi numa noite de inverno, um diretor que Luiza nunca tinha visto, chegara com uma equipe para uma reunião com Sandra. Luiza estava jantando e Sandra, pediu licença e foi atender o pessoal que chegara na sala de ensaios. Luiza sorriu, e rapidamente foi para seu esconderijo assistir os primeiros ensaios daquele misterioso espetáculo. Ao chegar no esconderijo, Luiza ficou fascinada pela quantidade de pessoas, imaginou que deveria ser um espetáculo muito grande, pois era bem diferente das outras, e em sua singeleza, Luiza bateu palmas sem som e pensou que esse espetáculo, com certeza, iria para o exterior.
E começou o ensaio. O diretor acompanhado de sua esposa tratava Sandra com admiração, sua voz era meiga e segura, Luiza deixou-se envolver pôr aquela voz, parecia um anjo, ela tentava vê-lo, mas no angulo que ele ficara, era impossível. Luiza tentava, mas era em vão. O diretor lia o scripti e informava que o sapateado tinha que ser perfeito, pois seria uma das atrações do espetáculo. Um professor espanhol ensinava os primeiros passos a Sandra. Luiza com o rosto colado na parede deu um sorriso e dizia que seria muito fácil para sua mãe, e num impulso, Luiza imitava os passos do sapateado. Seu entusiasmo era tanto que Sandra tentava acompanhar o professor, e de repente parou do outro lado, Luiza continuara. Foi um silencio total. O diretor Willis, perguntou quem fizera aquele som. Sandra pigarreou, e desviou a atenção de todos, preocupada, pois sabia que só podia ser a Luiza. Ao terminar o ensaio, quando todos foram embora, Sandra foi ao quarto de Luiza e a repreendeu, dizendo, que nunca mais repetisse. Luiza ficou surpresa, pois então, Sandra sabia de seu esconderijo. Na manha seguinte, quando tomava café, percebeu que a copeira Seleste tinha um sapato parecido com o que sua mãe usara no ensaio, e em gesto de menina, pediu que lhe emprestasse o sapato, Seleste sorrindo, disse que não tinha problema, e quando Sandra saiu, Luiza foi com a copeira tentar os passos no teatro de sua mãe.
N a escola, Luiza treinava os passos sem som na carteira da sala para não ser chamada a tençao, e no intervalo, chamava Lurdes para ajuda-la, Lurdes ria de Luiza, que insistia com seriedade que observasse se estava certo.
E nos outros ensaios, Luiza não resistia e ia para seu esconderijo. E outra vez, fez os passos do sapateado. E para sua surpresa, Sandra já sapateava, mas sem a aprovação total de Willis, mas ainda faltavam alguns meses para a estreia.
Naquela noite, foi movimentada para Luiza, pois percebera que alem do sapateado, tinha uma musica linda para acompanhar. Uma professora de canto ensaiava Sandra. Luiza do outro lado prestava atenção na melodia e saia correndo até o jardim e para sua surpresa, sua voz era linda, e combinava muito bem com a melodia. Sapateava, e cantava sozinha no jardim. Voltava para seu esconderijo para assistir. E nessa noite ela ouvira Willis falar com Sandra que não tinham mais tempo para outros ensaios, que Sandra não conseguia assimilar o sapateado e a melodia, que teria que aceitar um duble que ficaria atras das cortinas para esses dois atos. Sandra mostrou-se revoltada, mas aceitou a idéia. Então ficara combinado que na outra noite trariam o duble. Nesse instante, Luiza foi tomada pôr um impulso assustador, saiu do esconderijo, correndo pelo jardim, deu a volta enorme até a entrada do teatro, ofegante parou na porta, bateu, e alguém abriu, entrou e sob o olhar de reprovação de Sandra, parou diante a Willis que a olhou espantado, não sabia de sua existência. Luiza com um vestido longo, infantil demais para sua idade, tentou falar, sendo interrompida pôr Sandra que a mandou voltar. Mas Luiza insistiu olhando nos olhos de Willis, tentava falar, Willis, em gesto atencioso, pediu que Luiza falasse, fazendo gesto para Sandra ficar quieta. Luiza então, sem nada falar, fez o sapateado, e para surpresa e fascínio de todos, soltou a voz, a equipe extasiada, pareciam hipnotizados tamanhos talentos numa pessoa tão simples tão magrinhos, tão sem beleza. Ao terminar, sob o aplauso de todos, Luiza pediu para ser a duble de sua mãe. Foi feita uma reunião relâmpago, e o ensaio varou a noite toda, Luiza cada vez fazia melhor.
Chegou o dia do espetáculo. Luiza ficaria atras das cortinas. Sandra representava a trama de um espião americano perdido na Rússia ela vestida de soldado russo, tentando fugir, quando chegam os guardas, e guando está acuada num paredão, sob a mira de fuzis, o soldado se revela cantando new York new York. Os russos em risadas descobrem que o soldado é uma mulher, espera que ela termine a musica e a fuzila. A platéia fica de pé aplaudindo o espetáculo. O palco escuro, uma luz sobre Sandra, ela vaidosa pelo sucesso, agradece a platéia, atras da cortina, Luiza emocionada, sorri chorando de emoção pela mae adorada pelo publico.
Na manha seguinte os jornais comentam o sucesso. Ninguém sabe que a voz e o sapateado eram de Luiza.
O espetáculo se repete pôr quinze dias com sala cheia. Até que um dia Luiza fica sabendo que o espetáculo fora convidado para apresenta-se na Broadway. Era tudo que o Sandra queria. O último espetáculo no Brasil, fora marcado para um sábado. Toda a imprensa fora convidada. Luiza em seu anonimato torcia para aquela noite marcante, pois no outro mês estariam em NY.
O espetáculo começa. Luiza posicionada atras da cortina. Sua roupa comum. De saia azul, blusa preta, microfone na mão, sapato especial para sapateado, aguardava sua vez de entrar em cena. Fora chegado à hora. O teatro lotado. No ato final, quando acaba de cantar, ouve os disparos dos fuzis, a platéia aplaudindo, varias flores são jogados no palco, os aplausos ecoavam pelo teatro, nos rostos lagrimas emocionadas, Sandra sob uma forte luz azul, reluzindo a farda de soldado americano, se levanta do chão, agradecem a platéia, sua maquiagem pálida, olhos contornados de negro, faz o gesto de agradecimento, vira a costa para a platéia e surpreendentemente, levanta num impulso a cortina mostrando a cantora e sapatiadora, dizendo ao publico que os aplausos eram para Luiza sua filha. Luiza pasma, tenta fugir, mas Sandra a abraça e informa que tinha muito orgulho de sua filha.
O espetáculo foi para NY, Willis acompanhou. E na ultima noite do espetáculo, Sandra revela que Luiza era sua filha.
Lira Vargas.
A SOMBRA DO PASSADO
A SOMBRA DO PASSADO
Sinezio e Walda têm dois filhos, Wagner de 16 anos e Kacia de 10, casal de classe média vivem competindo com os vizinhos do condomínio.
A troca de carro novos, roupas, jóias e viagens, Walda é mais vaidosa e cobra muito de Sinezio que é diretor numa empresa multinacional. Walda tem uma idéia, pede de presente de natal, um iate, para completar sua vaidade. Sinézio já envolvido com muitos empréstimos bancários, tem dificuldade e arranjar tanto dinheiro. Procura um amigo de vida incerta, Telis e conta sua ultima preocupação. Telis o tranqüiliza, informando que isso não era problema, que ele tinha uma solução. Sinézio telefona para Walda, dizendo que estava perto de realizar seu sonho.
Telis marca uma reunião em sua casa com Mauricio, conhecido na alta classe como o maior agiota do Rio de Janeiro, porem o mais perigoso, pois acumula um grande patrimônio às custas dos desesperos e vaidosos homens da classe media alta.
Walda prepara a reunião com requinte, afinal, o tal agiota tinha que sentir firmeza com quem emprestaria tão alta quantia. Chega o grande dia, Sinézio chega mais cedo em casa, tudo estava como recomendara, Walda contratou até um buffet para impressionar. A reunião iniciara, o agiota Mauricio de poucas palavras, mais observador, não tirava os olhos do decote de Walda. Então pergunta a Sinézio de quanto ele precisava, e o mesmo informou. O agiota, passa a mão nos cabelos, fingindo preocupação, fazendo o casal acreditar que seria preciso uma garantia, nesse momento Kacia entra na sala chorando pôr que seu irmão Wagner ordenara que ela fosse dormir. A reunião foi interrompida, mas logo que reiniciada, a garantia que Mauricio queria era aquela casa e uma outra que eles tinham em Angra. Wagner olha para Walda , esta ansiosa acena positivamente com a cabeça, pois acreditavam que poderiam pagar em tempo.
Realizaram o sonho. A família navegava quase todos os finais de semana, mas o tempo foi passando, as primeiras parcelas foram fáceis, mas um dia Sinézio recebe a notícia que a empresa estava em situação prestes a fechar. Nesse dia o peso da vaidade fica preocupante, chega em casa e relata a Walda a situação perigosa. Esta não exita, informa ao marido que iria procurar o agiota para negociar a seu jeito. E foi ao seu escritório, disfarçado de imobiliária. Conta o que estava acontecendo, e lógico ela já esperava um convite para jantar, a mesma aceita, só pede licença para informar ao marido que chegaria mais tarde.
Após o jantar foram parar num hotel de luxo, ela ansiosa, após satisfazer ao agiota, deitados na cama, ela pergunta o que ele poderia fazer para ajudá-los, para sua surpresa, ele diz que entregaria toda a papelada, esqueceria a dívida com uma única condição: queria dormir com a filha do casal, a Kacia de apenas dez anos. Walda dá um pulo da cama, assustada com tamanha audácia, mas contem o desespero e arruma-se para ir embora, as lágrimas rolavam em seu rosto, uma mistura de nojo e medo daquele maníaco. Chega em casa desesperada, depara com Kacia brincando em seu quarto. Quando Sinézio chega, Walda relata o que acontecera. Para sua indignação, Sinézio diz que não tem outra saída, ou dão a filha para o asqueroso agiota, ou iriam todos pra rua, pois até o iate ainda estava nas mãos do agiota. O casal não dorme a noite, o drama começara, os dois amargando o preço de suas vaidade, viam-se naquela situação dramática. Wagner era o irmão protetor de Kacia, eles se davam muito, o carinho entre os dois era um contraste ao casal ambiosos e vaidosos. Wagner notara o clima de tensão, pôr várias vezes perguntara aos pais o que acontecia, mas negavam qualquer informação. Os dias foram passando, até que uma noite, o agiota liga para o casal, o pagamento estava atrasado e ele já não tinha muito tempo para Sinézio, que pedia prazo. E o telefonema foi ficando mais freqüente, o casal desesperado, não teve alternativo. Marcaram o dia de levar a jovem Kacia para as mãos do agiota. Foi um dia torturante, Walda chorava, Sinezio silencioso, marcaram que estariam às vinte horas num hotel escolhido pelo agiota. Kacia arrumada, não entendia para onde iriam. Aproveitariam que Wagner estaria no curso pré-vestibular e não sabia de nada. A viagem transcorria silenciosa, Kacia cantarolava uma canção infantil, Sinézio dá um grito para que ela parace com aquela música, Walda abraça os joelhos em gesto nervoso e começa chorar. Chegam na rua dos luxuosos hotel, o transito complicado, Walda torce que demore o máximo, olha para as luzes da cidade, era noite de inverno, a praia vazia, uma chuva fina lavava as calçadas, Sinezio vai dobrando a rua quando depara com um carro da policia, sente um gelo percorrer suas veias, logo adiante outro, mais outro, um carro do corpo de bombeiro uma pessoa na calçada coberta com um plástico preto, uma turma de estudantes olhavam atônitos para o morto, Walda sente um aperto no peito, lembra que Wagner estuda ali perto, o pavor vai tomando sua alma e no desespero de mãe, abre a porta do carro, corre, abre espaço na multidão, os policiais tenta dete-la. No carro, Kacia abraça o pai sem entender, Sinezio também larga o carro, de mãos dadas com Kacia corre em direção a Walda, que grita pôr Wagner, chegando perto do morto, vai abaixando para tirar o plástico preto, um policial tenta dete-la, mas Walda é mais rápida, retira o plástico e fica parada olhando aquele rosto ensangüentado, esfacelado, mas com os traços inesquecíveis do agiota Maurício. Olha em volta, Sinezio chega perto, fica de pé parado de mãos com sua filha, chama Walda para saírem dali, num sorriso de alivio, saem da multidão, explicam em rápidas palavras aos policiais que pensaram em seu filho que estudava ali perto.
Voltam para casa, aliviados, abrem a porta, o telefone toca, Kacia corre para atender, entrega a Sinezio, do outro lado da linha o policial pergunta se ele era pai de wagner, que atirara o Mauricio da janela do hotel.
Ficam parados olhando-se, num abraço de dor, retornam para a delegacia, chegando lá são informados que Wagner estava detido. Sem coragem de olhá-lo de frente, o casal senta perto de Wagner, este informa que ouvira a conversas pelo telefone, e não tivera outra saída.
O caso fora entregue ao Dr. Talis, que era um grande advogado, Wagner fora absolvido pôr uma justa causa. A família recupera as propriedades, entregam o iate ao governo, e aprendem uma lição de simplicidade.
Lira Vargas
Sinezio e Walda têm dois filhos, Wagner de 16 anos e Kacia de 10, casal de classe média vivem competindo com os vizinhos do condomínio.
A troca de carro novos, roupas, jóias e viagens, Walda é mais vaidosa e cobra muito de Sinezio que é diretor numa empresa multinacional. Walda tem uma idéia, pede de presente de natal, um iate, para completar sua vaidade. Sinézio já envolvido com muitos empréstimos bancários, tem dificuldade e arranjar tanto dinheiro. Procura um amigo de vida incerta, Telis e conta sua ultima preocupação. Telis o tranqüiliza, informando que isso não era problema, que ele tinha uma solução. Sinézio telefona para Walda, dizendo que estava perto de realizar seu sonho.
Telis marca uma reunião em sua casa com Mauricio, conhecido na alta classe como o maior agiota do Rio de Janeiro, porem o mais perigoso, pois acumula um grande patrimônio às custas dos desesperos e vaidosos homens da classe media alta.
Walda prepara a reunião com requinte, afinal, o tal agiota tinha que sentir firmeza com quem emprestaria tão alta quantia. Chega o grande dia, Sinézio chega mais cedo em casa, tudo estava como recomendara, Walda contratou até um buffet para impressionar. A reunião iniciara, o agiota Mauricio de poucas palavras, mais observador, não tirava os olhos do decote de Walda. Então pergunta a Sinézio de quanto ele precisava, e o mesmo informou. O agiota, passa a mão nos cabelos, fingindo preocupação, fazendo o casal acreditar que seria preciso uma garantia, nesse momento Kacia entra na sala chorando pôr que seu irmão Wagner ordenara que ela fosse dormir. A reunião foi interrompida, mas logo que reiniciada, a garantia que Mauricio queria era aquela casa e uma outra que eles tinham em Angra. Wagner olha para Walda , esta ansiosa acena positivamente com a cabeça, pois acreditavam que poderiam pagar em tempo.
Realizaram o sonho. A família navegava quase todos os finais de semana, mas o tempo foi passando, as primeiras parcelas foram fáceis, mas um dia Sinézio recebe a notícia que a empresa estava em situação prestes a fechar. Nesse dia o peso da vaidade fica preocupante, chega em casa e relata a Walda a situação perigosa. Esta não exita, informa ao marido que iria procurar o agiota para negociar a seu jeito. E foi ao seu escritório, disfarçado de imobiliária. Conta o que estava acontecendo, e lógico ela já esperava um convite para jantar, a mesma aceita, só pede licença para informar ao marido que chegaria mais tarde.
Após o jantar foram parar num hotel de luxo, ela ansiosa, após satisfazer ao agiota, deitados na cama, ela pergunta o que ele poderia fazer para ajudá-los, para sua surpresa, ele diz que entregaria toda a papelada, esqueceria a dívida com uma única condição: queria dormir com a filha do casal, a Kacia de apenas dez anos. Walda dá um pulo da cama, assustada com tamanha audácia, mas contem o desespero e arruma-se para ir embora, as lágrimas rolavam em seu rosto, uma mistura de nojo e medo daquele maníaco. Chega em casa desesperada, depara com Kacia brincando em seu quarto. Quando Sinézio chega, Walda relata o que acontecera. Para sua indignação, Sinézio diz que não tem outra saída, ou dão a filha para o asqueroso agiota, ou iriam todos pra rua, pois até o iate ainda estava nas mãos do agiota. O casal não dorme a noite, o drama começara, os dois amargando o preço de suas vaidade, viam-se naquela situação dramática. Wagner era o irmão protetor de Kacia, eles se davam muito, o carinho entre os dois era um contraste ao casal ambiosos e vaidosos. Wagner notara o clima de tensão, pôr várias vezes perguntara aos pais o que acontecia, mas negavam qualquer informação. Os dias foram passando, até que uma noite, o agiota liga para o casal, o pagamento estava atrasado e ele já não tinha muito tempo para Sinézio, que pedia prazo. E o telefonema foi ficando mais freqüente, o casal desesperado, não teve alternativo. Marcaram o dia de levar a jovem Kacia para as mãos do agiota. Foi um dia torturante, Walda chorava, Sinezio silencioso, marcaram que estariam às vinte horas num hotel escolhido pelo agiota. Kacia arrumada, não entendia para onde iriam. Aproveitariam que Wagner estaria no curso pré-vestibular e não sabia de nada. A viagem transcorria silenciosa, Kacia cantarolava uma canção infantil, Sinézio dá um grito para que ela parace com aquela música, Walda abraça os joelhos em gesto nervoso e começa chorar. Chegam na rua dos luxuosos hotel, o transito complicado, Walda torce que demore o máximo, olha para as luzes da cidade, era noite de inverno, a praia vazia, uma chuva fina lavava as calçadas, Sinezio vai dobrando a rua quando depara com um carro da policia, sente um gelo percorrer suas veias, logo adiante outro, mais outro, um carro do corpo de bombeiro uma pessoa na calçada coberta com um plástico preto, uma turma de estudantes olhavam atônitos para o morto, Walda sente um aperto no peito, lembra que Wagner estuda ali perto, o pavor vai tomando sua alma e no desespero de mãe, abre a porta do carro, corre, abre espaço na multidão, os policiais tenta dete-la. No carro, Kacia abraça o pai sem entender, Sinezio também larga o carro, de mãos dadas com Kacia corre em direção a Walda, que grita pôr Wagner, chegando perto do morto, vai abaixando para tirar o plástico preto, um policial tenta dete-la, mas Walda é mais rápida, retira o plástico e fica parada olhando aquele rosto ensangüentado, esfacelado, mas com os traços inesquecíveis do agiota Maurício. Olha em volta, Sinezio chega perto, fica de pé parado de mãos com sua filha, chama Walda para saírem dali, num sorriso de alivio, saem da multidão, explicam em rápidas palavras aos policiais que pensaram em seu filho que estudava ali perto.
Voltam para casa, aliviados, abrem a porta, o telefone toca, Kacia corre para atender, entrega a Sinezio, do outro lado da linha o policial pergunta se ele era pai de wagner, que atirara o Mauricio da janela do hotel.
Ficam parados olhando-se, num abraço de dor, retornam para a delegacia, chegando lá são informados que Wagner estava detido. Sem coragem de olhá-lo de frente, o casal senta perto de Wagner, este informa que ouvira a conversas pelo telefone, e não tivera outra saída.
O caso fora entregue ao Dr. Talis, que era um grande advogado, Wagner fora absolvido pôr uma justa causa. A família recupera as propriedades, entregam o iate ao governo, e aprendem uma lição de simplicidade.
Lira Vargas
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