ETERNIDADE
Fui um capitulo no livro de sua vida,
Você foi minha história
Em noites de estrelas, nossos olhares brilhavam com a luz da lua
Em manhas de inverno, o calor de nossos corpos aqueciam tanto
Que a brisa desviava das frestas da janela
As flores dos jardins pareciam mais coloridas,festejando nossa alegria
E o céu azul em harmonia com o mar
Unia o céu e a terra num silencio de paz.
E quando as gaivotas cortavam as nuvens
Pareciam sorrir diante aquele amor imenso.
E numa manha de verão o silencio do desencontro
Se fez presente.
Você partiu para longe, deixando uma saudade imensa
Fui um capitulo do livro de sua vida
Você foi minha historia
Até aqui amei você.
Na eternidade não sei.
Te procurarei....eu sei.
Lira Vargas.
domingo, 31 de maio de 2009
PECADO MAIOR.
PECADO MAIOR.
Morava no interior de Juiz de Fora, a igreja da cidade era um encontro quase obrigatório dos finais de semana, nos anos de 1960, as festas religiosas para arrecadar recurso para a igreja, aconteciam com entusiasmo, minha mãe fazia bolo para as barraquinhas das beatas.
Eu tinha 15 anos, meus cabelos loiros, olhos azuis, meu jeito meigo, faziam-me destacar entre minhas amigas, tinha juntado com aquela meiguice o objetivo de seguir a vida religiosa, queria ser freira.
Fazia parte do coral da igreja. Uma tarde, quando ensaiava, olhei para o altar, o coral ficava no segundo patamar da igreja, vi que o Padre Issac estava olhando-me. Envaidecida, cantei com felicidade, percebi que ele notara meu entusiasmo e vi um sorriso, nossos olhos se encontraram, e na inocência de meus quinze anos, senti pela primeira vez o sangue correr quente pôr meu corpo, algo diferente jamais sentido, jamais sentido com os namoricos com os meninos da escola. Abaixei os olhos, minha voz falhou, e logo procurei seu olhar, mas Padre Issac já não me olhava, naquele momento ajoelhado no altar, parecia um anjo.
A semana transcorrera sem novidades, apenas sentia de vez em quando a ansiedade pelo dia de ensaio. Nesse dia, procurei ir mais bonita para o ensaio, prendi meus cabelos num grampo dourado, aventurei até o batom de minha irmã. Estávamos cantando, meus olhos procuravam pela igreja o Padre Issac, em meus pensamentos palavras de perdão pôr aquela atitude, e como um anjo, lá estava o Padre Issac surgindo de trás do altar, olhando-me fixamente, e outra vez o sangue correu mais quente pôr minhas veias. Acabou o ensaio, atrasei os passos, ofereci-me em arrumar a sala, as partituras espalhadas, à professora foi descendo as escadas, fazendo observações para que eu não misturasse as partituras fora de ordem, gostei, pois seria mais tempo para ficar ali. Uma mistura de medo e ansiedade tomou conta de mim, os últimos passos e falatório das pessoas foram se perdendo, e o silencio da igreja foi ficando mais pesado, senti vontade de olhar lá pra baixo, mas não tive coragem, era vergonha, e me perguntava, e seu estivesse enganada. meus pensamentos foram interrompidos pôr passos lentos, alguém subia as escadas, não olhei, arrumava nessa hora o piano, senti um cheiro de roupa lavada com sabão, sem perfume, tive vontade de rir, quando aquelas mãos frias, finas e branquinhas, seguraram as minhas, tremi, mas lentamente deitei minha cabeça em seu peito, o Padre Issac segurou meu queixo, nossos olhos se encontraram, e num gesto quase inconsciente, nossas bocas se encontraram num longo beijo. Nesse momento, soltei-me de seus braços, desci as escadas, e no meio da igreja, quando ia transportar a porta, parei e olhei para cima, lá estava ele, olhando-me, silencioso, como a pedir perdão.
Cheguei em casa ofegante, corri para meu quarto, minha mãe veio assustada querendo saber se algo muito grave acontecera, disse que era uma cólica comum.
Durante a semana fiquei calada, as colegas do colégio perguntavam o que havia acontecido comigo, meu silencio preocupava. No dia do ensaio, fui tomada pôr uma calma muito prazerosa, uma certeza que nunca mais iria acontecer outro encontro. No ensaio, procurava aqueles olhos de menino, aquela, magia de anjo, e nada. Terminou o ensaio, sai com uma ponta de tristeza, mas ao passar pelo confessionário, parei, percebi que ele estava ali, e lentamente ajoelhei e murmurei algo incompreensível. Ele respondeu que sentiu saudade. E lentamente o Padre Issac levantou, pegou minha mão, e conduziu-me até a sala de ensaio. Subimos as escadas, nossos passos se confundiam com as batidas de meu coração, e, entre o piano e os pés do microfone, nossos gemidos se transformaram num hino ao amor. Suas mãos acariciavam meu pequeno corpo que no prazer do amor, fazia a dor do prazer, aquele local, onde as vozes do coral cantavam para casais que se dirigiam ao altar, pareciam nos conduzir ao caminho do céu. Nossos corpos rolando pelo chão, nossas roupas misturadas, nesse momento eram cúmplices, se amaciando o chão. As partituras silenciosas guardavam as notas para nos saudar naquele momento sublime do prazer e do amor.
Acordamos daquele êxtase, acordamos felizes, nossos lábios se encontravam, eu tinha que ir embora, mas os beijos insaciáveis, era uma despedida ansiosa para um novo encontro.
E outros encontros aconteciam em seus aposentos, já éramos íntimos, cada vez mais precisávamos um do outro.
Até que um dia sugeri uma fuga da cidade, nós queríamos mais e mais, ficar longe passou ser suplício, Isaac ficava indeciso eu queria uma solução. Então decidimos pensar numa decisão. As férias chegaram, minha tia do Rio de Janeiro convidara-me para estudar lá, minha mãe sugeriu que eu fosse, lá eu poderia me formar e Ter um futuro melhor neguei assustada, pois minha mãe era rigorosa, minha irmã mais velha, não casou e nem terminou os estudos, eu era a esperança de minha família, minha irmã que tinha muita autoridade confirmava juntamente com minha mãe. Fui para o quarto e rezei, pedi a Deus que não permitisse que me forçassem a ir embora, saí escondida de minha mãe, caminhei até a igreja silenciosa, fui me aproximando dos aposentos de Isaac que ficava após uma porta atras do altar, ouvi alguém conversando com ele, um crucifixo pendido na parede, agucei meus ouvidos, Padre Isaac conversava com alguém que aquela semana seria a última, ele estava decidido ir embora para outra cidade, tinha sido convidado para outra igreja. Uma lágrima correu em meu rosto, a decepção da perda, a solidão fazendo parte de minha vida tão jovem. Saí, quando cheguei na rua, corri, chorava compassivamente, cheguei em casa abracei minha mãe e pedi aos prantos que permitisse que eu fosse para o Rio de Janeiro continuar meus estudos.Esta assustada e sorrindo, feliz com minha decisão, disse que na manhã seguinte eu iria embora. Ligou para minha tia, foi até a rodoviária, comprou uma passagem e na manhã seguinte, o orvalho ainda nas folhas, brilhavam com os primeiros raios de sol nas folhagens que contornavam a estrada. O ônibus passou pela igreja, olhei a torre, as vidraças, os jardins as escadas daquela igreja que nunca confessei meu pecado maior de ter amado o padre que rezava, que levava a Deus os pecados daquela cidadezinha tão bonita. Chorei pôr muito tempo. A estrada ia se alongando cada vez mais, pondo para trás minha felicidade.
Os anos se passaram. Um dia rompi com o medo e perguntei a minha mãe pelo Padre Isaac, ela disse que ele tinha ido embora no ano em que eu saíra da cidade e que nunca mais alguém o viu. Terminei meus estudos, casei com Orlando, tive três filhos, nossa vida sem muitas emoções, minha mãe sempre vinha ao Rio de Janeiro, evitei retornar a Juiz de fora durante vinte anos.
Um dia recebi um telefonema que minha mãe adoecera. Falei com Orlando que tinha que viajar. Cheguei na minha cidade, o coração apertado, antes de me dirigir para a casa de minha mãe, fui até a igreja, caminhei, fui até o altar, rezei pôr um instante, o coral ensaiava, olhei melancolicamente para aquelas jovens, meu olhar parou numa loirinha de olhos azuis, parecia comigo, fiquei pôr alguns instantes emocionada, uma volta ao passado, o hino, o cenário, e caminhei até a saída e atras do altar o padre olhava para o coral. Dei um sorriso e saí.
Cheguei em casa minha mãe velhinha, na cadeira de balanço, nos abraçamos, ela fraquinha falava da doença, meus pensamentos vagavam. Fui até a estante, a mesma de quando morava ali, peguei um livro, dei um sorriso e lembrei que fora meu, quando abri, tinha um bilhete dentro de um envelope, gasto pelo tempo. Perguntei a minha mãe de quem era, ela com a voz cansada disse que o Padre Issac tinha deixado pra mim, mas eu tinha viajado naquela manhã. Abri o bilhete com a mesma emoção daquela época, suas palavras pareciam tomar forma em meus pensamentos ‘ ESPERE-ME NA RODOVIÁRIA, VAMOS SER FELIZES “. Encostei o bilhete em meu peito, fui até a varanda, nesse momento o sino da igreja tocou a tarde caia e uma lágrima correu em meu rosto, de saudade e pena de nós dois”.
Lira Vargas.
Morava no interior de Juiz de Fora, a igreja da cidade era um encontro quase obrigatório dos finais de semana, nos anos de 1960, as festas religiosas para arrecadar recurso para a igreja, aconteciam com entusiasmo, minha mãe fazia bolo para as barraquinhas das beatas.
Eu tinha 15 anos, meus cabelos loiros, olhos azuis, meu jeito meigo, faziam-me destacar entre minhas amigas, tinha juntado com aquela meiguice o objetivo de seguir a vida religiosa, queria ser freira.
Fazia parte do coral da igreja. Uma tarde, quando ensaiava, olhei para o altar, o coral ficava no segundo patamar da igreja, vi que o Padre Issac estava olhando-me. Envaidecida, cantei com felicidade, percebi que ele notara meu entusiasmo e vi um sorriso, nossos olhos se encontraram, e na inocência de meus quinze anos, senti pela primeira vez o sangue correr quente pôr meu corpo, algo diferente jamais sentido, jamais sentido com os namoricos com os meninos da escola. Abaixei os olhos, minha voz falhou, e logo procurei seu olhar, mas Padre Issac já não me olhava, naquele momento ajoelhado no altar, parecia um anjo.
A semana transcorrera sem novidades, apenas sentia de vez em quando a ansiedade pelo dia de ensaio. Nesse dia, procurei ir mais bonita para o ensaio, prendi meus cabelos num grampo dourado, aventurei até o batom de minha irmã. Estávamos cantando, meus olhos procuravam pela igreja o Padre Issac, em meus pensamentos palavras de perdão pôr aquela atitude, e como um anjo, lá estava o Padre Issac surgindo de trás do altar, olhando-me fixamente, e outra vez o sangue correu mais quente pôr minhas veias. Acabou o ensaio, atrasei os passos, ofereci-me em arrumar a sala, as partituras espalhadas, à professora foi descendo as escadas, fazendo observações para que eu não misturasse as partituras fora de ordem, gostei, pois seria mais tempo para ficar ali. Uma mistura de medo e ansiedade tomou conta de mim, os últimos passos e falatório das pessoas foram se perdendo, e o silencio da igreja foi ficando mais pesado, senti vontade de olhar lá pra baixo, mas não tive coragem, era vergonha, e me perguntava, e seu estivesse enganada. meus pensamentos foram interrompidos pôr passos lentos, alguém subia as escadas, não olhei, arrumava nessa hora o piano, senti um cheiro de roupa lavada com sabão, sem perfume, tive vontade de rir, quando aquelas mãos frias, finas e branquinhas, seguraram as minhas, tremi, mas lentamente deitei minha cabeça em seu peito, o Padre Issac segurou meu queixo, nossos olhos se encontraram, e num gesto quase inconsciente, nossas bocas se encontraram num longo beijo. Nesse momento, soltei-me de seus braços, desci as escadas, e no meio da igreja, quando ia transportar a porta, parei e olhei para cima, lá estava ele, olhando-me, silencioso, como a pedir perdão.
Cheguei em casa ofegante, corri para meu quarto, minha mãe veio assustada querendo saber se algo muito grave acontecera, disse que era uma cólica comum.
Durante a semana fiquei calada, as colegas do colégio perguntavam o que havia acontecido comigo, meu silencio preocupava. No dia do ensaio, fui tomada pôr uma calma muito prazerosa, uma certeza que nunca mais iria acontecer outro encontro. No ensaio, procurava aqueles olhos de menino, aquela, magia de anjo, e nada. Terminou o ensaio, sai com uma ponta de tristeza, mas ao passar pelo confessionário, parei, percebi que ele estava ali, e lentamente ajoelhei e murmurei algo incompreensível. Ele respondeu que sentiu saudade. E lentamente o Padre Issac levantou, pegou minha mão, e conduziu-me até a sala de ensaio. Subimos as escadas, nossos passos se confundiam com as batidas de meu coração, e, entre o piano e os pés do microfone, nossos gemidos se transformaram num hino ao amor. Suas mãos acariciavam meu pequeno corpo que no prazer do amor, fazia a dor do prazer, aquele local, onde as vozes do coral cantavam para casais que se dirigiam ao altar, pareciam nos conduzir ao caminho do céu. Nossos corpos rolando pelo chão, nossas roupas misturadas, nesse momento eram cúmplices, se amaciando o chão. As partituras silenciosas guardavam as notas para nos saudar naquele momento sublime do prazer e do amor.
Acordamos daquele êxtase, acordamos felizes, nossos lábios se encontravam, eu tinha que ir embora, mas os beijos insaciáveis, era uma despedida ansiosa para um novo encontro.
E outros encontros aconteciam em seus aposentos, já éramos íntimos, cada vez mais precisávamos um do outro.
Até que um dia sugeri uma fuga da cidade, nós queríamos mais e mais, ficar longe passou ser suplício, Isaac ficava indeciso eu queria uma solução. Então decidimos pensar numa decisão. As férias chegaram, minha tia do Rio de Janeiro convidara-me para estudar lá, minha mãe sugeriu que eu fosse, lá eu poderia me formar e Ter um futuro melhor neguei assustada, pois minha mãe era rigorosa, minha irmã mais velha, não casou e nem terminou os estudos, eu era a esperança de minha família, minha irmã que tinha muita autoridade confirmava juntamente com minha mãe. Fui para o quarto e rezei, pedi a Deus que não permitisse que me forçassem a ir embora, saí escondida de minha mãe, caminhei até a igreja silenciosa, fui me aproximando dos aposentos de Isaac que ficava após uma porta atras do altar, ouvi alguém conversando com ele, um crucifixo pendido na parede, agucei meus ouvidos, Padre Isaac conversava com alguém que aquela semana seria a última, ele estava decidido ir embora para outra cidade, tinha sido convidado para outra igreja. Uma lágrima correu em meu rosto, a decepção da perda, a solidão fazendo parte de minha vida tão jovem. Saí, quando cheguei na rua, corri, chorava compassivamente, cheguei em casa abracei minha mãe e pedi aos prantos que permitisse que eu fosse para o Rio de Janeiro continuar meus estudos.Esta assustada e sorrindo, feliz com minha decisão, disse que na manhã seguinte eu iria embora. Ligou para minha tia, foi até a rodoviária, comprou uma passagem e na manhã seguinte, o orvalho ainda nas folhas, brilhavam com os primeiros raios de sol nas folhagens que contornavam a estrada. O ônibus passou pela igreja, olhei a torre, as vidraças, os jardins as escadas daquela igreja que nunca confessei meu pecado maior de ter amado o padre que rezava, que levava a Deus os pecados daquela cidadezinha tão bonita. Chorei pôr muito tempo. A estrada ia se alongando cada vez mais, pondo para trás minha felicidade.
Os anos se passaram. Um dia rompi com o medo e perguntei a minha mãe pelo Padre Isaac, ela disse que ele tinha ido embora no ano em que eu saíra da cidade e que nunca mais alguém o viu. Terminei meus estudos, casei com Orlando, tive três filhos, nossa vida sem muitas emoções, minha mãe sempre vinha ao Rio de Janeiro, evitei retornar a Juiz de fora durante vinte anos.
Um dia recebi um telefonema que minha mãe adoecera. Falei com Orlando que tinha que viajar. Cheguei na minha cidade, o coração apertado, antes de me dirigir para a casa de minha mãe, fui até a igreja, caminhei, fui até o altar, rezei pôr um instante, o coral ensaiava, olhei melancolicamente para aquelas jovens, meu olhar parou numa loirinha de olhos azuis, parecia comigo, fiquei pôr alguns instantes emocionada, uma volta ao passado, o hino, o cenário, e caminhei até a saída e atras do altar o padre olhava para o coral. Dei um sorriso e saí.
Cheguei em casa minha mãe velhinha, na cadeira de balanço, nos abraçamos, ela fraquinha falava da doença, meus pensamentos vagavam. Fui até a estante, a mesma de quando morava ali, peguei um livro, dei um sorriso e lembrei que fora meu, quando abri, tinha um bilhete dentro de um envelope, gasto pelo tempo. Perguntei a minha mãe de quem era, ela com a voz cansada disse que o Padre Issac tinha deixado pra mim, mas eu tinha viajado naquela manhã. Abri o bilhete com a mesma emoção daquela época, suas palavras pareciam tomar forma em meus pensamentos ‘ ESPERE-ME NA RODOVIÁRIA, VAMOS SER FELIZES “. Encostei o bilhete em meu peito, fui até a varanda, nesse momento o sino da igreja tocou a tarde caia e uma lágrima correu em meu rosto, de saudade e pena de nós dois”.
Lira Vargas.
ESSA É PARA PENSAR
ESSA É PARA PENSAR
Em minhas viagens à procura de novidades para as colunas de para as colunas de jornais, experimentei a sensação de “pasmo”ao fato abaixo:
Na cidade de Jaboatão, em Pernambuco, após longas caminhadas, todos os viajantes, como um recurso de sobrevivência à sede que aquele clima seco provoca, param num casebre à beira da estrada.
O poço fundo e quase que vazio parecia estimular ainda mais o desejo nos viajantes de beber água.
No galho seco havia um lindo papagaio, de um colorido colossal, em contraste com aquela paisagem castigada pelo sol. De um vocabulário rico, o papagaio atraia a todos que pôr ali paravam. As crianças pançudas, piolhentas, desprovidas de conforto, nada diferente em aspecto e do papagaio de nome Lito.
Percebi a chegada de uma família que ali parou, depois da admiração pelo Lito que após as ofertas para a compra da ave, as crianças corriam até a mãe, seguravam as barras de sua saia e diziam: “vendi não, mãe. E a ave resmungava no mesmo tom de súplica: Vendi não.mae.
Fiquei observando a família que insistia com a oferta tentadora, talvez pôr capricho. E como o dinheiro fala mais alto naquela região, Lito foi vendido. Aos choros as crianças deixavam as lagrimas se misturarem à poeira daqueles rostos marcados pela fome e miséria. Ainda ouvi a ave dizer num cabo da vassoura, já amarrada na mão da mulher vidrada pela vitoria como se estivesse saindo de um leilão: Vendi não, mãe... E a mulher ria admirada pela sabedoria da ave. A mãe das crianças deu uma sacudida nos que choravam, contendo os soluços, transformando-os em resmungo abafados, derivados de uma tristeza inexplicável, e a saudade já fazendo parte de suas vidas miseráveis.
Aquela cena tirou todo o meu entusiasmo de pesquisar a vida nordestina. Voltei para o hotel e tratei de marcar a viagem de volta. No aeroporto encontrei a família que comprara a ave. Rapidamente procurei pelo papagaio e soube que haviam embalado-o junto com as bagagens para não ser visto.
Ao chegar no Rio de Janeiro, fiquei parada, um sentimento estranho apossou-se de meu ser e a curiosidade de saber como a ave estaria após sair do bagageiro. Fiquei parada, a expectativa prolongou o tempo. A família já nem falava da ave. Traziam vários produtos nordestinos, a ave era apenas mais uma “coisa”.
Ouvi alguém dizer que deveriam verificar o papagaio. Ao abrirem a gaiola disfarçada em embrulho, alguém falou lamentando “que pena, o papagaio morreu”, talvez pôr falta de ar”.
Permaneci parada com o gosto das lagrimas presas à garganta, talvez as lagrimas das crianças nordestinas. Discretamente jogaram o embrulho do papagaio na lixeira luxuosa do aeroporto.
Nesse momento, uma musica suave tocava naquele ambiente, e em minha lembrança a voz do papagaio: Vendi não, mãe...
Lira Vargas.
Em minhas viagens à procura de novidades para as colunas de para as colunas de jornais, experimentei a sensação de “pasmo”ao fato abaixo:
Na cidade de Jaboatão, em Pernambuco, após longas caminhadas, todos os viajantes, como um recurso de sobrevivência à sede que aquele clima seco provoca, param num casebre à beira da estrada.
O poço fundo e quase que vazio parecia estimular ainda mais o desejo nos viajantes de beber água.
No galho seco havia um lindo papagaio, de um colorido colossal, em contraste com aquela paisagem castigada pelo sol. De um vocabulário rico, o papagaio atraia a todos que pôr ali paravam. As crianças pançudas, piolhentas, desprovidas de conforto, nada diferente em aspecto e do papagaio de nome Lito.
Percebi a chegada de uma família que ali parou, depois da admiração pelo Lito que após as ofertas para a compra da ave, as crianças corriam até a mãe, seguravam as barras de sua saia e diziam: “vendi não, mãe. E a ave resmungava no mesmo tom de súplica: Vendi não.mae.
Fiquei observando a família que insistia com a oferta tentadora, talvez pôr capricho. E como o dinheiro fala mais alto naquela região, Lito foi vendido. Aos choros as crianças deixavam as lagrimas se misturarem à poeira daqueles rostos marcados pela fome e miséria. Ainda ouvi a ave dizer num cabo da vassoura, já amarrada na mão da mulher vidrada pela vitoria como se estivesse saindo de um leilão: Vendi não, mãe... E a mulher ria admirada pela sabedoria da ave. A mãe das crianças deu uma sacudida nos que choravam, contendo os soluços, transformando-os em resmungo abafados, derivados de uma tristeza inexplicável, e a saudade já fazendo parte de suas vidas miseráveis.
Aquela cena tirou todo o meu entusiasmo de pesquisar a vida nordestina. Voltei para o hotel e tratei de marcar a viagem de volta. No aeroporto encontrei a família que comprara a ave. Rapidamente procurei pelo papagaio e soube que haviam embalado-o junto com as bagagens para não ser visto.
Ao chegar no Rio de Janeiro, fiquei parada, um sentimento estranho apossou-se de meu ser e a curiosidade de saber como a ave estaria após sair do bagageiro. Fiquei parada, a expectativa prolongou o tempo. A família já nem falava da ave. Traziam vários produtos nordestinos, a ave era apenas mais uma “coisa”.
Ouvi alguém dizer que deveriam verificar o papagaio. Ao abrirem a gaiola disfarçada em embrulho, alguém falou lamentando “que pena, o papagaio morreu”, talvez pôr falta de ar”.
Permaneci parada com o gosto das lagrimas presas à garganta, talvez as lagrimas das crianças nordestinas. Discretamente jogaram o embrulho do papagaio na lixeira luxuosa do aeroporto.
Nesse momento, uma musica suave tocava naquele ambiente, e em minha lembrança a voz do papagaio: Vendi não, mãe...
Lira Vargas.
PAPA JOAO PAULO O MUNDO FICOU ORFÃO
O MUNDO FICOU ORFÃO
O Papa , o Pai do mundo, desde que foi eleito pelo Vaticano, o polonês Karol Josef Wojtyla, o JOÃO PAULO, contrariou a tradição, por não ser italiano, mas foi eleito assim mesmo. Sofreu um atentado, perdoou assim mesmo. Ecumenista, uniu os povos e aceitou todos de todas as religiões. Beijou todos os chãos dos paises que visitou sobre a admiração de todos, abençoou todos os povos naquele gesto único, que tocava todos os corações até os mais duros, não resistiam e silenciavam a sua passagem. Não falava, murmurava, acho que se alguém ouviu a voz de um anjo, apostaria que era igual à dele, sorria com meiguice de uma criança, defendia a paz com a sabedoria de Deus. Se comparado a Jesus, peregrinou em busca da paz, e deixou a semente da união plantada no solo da terra. Defendeu a justiça social, nas incansáveis viagens pelo mundo, registrando na história da humanidade, o Papa mais amado e respeitado do planeta. Seu olhar refletia o céu, quem sabe ali estava o brilho da esperança de um mundo justo. Emocionou o mundo em sua partida, inspirou aos mais rudes políticos a certeza que é possível à justiça, é possível a paz.
O mundo ficou órfão, a dor vai abrandar com o tempo, mas a saudade será eterna, porque sua história será contada em todos os tempos, sua peregrinação em nome da paz não foi em vão.
O céu será sua morada, sua benção está em todos os corações.
Descanse em Paz.
“A benção João de Deus, esse povo te abraça...”
Lira Vargas.
O Papa , o Pai do mundo, desde que foi eleito pelo Vaticano, o polonês Karol Josef Wojtyla, o JOÃO PAULO, contrariou a tradição, por não ser italiano, mas foi eleito assim mesmo. Sofreu um atentado, perdoou assim mesmo. Ecumenista, uniu os povos e aceitou todos de todas as religiões. Beijou todos os chãos dos paises que visitou sobre a admiração de todos, abençoou todos os povos naquele gesto único, que tocava todos os corações até os mais duros, não resistiam e silenciavam a sua passagem. Não falava, murmurava, acho que se alguém ouviu a voz de um anjo, apostaria que era igual à dele, sorria com meiguice de uma criança, defendia a paz com a sabedoria de Deus. Se comparado a Jesus, peregrinou em busca da paz, e deixou a semente da união plantada no solo da terra. Defendeu a justiça social, nas incansáveis viagens pelo mundo, registrando na história da humanidade, o Papa mais amado e respeitado do planeta. Seu olhar refletia o céu, quem sabe ali estava o brilho da esperança de um mundo justo. Emocionou o mundo em sua partida, inspirou aos mais rudes políticos a certeza que é possível à justiça, é possível a paz.
O mundo ficou órfão, a dor vai abrandar com o tempo, mas a saudade será eterna, porque sua história será contada em todos os tempos, sua peregrinação em nome da paz não foi em vão.
O céu será sua morada, sua benção está em todos os corações.
Descanse em Paz.
“A benção João de Deus, esse povo te abraça...”
Lira Vargas.
DESCOBRI
DESCOBRI
Descobri que ficar triste, que chorar de noite,
que ficar embaixo do chuveiro e misturar lagrimas com água,
Faz acreditar que o amanha ‘e como o horizonte não revela o outro lado,
mas não esconde que existe.
Descobri que brigar, sentir ódio, bater a porta,
rasgar fotos, cartas e deletar e-mails,
Faz sentir mais dor, mais medo, faz o horizonte sumir e a alma morrer.
Descobri que sorrir, que abraçar ate sentir o calor do corpo,
que olhar nos olhos e declarar amor,
Faz o brilho da luz da lua e da luz da rua, clarear a alma,
os olhos e o caminho que antes parecia não existir.
Descobri que olhar a lua em noites frias lembrando de momentos felizes do passado,
que se aquecer num pulôver velho sob a neblina que cobre as folhas,
que olhar a luz da varanda tímida pela noite de inverno,
que requentar o café da tarde para não perder o espetáculo da noite,
que bater os dentes resistindo o frio só pra lembrar os bailes dos sábados do passado ouvindo os Beatles.
Faz sentir a juventude voltando sobre os cabelos brancos e a pele enrugada, e o sorriso alegre revigorando a alma.
Descobri que conheci de verdade o amor, que em todas as formas de lembranças...
Eternizei o passado para viver o presente.
Lira Vargas 03/2008
Descobri que ficar triste, que chorar de noite,
que ficar embaixo do chuveiro e misturar lagrimas com água,
Faz acreditar que o amanha ‘e como o horizonte não revela o outro lado,
mas não esconde que existe.
Descobri que brigar, sentir ódio, bater a porta,
rasgar fotos, cartas e deletar e-mails,
Faz sentir mais dor, mais medo, faz o horizonte sumir e a alma morrer.
Descobri que sorrir, que abraçar ate sentir o calor do corpo,
que olhar nos olhos e declarar amor,
Faz o brilho da luz da lua e da luz da rua, clarear a alma,
os olhos e o caminho que antes parecia não existir.
Descobri que olhar a lua em noites frias lembrando de momentos felizes do passado,
que se aquecer num pulôver velho sob a neblina que cobre as folhas,
que olhar a luz da varanda tímida pela noite de inverno,
que requentar o café da tarde para não perder o espetáculo da noite,
que bater os dentes resistindo o frio só pra lembrar os bailes dos sábados do passado ouvindo os Beatles.
Faz sentir a juventude voltando sobre os cabelos brancos e a pele enrugada, e o sorriso alegre revigorando a alma.
Descobri que conheci de verdade o amor, que em todas as formas de lembranças...
Eternizei o passado para viver o presente.
Lira Vargas 03/2008
LUCIANO PAVAROTTI A VIAGEM DE UM ANJO
LUCIANO PAVAROTTI A VIAGEM DE UM ANJO
Contemplei sua foto, e vi nuvens ao seu redor
Vi até asas de anjos despontando de seus ombros
Vi mais ainda, um olhar sereno, dádiva de Deus
Privilégio dos anjos.
Ouvi sua voz rompendo os céus
Como um trovão ordenando PAZ
Contraste entre a força e a serenidade
Fiquei imaginando...
Como a natureza harmonizou num corpo tão grande
Nas cordas vocais tão finas
O som mais encantador e apaixonante dos mortais.
LUCIANO PAVAROTTI, que o viu cantar
Não ficou mais a frente de quem só o ouviu cantar
Porque seu canto
Penetrou na alma mesmo de quem nunca ou seu rosto
Sua voz uniu a terra o céu e o mar
Desvendou o mistério da beleza
Criou um elo entre Deus o mundo e os anjos
A sua voz teve a missão de iluminar
Com luz de prata a alma do mundo
Cada pássaro silenciava a cada nota
Quem sabe na tentativa de aprender
O caminho que levava a Deus
As cachoeiras, o mar e o vento
Também silenciavam
Diante as notas milagrosas
Que surgiam de tão abençoadas cordas vocais
As forças da natureza se reverenciavam a sua voz
E seu olhar, contrastando a tamanha força
Se transformava como o olhar
Mais puro de um filhote de rouxinol
A despontar do ninho para a grandeza do mundo.
E seguindo o eco de suas melodias
Você viajou para mais perto de Deus
Deixou o eco de sua voz
Agora dourando como os raios do sol
Esse mundo saudoso de ti
Lira Vargas
Contemplei sua foto, e vi nuvens ao seu redor
Vi até asas de anjos despontando de seus ombros
Vi mais ainda, um olhar sereno, dádiva de Deus
Privilégio dos anjos.
Ouvi sua voz rompendo os céus
Como um trovão ordenando PAZ
Contraste entre a força e a serenidade
Fiquei imaginando...
Como a natureza harmonizou num corpo tão grande
Nas cordas vocais tão finas
O som mais encantador e apaixonante dos mortais.
LUCIANO PAVAROTTI, que o viu cantar
Não ficou mais a frente de quem só o ouviu cantar
Porque seu canto
Penetrou na alma mesmo de quem nunca ou seu rosto
Sua voz uniu a terra o céu e o mar
Desvendou o mistério da beleza
Criou um elo entre Deus o mundo e os anjos
A sua voz teve a missão de iluminar
Com luz de prata a alma do mundo
Cada pássaro silenciava a cada nota
Quem sabe na tentativa de aprender
O caminho que levava a Deus
As cachoeiras, o mar e o vento
Também silenciavam
Diante as notas milagrosas
Que surgiam de tão abençoadas cordas vocais
As forças da natureza se reverenciavam a sua voz
E seu olhar, contrastando a tamanha força
Se transformava como o olhar
Mais puro de um filhote de rouxinol
A despontar do ninho para a grandeza do mundo.
E seguindo o eco de suas melodias
Você viajou para mais perto de Deus
Deixou o eco de sua voz
Agora dourando como os raios do sol
Esse mundo saudoso de ti
Lira Vargas
O RIACHO
FUI morar no interior de Minas, meu marido havia perdido o emprego, pôr isso procuramos uma casinha à beira de um riacho, onde tinha uma pequena ponte.
Para ajudar meu marido, que arranjou logo que chegamos o emprego de ajudante de caminhão, comecei a costurar para a vizinhança do bairro.
Uma noite, costurava, a porta de meu quarto estava fechada, quando ouvi uma forte ventania, o lampião apagou pôr um instante, fiquei assustada, pois a noite estava tão calma, não havia motivo para aquela ventania. Quando acalmou, fui à janela, agucei meus ouvidos pela fresta e tentei olhar, nada vi, mas ouvi uns gemidos, muito confusos insisti em olhar pelas frestas da janela, nada via, apenas os gemidos. Tentei convencer-me de que deveria ser a ventania nos galinheiros e nas moitas de matos secos em que meu marido cortara, quando fomos morar.
Na manha seguinte, sem nada dizer aos meus filhos, fui ao quintal pensando encontrar muita sujeira devido à ventania, mas para meu espanto, tudo estava no mesmo lugar. Passado uns dias na mesma hora daquela noite horrenda, tornei a ser surpreendida pela ventania e os gemidos. Corri para a cama, e muito tremula comecei a rezar, parecia que os lamentos e gemidos foram se acalmando, e após uns instantes tudo ficou silencioso e adormeci.
Passado uns dias, meu marido voltou de viagem, as crianças muito felizes contavam sobre as brincadeiras e meu marido percebeu minha intranqüilidade, perguntou se havia algum problema, mudava de assunto, preferi contar quando fossemos dormir.
Quando as crianças foram para o quarto, Jurandir abraçou-me, estávamos com saudade, e ficamos abraçados, nossas caricias eram um misto de compreensão e amor, solidariedade pêlos golpes do destino. Mas ele percebeu meu tremor em seus braços, sabia que na manha seguinte ele viajaria, e sentia medo de saber que estaria sozinha nas próximas noites, sentia medo de ser surpreendida pêlos lamentos e as ventanias misteriosas. Jurandir perguntou o que estava acontecendo. Pedi que aumentasse a luz do lampião, sentei na cama e rapidamente relatei o que estava acontecendo. Ele riu com meiguice dizendo que eu deveria estar cansada e talvez a mudança tenha deixado-me nervosa. Tentei explicar que aquilo era verdade, que não estava com medo quando aconteceu pela primeira vez.
Na manha seguinte procurei adiantar o serviço e na tarde costurei bastante para Ter sono bem cedo. À noite mandei as crianças para a cama e tentei dormir. O sono não vinha, o silencio era tão forte que não ouvia sequer o canto dos sapos. Aumentei a luz do lampião, que nesse instante e nesse instante vi uma enorme sombra na parede, o susto foi tão grande que dei um grito, mas depois vi que foi um inseto que ficara contra luz do lampião, dei um sorriso, aliviado e tentei ler a bíblia, mas tudo assustava, até o som de minha respiração. Adormeci, quando estava sonhando com muitas crianças que me pediam ajuda, acordei sobressaltada com a ventania batendo com a porta do galinheiro, e parecia que latas eram jogadas rolando pelo quintal. Após o susto, fiquei estatelada olhando para a janela que tremia como se fosse abrir a qualquer momento, as cortinas finas voavam formando um aspecto horrível. A luz do lampião vacilava e uma claridade como um relâmpago iluminou o quarto. Fui tomada pôr uma força, apanhei a bíblia e decididamente levantei e olhei pela fresta da janela. O que fiquei surpresa é que quando dava o relâmpago, percebi que o riacho se tornava complemente vermelho. Nesse momento lembrei das palavras de Jurandir, dizendo que talvez eu estivesse cansada, e que deveria olhar para que o medo fosse embora. Mas, quanto mais fixava meu olhar, mas constatava que o riacho ficara vermelho. Abraçada com a bíblia fui para a porta, destranquei e saí, lá fora, ouvi o barulho da porta se fechando com a ventania, tentei abri-la, mas o vento era tão forte que a poeira sufocava-me e meus gritos se confundiam com aquela barulhada de lamentos e gemidos, no esforço que tentava abrir a porta à bíblia caiu longe, e nesse instante uma moita de galhos secos entrelaçados, como uma bola, amarinhou-se em minhas pernas, e cai, e minhas mãos alcançaram a bíblia. Quando consegui apanhá-la, comecei a orar, abraçada com a bíblia em meu peito, gritei pôr Jesus, e a ventania foi acalmando, olhei para o riacho, e quase morri de medo, vi crianças em forma de fetos, outras já perfeitas, umas com a cabeça em sangue, os cordões umbilicais passados pêlos pescoços, em outras o cordão arrastado pelo chão, uns com as veias a mostra, outras em pedaços e nesse momento uma criança veio se aproximando, arrastando-se pelo chão, trazendo o cordão junto com uma carne e vi que era a placenta, os olhos purgando, o sangue saia pelo canto da boca, o medo foi tão grande que olhei para o céu e supliquei a Deus que não deixasse tocar em mim, ele se rastejou até meus pés, sem me tocar, os outros choravam e gemiam, vi uma carnes esponjosas espumando, dali só distingui uns gemidos. A criança que se arrastou até meus pés falou. Olhei assustada, ele falava! Que horror. Então perguntei o que queria e quem eram eles, e porque não me deixavam em paz.
-----nós queremos orações, somos crianças assassinadas pôr nossas mães, queimadas, envenenadas e perfuradas em nossa cabeça, outras afogadas vivas nesse riacho, nos a assustamos porque queremos de você muitas orações e nunca diga o que você viu a ninguém, e após essas orações poderemos ir a paz para outro mundo, pois tínhamos funções a cumprir nesse mundo, uns iam ser médicos, enfermeiros, professores etc., mas nos foi cortado o destino com abortos.
Nesse instante tudo voltou ao normal, fui para casa, rezei durante horas, e até senti calma. Adormeci, na manha seguinte fui ao mercadinho do bairro, e disfarçando perguntei a esposa do dono do mercado, quem havia morado naquela casa antes de nos. Ela respondeu que tinha sido uma parteira curiosa e que diziam que ela fazia os abortos das mulheres e jogava os fetos no riacho.
Voltei para casa, passada um tempo, ficou surpresa, pois as margens do riacho nasceram lindas flores brancas e coloridas, e quando Jurandir voltou de viagem encontrou-me muito feliz, nada falei. Mas toda a noite reza para aquelas crianças.
Para ajudar meu marido, que arranjou logo que chegamos o emprego de ajudante de caminhão, comecei a costurar para a vizinhança do bairro.
Uma noite, costurava, a porta de meu quarto estava fechada, quando ouvi uma forte ventania, o lampião apagou pôr um instante, fiquei assustada, pois a noite estava tão calma, não havia motivo para aquela ventania. Quando acalmou, fui à janela, agucei meus ouvidos pela fresta e tentei olhar, nada vi, mas ouvi uns gemidos, muito confusos insisti em olhar pelas frestas da janela, nada via, apenas os gemidos. Tentei convencer-me de que deveria ser a ventania nos galinheiros e nas moitas de matos secos em que meu marido cortara, quando fomos morar.
Na manha seguinte, sem nada dizer aos meus filhos, fui ao quintal pensando encontrar muita sujeira devido à ventania, mas para meu espanto, tudo estava no mesmo lugar. Passado uns dias na mesma hora daquela noite horrenda, tornei a ser surpreendida pela ventania e os gemidos. Corri para a cama, e muito tremula comecei a rezar, parecia que os lamentos e gemidos foram se acalmando, e após uns instantes tudo ficou silencioso e adormeci.
Passado uns dias, meu marido voltou de viagem, as crianças muito felizes contavam sobre as brincadeiras e meu marido percebeu minha intranqüilidade, perguntou se havia algum problema, mudava de assunto, preferi contar quando fossemos dormir.
Quando as crianças foram para o quarto, Jurandir abraçou-me, estávamos com saudade, e ficamos abraçados, nossas caricias eram um misto de compreensão e amor, solidariedade pêlos golpes do destino. Mas ele percebeu meu tremor em seus braços, sabia que na manha seguinte ele viajaria, e sentia medo de saber que estaria sozinha nas próximas noites, sentia medo de ser surpreendida pêlos lamentos e as ventanias misteriosas. Jurandir perguntou o que estava acontecendo. Pedi que aumentasse a luz do lampião, sentei na cama e rapidamente relatei o que estava acontecendo. Ele riu com meiguice dizendo que eu deveria estar cansada e talvez a mudança tenha deixado-me nervosa. Tentei explicar que aquilo era verdade, que não estava com medo quando aconteceu pela primeira vez.
Na manha seguinte procurei adiantar o serviço e na tarde costurei bastante para Ter sono bem cedo. À noite mandei as crianças para a cama e tentei dormir. O sono não vinha, o silencio era tão forte que não ouvia sequer o canto dos sapos. Aumentei a luz do lampião, que nesse instante e nesse instante vi uma enorme sombra na parede, o susto foi tão grande que dei um grito, mas depois vi que foi um inseto que ficara contra luz do lampião, dei um sorriso, aliviado e tentei ler a bíblia, mas tudo assustava, até o som de minha respiração. Adormeci, quando estava sonhando com muitas crianças que me pediam ajuda, acordei sobressaltada com a ventania batendo com a porta do galinheiro, e parecia que latas eram jogadas rolando pelo quintal. Após o susto, fiquei estatelada olhando para a janela que tremia como se fosse abrir a qualquer momento, as cortinas finas voavam formando um aspecto horrível. A luz do lampião vacilava e uma claridade como um relâmpago iluminou o quarto. Fui tomada pôr uma força, apanhei a bíblia e decididamente levantei e olhei pela fresta da janela. O que fiquei surpresa é que quando dava o relâmpago, percebi que o riacho se tornava complemente vermelho. Nesse momento lembrei das palavras de Jurandir, dizendo que talvez eu estivesse cansada, e que deveria olhar para que o medo fosse embora. Mas, quanto mais fixava meu olhar, mas constatava que o riacho ficara vermelho. Abraçada com a bíblia fui para a porta, destranquei e saí, lá fora, ouvi o barulho da porta se fechando com a ventania, tentei abri-la, mas o vento era tão forte que a poeira sufocava-me e meus gritos se confundiam com aquela barulhada de lamentos e gemidos, no esforço que tentava abrir a porta à bíblia caiu longe, e nesse instante uma moita de galhos secos entrelaçados, como uma bola, amarinhou-se em minhas pernas, e cai, e minhas mãos alcançaram a bíblia. Quando consegui apanhá-la, comecei a orar, abraçada com a bíblia em meu peito, gritei pôr Jesus, e a ventania foi acalmando, olhei para o riacho, e quase morri de medo, vi crianças em forma de fetos, outras já perfeitas, umas com a cabeça em sangue, os cordões umbilicais passados pêlos pescoços, em outras o cordão arrastado pelo chão, uns com as veias a mostra, outras em pedaços e nesse momento uma criança veio se aproximando, arrastando-se pelo chão, trazendo o cordão junto com uma carne e vi que era a placenta, os olhos purgando, o sangue saia pelo canto da boca, o medo foi tão grande que olhei para o céu e supliquei a Deus que não deixasse tocar em mim, ele se rastejou até meus pés, sem me tocar, os outros choravam e gemiam, vi uma carnes esponjosas espumando, dali só distingui uns gemidos. A criança que se arrastou até meus pés falou. Olhei assustada, ele falava! Que horror. Então perguntei o que queria e quem eram eles, e porque não me deixavam em paz.
-----nós queremos orações, somos crianças assassinadas pôr nossas mães, queimadas, envenenadas e perfuradas em nossa cabeça, outras afogadas vivas nesse riacho, nos a assustamos porque queremos de você muitas orações e nunca diga o que você viu a ninguém, e após essas orações poderemos ir a paz para outro mundo, pois tínhamos funções a cumprir nesse mundo, uns iam ser médicos, enfermeiros, professores etc., mas nos foi cortado o destino com abortos.
Nesse instante tudo voltou ao normal, fui para casa, rezei durante horas, e até senti calma. Adormeci, na manha seguinte fui ao mercadinho do bairro, e disfarçando perguntei a esposa do dono do mercado, quem havia morado naquela casa antes de nos. Ela respondeu que tinha sido uma parteira curiosa e que diziam que ela fazia os abortos das mulheres e jogava os fetos no riacho.
Voltei para casa, passada um tempo, ficou surpresa, pois as margens do riacho nasceram lindas flores brancas e coloridas, e quando Jurandir voltou de viagem encontrou-me muito feliz, nada falei. Mas toda a noite reza para aquelas crianças.
O SEQUESTRO
O SEQUESTRO
Maura atravessava a rua ladeira, quando foi surpreendida pôr três homens que saem de trás de um banco, todos encarapuçados.
Ela foi amordaçada e a levam para um barraco num local de praia onde permanece por longo tempo sozinha.
__ Meu Deus, será que sabem que sou rica? E meus pais já deram falta de mim? (pensando alto)
Nesse momento todos três entram e vê ao seu encontro, dois chegaram rindo o outro permanece calado, com jeito de chefe do grupo.
__ Oi garota! (capuz vermelho) você parece assustada, tem medo de mascarado? Sorri bem alto e tenta passar as mãos nas pernas dela. Maura encolhe-se e cospe no rosto dele.
__ Covardes, quero ver se são homens diante de meu irmão, safados, parasitas, nojentos, deixem-me, vão se arrepender.
O chefe vem, e faz sinal para que os outros recuem, ambos saem batendo com as mãos.
__Pô, só ele é a privilegiada toda vez, pô.
O chefe, de capuz amarelo, calado, vem em direção a Maura e acaricia-a como se já conhecesse. Fala que já fez contato com a família dela, e que breve pegariam o resgate, e que ela deveria colaborar para sair viva, e a abraça.
Ela tenta sair de seus braços.
__ Miserável, covarde animal, e tenta se levantar, ele a esbofeteia. Maura chora e faz força, ele bate outra vez, até que ela fica quieta, chorando. Ele a mantém em seus braços, tira sua roupa e a ama como se fossem amantes. Maura permanece calada, passiva sem nada falar. Depois ele se levanta e sai sem nada falar e entra o outro de capuz vermelho.
___Oi beleza, agora é a minha vez, quero ver se vai fazer manha e depois gostar de meus carinhos, sei coisas que vão deixa-la apaixonada. Maura chora, implora... Mas o rapaz não atende, USA-a, sacia sua tara, depois esbofeteia seu rosto, quando sai, vem o outro de capuz azul e faz a mesma coisa. Maura fica um trapo, em estado de desespero, começa a gritar. Então vem o de capuz amarelo e diz na maior calma, que eles estão numa casa de praia, e deserta, ninguém a ouve e assim passam os dias, Maura recebe alimentação numa quentinha, quando precisavam ir ao banheiro eles a soltavam da corda que a mantinha presa na cama aproveitava para tomar banho o chuveiro frio, sem toalhas, em situação humilhante. Dormem no mesmo quarto, Maura tem uma cama, eles dormem no chão, e fica sempre um de guarda. Uma noite quando o vigia tira um cochilo, Maura tenta se levantar, mas quando passa pêlos dois, um deles dá uma rasteira e ela cai fazendo barulho e assustada, o chefe chama a atenção do que ficou de guarda, então o de capuz vermelho que era o mais maldoso de todos, sugere que deveriam passas o resto da noite se divertindo e assim fazem maura ficar despida a mercê deles. Na outra noite quando eles estão jogando carta, Maura percebe que o que vestia capuz amarelo era diferente dos outros no tratamento com ela, sempre que a possuía era carinhoso. Então quando estavam jogando, Maura percebe que ele a olhava, quando notou que Maura percebeu, virou o rosto. Então quando ele foi procura-la, ela diz que sabe que ele a ama, e pergunta pôr que permite que os outros abusem dela, propõe que fuja com ela, Maura diz que está apaixonado pôr ele, mas nada responde, ela então se revolta e o chama de covarde, ele diz baixinho que se os outros perceberem que ela a ama, ele perderá a postura de chefe. Então irão deixar de respeitarem ele. Mas num rompante, ele nega que a ama. Maura insiste que fuja, ela nada dirá a policia, ele a empurra na cama e se levanta, Maura pergunta se eles são conhecidos, ela nada responde. Nesse momento entra o outro e diz que acabara de telefonar para o pai de maura e que o dinheiro do resgate seria entregue no dia seguinte numa ponte da estrada. Aí o de capuz azul fala que irão ficar ricos, mas que era uma pena que Maura iria embora e sugere que fique ali depois que receberam o dinheiro para se divertirem com ela. O chefe diz que fique quieto, que não queria ouvi-lo falar asneiras, então quase brigam, o chefe o empurra até a parede e diz que a farra acabou e que iriam apanhar o dinheiro e fugir. Mas quando tudo se acalma, já era o dia seguinte, o dois vão até a ponte apanhar o dinheiro. Então os dois voltam assustado, o dinheiro não estava lá e então, pensando que a polícia chegaria lá disfarçada, eles encenam que os três são pescadores, mas a policia não vem. Eles conversam distraídos, Maura havia pedido para ir ao banheiro, e ao voltar, Maura percebe a arma em cima da mesa. Pega rapidamente e
Aponta, vai até a porta, pede que abram para ela, e enfrenta os três com a arma que esqueceram sobre a mesa, o de capuz amarelo muito calmamente dirige-se até ela, ao chegar ela grita que pare, ela diz que vai atirar, mas ele não dá importância e toma a arma. Os outros dois, após o susto dão uma surra em Maura. Ela percebe que o de capuz amarelo vira o rosto para não vê-la apanhando. Então ela começa a pedir socorro, ele manda que parem de bater.
E os dois dizem que vão dar umas voltas. Eles ficam a sós, Maura diz que o odeia, que sente desprezo pôr ele, mas sabe que ele a ama, que é um covarde, ele vira-se e a abraça com raiva e diz que é igual aos outros, que ela não é a primeira a ficar presa a eles e que quando ela fosse embora ele nem a reconheceria na rua. Maura debocha dele, diz que sabe que ela a quer, mas que tem medo de enfrentar os amigos. Ele a ameaça, que se voltasse a falar assim mandaria mata-la após os resgate do dinheiro. Mas quando chega perto dela, ela começa a abraça-lo desesperada, implorando que ao menos tirasse o capuz, ela precisava ver o rosto dele, e bate no rosto dele, acusando-o de bandido, que ele é um criminoso covarde.
Os outros voltam e dizem que a hora de apanhar o dinheiro seria ao amanhecer. Quando anoitece Maura está encolhida no canto da cama assustada, entram os dois e abusam dela, divertem-se, Maura já nada fazia para resistir, estava enfraquecida, fica passiva, inerte com a cabeça pendurada na cama, quando os dois a levantam percebe que ambos estão complemente bêbados.
Ao amanhecer, eles vão apanhar o dinheiro e relatam como fazer iriam deixa-la amordaçada e deixariam uma informação no local do dinheiro.
Então os dois saem, o chefe entra e para perto de Maura, deixa perto da cama dela uma âncora, ela pergunta para que. Ele diz que fugiriam de barco e que o carro deixaria na praia. Ela então pergunta com ar debochado pôr que ele não veio procura-la na última noite que passaram ali. Ela o provoca, e diz que promete a ele que não o acusaria na polícia, que deixasse ela ver seu rosto e fugissem juntos, eles silenciosos, senta no pé de sua cama e depois de muita insistência dela, ele diz que não veio procura-la a noite porque não estava disposta diz que não acredita e que ele estava evitando maiores sofrimentos, ele não resiste, vai até Maura e a abraça e num desespero total, ele diz que era absurdo que em quatro dias se apaixonarem assim, e quando estão em caricias, Maura pede que ele se levante para fugirem, mas quando ela o empurra para dar coragem, ele tropeça na barra do lençol e cai batendo com a cabeça na âncora, ferindo-se mortalmente, ela se desespera e grita, chora, tenta abrir a porta, mas esta trancada, vai até o bolso da calça dele que está sobre a cama, mas não acha, volta até ele tenta tirar o capuz e com muita dificuldade consegue tirar, vê o rosto dele, fica parada, abismada com aquele rosto tão bonito, porém desconhecido e diz chorando, que ele. Era um estranho, e não precisava esconder, nesse momento ela ouve o barulho dos dois bandidos que estão chegando, quando entram no quarto e vê o chefe ensangüentado param e riem, dizendo que será menos um para repartirem o lucro e saem batendo a com a porta, o de capuz vermelho volta e diz. Adeus beleza, um dia quando a encontrar direi quem sou, aliás, não podemos sair e deixa-la desamarrada, pois deixamos o endereço da casa no lugar do resgate. Amarram Maura e dizem que não iria mais de barco, pois só o chefe sabia dirigir o barco. Mas um tiroteio inicia, Maura fica assustada, grita e se encolhe na cama assustada, olha para a porta esperando uma desgraça, pensa que os dois voltariam para mata-la, e silencio...
Logo depois ela ouve o barulho de passos, é a policia, então quando entram Maura está chorando e diz que ela matou aquele homem, os policiais a desamarram e não dão importância a seus soluços, ela volta a dizer que matou aquele homem e exige que a prendam.
Os outros dois bandidos morreram ao trocarem tiro com a polícia.
Maura foi levada para o hospital em estado de choque e com o segredo daquele amor nascido na tragédia de um seqüestro.
Lira Vargas.
Maura atravessava a rua ladeira, quando foi surpreendida pôr três homens que saem de trás de um banco, todos encarapuçados.
Ela foi amordaçada e a levam para um barraco num local de praia onde permanece por longo tempo sozinha.
__ Meu Deus, será que sabem que sou rica? E meus pais já deram falta de mim? (pensando alto)
Nesse momento todos três entram e vê ao seu encontro, dois chegaram rindo o outro permanece calado, com jeito de chefe do grupo.
__ Oi garota! (capuz vermelho) você parece assustada, tem medo de mascarado? Sorri bem alto e tenta passar as mãos nas pernas dela. Maura encolhe-se e cospe no rosto dele.
__ Covardes, quero ver se são homens diante de meu irmão, safados, parasitas, nojentos, deixem-me, vão se arrepender.
O chefe vem, e faz sinal para que os outros recuem, ambos saem batendo com as mãos.
__Pô, só ele é a privilegiada toda vez, pô.
O chefe, de capuz amarelo, calado, vem em direção a Maura e acaricia-a como se já conhecesse. Fala que já fez contato com a família dela, e que breve pegariam o resgate, e que ela deveria colaborar para sair viva, e a abraça.
Ela tenta sair de seus braços.
__ Miserável, covarde animal, e tenta se levantar, ele a esbofeteia. Maura chora e faz força, ele bate outra vez, até que ela fica quieta, chorando. Ele a mantém em seus braços, tira sua roupa e a ama como se fossem amantes. Maura permanece calada, passiva sem nada falar. Depois ele se levanta e sai sem nada falar e entra o outro de capuz vermelho.
___Oi beleza, agora é a minha vez, quero ver se vai fazer manha e depois gostar de meus carinhos, sei coisas que vão deixa-la apaixonada. Maura chora, implora... Mas o rapaz não atende, USA-a, sacia sua tara, depois esbofeteia seu rosto, quando sai, vem o outro de capuz azul e faz a mesma coisa. Maura fica um trapo, em estado de desespero, começa a gritar. Então vem o de capuz amarelo e diz na maior calma, que eles estão numa casa de praia, e deserta, ninguém a ouve e assim passam os dias, Maura recebe alimentação numa quentinha, quando precisavam ir ao banheiro eles a soltavam da corda que a mantinha presa na cama aproveitava para tomar banho o chuveiro frio, sem toalhas, em situação humilhante. Dormem no mesmo quarto, Maura tem uma cama, eles dormem no chão, e fica sempre um de guarda. Uma noite quando o vigia tira um cochilo, Maura tenta se levantar, mas quando passa pêlos dois, um deles dá uma rasteira e ela cai fazendo barulho e assustada, o chefe chama a atenção do que ficou de guarda, então o de capuz vermelho que era o mais maldoso de todos, sugere que deveriam passas o resto da noite se divertindo e assim fazem maura ficar despida a mercê deles. Na outra noite quando eles estão jogando carta, Maura percebe que o que vestia capuz amarelo era diferente dos outros no tratamento com ela, sempre que a possuía era carinhoso. Então quando estavam jogando, Maura percebe que ele a olhava, quando notou que Maura percebeu, virou o rosto. Então quando ele foi procura-la, ela diz que sabe que ele a ama, e pergunta pôr que permite que os outros abusem dela, propõe que fuja com ela, Maura diz que está apaixonado pôr ele, mas nada responde, ela então se revolta e o chama de covarde, ele diz baixinho que se os outros perceberem que ela a ama, ele perderá a postura de chefe. Então irão deixar de respeitarem ele. Mas num rompante, ele nega que a ama. Maura insiste que fuja, ela nada dirá a policia, ele a empurra na cama e se levanta, Maura pergunta se eles são conhecidos, ela nada responde. Nesse momento entra o outro e diz que acabara de telefonar para o pai de maura e que o dinheiro do resgate seria entregue no dia seguinte numa ponte da estrada. Aí o de capuz azul fala que irão ficar ricos, mas que era uma pena que Maura iria embora e sugere que fique ali depois que receberam o dinheiro para se divertirem com ela. O chefe diz que fique quieto, que não queria ouvi-lo falar asneiras, então quase brigam, o chefe o empurra até a parede e diz que a farra acabou e que iriam apanhar o dinheiro e fugir. Mas quando tudo se acalma, já era o dia seguinte, o dois vão até a ponte apanhar o dinheiro. Então os dois voltam assustado, o dinheiro não estava lá e então, pensando que a polícia chegaria lá disfarçada, eles encenam que os três são pescadores, mas a policia não vem. Eles conversam distraídos, Maura havia pedido para ir ao banheiro, e ao voltar, Maura percebe a arma em cima da mesa. Pega rapidamente e
Aponta, vai até a porta, pede que abram para ela, e enfrenta os três com a arma que esqueceram sobre a mesa, o de capuz amarelo muito calmamente dirige-se até ela, ao chegar ela grita que pare, ela diz que vai atirar, mas ele não dá importância e toma a arma. Os outros dois, após o susto dão uma surra em Maura. Ela percebe que o de capuz amarelo vira o rosto para não vê-la apanhando. Então ela começa a pedir socorro, ele manda que parem de bater.
E os dois dizem que vão dar umas voltas. Eles ficam a sós, Maura diz que o odeia, que sente desprezo pôr ele, mas sabe que ele a ama, que é um covarde, ele vira-se e a abraça com raiva e diz que é igual aos outros, que ela não é a primeira a ficar presa a eles e que quando ela fosse embora ele nem a reconheceria na rua. Maura debocha dele, diz que sabe que ela a quer, mas que tem medo de enfrentar os amigos. Ele a ameaça, que se voltasse a falar assim mandaria mata-la após os resgate do dinheiro. Mas quando chega perto dela, ela começa a abraça-lo desesperada, implorando que ao menos tirasse o capuz, ela precisava ver o rosto dele, e bate no rosto dele, acusando-o de bandido, que ele é um criminoso covarde.
Os outros voltam e dizem que a hora de apanhar o dinheiro seria ao amanhecer. Quando anoitece Maura está encolhida no canto da cama assustada, entram os dois e abusam dela, divertem-se, Maura já nada fazia para resistir, estava enfraquecida, fica passiva, inerte com a cabeça pendurada na cama, quando os dois a levantam percebe que ambos estão complemente bêbados.
Ao amanhecer, eles vão apanhar o dinheiro e relatam como fazer iriam deixa-la amordaçada e deixariam uma informação no local do dinheiro.
Então os dois saem, o chefe entra e para perto de Maura, deixa perto da cama dela uma âncora, ela pergunta para que. Ele diz que fugiriam de barco e que o carro deixaria na praia. Ela então pergunta com ar debochado pôr que ele não veio procura-la na última noite que passaram ali. Ela o provoca, e diz que promete a ele que não o acusaria na polícia, que deixasse ela ver seu rosto e fugissem juntos, eles silenciosos, senta no pé de sua cama e depois de muita insistência dela, ele diz que não veio procura-la a noite porque não estava disposta diz que não acredita e que ele estava evitando maiores sofrimentos, ele não resiste, vai até Maura e a abraça e num desespero total, ele diz que era absurdo que em quatro dias se apaixonarem assim, e quando estão em caricias, Maura pede que ele se levante para fugirem, mas quando ela o empurra para dar coragem, ele tropeça na barra do lençol e cai batendo com a cabeça na âncora, ferindo-se mortalmente, ela se desespera e grita, chora, tenta abrir a porta, mas esta trancada, vai até o bolso da calça dele que está sobre a cama, mas não acha, volta até ele tenta tirar o capuz e com muita dificuldade consegue tirar, vê o rosto dele, fica parada, abismada com aquele rosto tão bonito, porém desconhecido e diz chorando, que ele. Era um estranho, e não precisava esconder, nesse momento ela ouve o barulho dos dois bandidos que estão chegando, quando entram no quarto e vê o chefe ensangüentado param e riem, dizendo que será menos um para repartirem o lucro e saem batendo a com a porta, o de capuz vermelho volta e diz. Adeus beleza, um dia quando a encontrar direi quem sou, aliás, não podemos sair e deixa-la desamarrada, pois deixamos o endereço da casa no lugar do resgate. Amarram Maura e dizem que não iria mais de barco, pois só o chefe sabia dirigir o barco. Mas um tiroteio inicia, Maura fica assustada, grita e se encolhe na cama assustada, olha para a porta esperando uma desgraça, pensa que os dois voltariam para mata-la, e silencio...
Logo depois ela ouve o barulho de passos, é a policia, então quando entram Maura está chorando e diz que ela matou aquele homem, os policiais a desamarram e não dão importância a seus soluços, ela volta a dizer que matou aquele homem e exige que a prendam.
Os outros dois bandidos morreram ao trocarem tiro com a polícia.
Maura foi levada para o hospital em estado de choque e com o segredo daquele amor nascido na tragédia de um seqüestro.
Lira Vargas.
O SALTO FINAL
O SALTO FINAL
Sugestão: início do filme, uma bola indo a direção ao infinito com o entardecer bem vermelho e logo, o céu anoitecendo com muitas estrelas e a bola se transformando numa estrela emitindo um som sideral e passando para uma música bem melodiosa.
No colégio Estadual, a turma do segundo grau era formada de uma equipe dedicada ao vôlei. Em sala de aula, o professor de matemática insistia numa luta desigual em chamar a atenção da turma que conversam sobre o jogo.
Lia era a mais dedicada, morena, olhos azuis, cabelos negros, pele alva. Ao lado da carteira de sala de aula, duas irmãs, Regina e Sônia. Ambas muito tímidas e não participavam dos jogos. Admiram a Lia por sua beleza e por ser a capitã do time. Tanto falaram de Lia em casa que despertou em seu irmão também jovem o desejo de conhecer Lia.
E chegou o primeiro bilhete. Lia achou engraçado, com o jeito descontraído, respondeu sem emoção, mas gostando da idéia, embora muito assediada pelos colegas. E os bilhetes foram surgindo e despertando curiosidade em conhece-lo. E foi chegado o dia do jogo. Havia uma festa junina junto com o campeonato da cidade. A quadra cheia, na multidão Américo se confundia na multidão. Lia olhava cada rosto, ninguém se condenava, era euforia total. Lia procurou as irmãs dele, essas riram, timidamente dizendo que ele estava ali nas arquibancadas e que só apareceria no final do jogo. Foi iniciado o jogo, a torcida gritava o nome de Lia. O uniforme do time era branco, seus cabelos destacavam pelo negrume, sorriso zombateiro. A equipe esforçava-se o mais que podia, na arquibancada alguém gritou -----Lia o saltooooooooo toda multidão repetia numa só voz. Lia o Saltooo!!!!!!!. Lia olha para a platéia, dá um sorriso e aguarda a bola. Deu o salto tanto esperado pelos que já conheciam e maravilhados pelos que não conheciam. O corpo salta bem alto (câmara lenta) e atinge a bola para o adversário. Gritos de euforia, aplausos e indignação, (nesse momento estádio fica silencioso), seu corpo salta tão alto que parece ir até o alto da rede. Quando chega ao chão, dá um sorriso, tímido e zombeteiro ao mesmo tempo. Terminado o jogo, a vitória para seu time. Lia sai do vestiário com outra roupa, cabelos molhados do banho. Sorrindo pela alegria do encontro com Américo. Namorado desconhecido. Anda pela festa, a todo o momento sendo parabenizada pelos amigos. Um balão sendo preparado com o nome do colégio. Olha maravilhado aquele enorme balão, as luzes da lanterna no chão refletindo em seus cabelos. Olha sorrindo para as colegas que arrumavam as lanternas. Alguém segura seu braço, Lia vira-se, olha perplexa aquele rosto. Calados olharam-se por um tempo, em sua mente lembrando o sorriso tímido das irmãs dele, entregando o primeiro bilhete. Alguém solta uma bomba. Outra pessoa ordenou que desocupassem a área, o balão já em chamas lutava para subir, mas era agarrado por fortes cordas. No alto falante tocava uma música da Simone..."Você é real...". Ao meio daquela barulhada, Américo convidou-a para se afastarem, os dois saem sem falar nada. Américo só parou quando bem afastado da festa, perto de uma casa. Lia recobrada da situação, olha para ele. Ele de uma beleza angelical. Cabelos negros. (escolher ator com essas características). Num diálogo de admiração e carícia, Américo informa que está apaixonado, mas está comprometido com um casamento breve, com outra pessoa. A emoção envolve-os, fazem amor naquele local. Longe dali a festa, o brilho dos fogos e a voz da cantora Simone no alto falante. Ficaram adormecendo no local. O sol ilumina os corpos nus naquele jardim abandonado. Assustada, Lia pensa o que diria aos pais. Chega em casa nervosa dando desculpas de um problema na festa. A noite chega e Lia no barzinho da esquina espera ansiosa por Américo. E nada. Durante as aulas as irmãs de Américo nada comentam. Lia olha ansiosa por um bilhete, e nada. Já desistindo do grande amor, Lia retorna ao treino do vôlei. Na saída do estádio, todo conversando com entusiasmo, Américo surge na esquina. Lia assustada murmura sorrindo-Américo!
Ele explica que não pode retornar a enviar bilhetes (dá uma desculpa qualquer).
Os jogos transcorriam cada vez melhor, a Prefeitura local apoiava os jogos. Os saltos de Lia cada vez mais cobrados pelos torcedores. Num dos jogos, Lia olha para a torcida e na multidão surge o rosto de Américo, esse levanta e joga uma flor para a quadra. Lia corre para pegá-la e a torcida aplaude. (ainda treino)
Chegado o dia do jogo, Lia olha ansiosa para a torcida, não vê Américo. Alguem grita Liaaaaaaaaaa o saltooooo!!!!!!
Lia salta, as colegas ficam pasmas olhando admiradas Lia jogando a bola. Vitória do time. O locutor anuncia o astro da Lia, profetisa a fama. No vestuário a animação, mas Lia passa mal. Fica atestada uma gravidez. Na saída Américo a espera, fica sabendo do fato. Aceita e diz que se casariam. No colégio os comentários, uns contra outros a favor. Chega o final das aulas. Numa noite chuvosa Lia aguarda a ligação de Américo, o telefone silencioso. Sai sem nada dizer a familia, segue até o bairro de Américo. A chuva caindo, raios, vento, roupa molhada. Caiu na poça de água, assustada aumenta os passos até a casa de Américo. Na varanda muitas pessoas comemorando a festa de vestibular de Américo. Chega no jardim e grita por Américo. Nesse momento ele enchia o copo de cerveja da antiga namorada. Quando a vê, larga a garrafa no chão. Sai ao seu socorro. Lia desmaia e percebem uma hemorragia. Seus pais chegam à casa de Américo (haviam previsto que ela estaria lá). Lia é levada ao hospital. Américo ansioso relembra o primeiro encontro (cena repetida). Lia perde o bebê. Quando Lia retorna pede a Americo que saia de sua vida. Quando fica sozinha com sua mae, chora muito.
O tempo passa, a fama aumenta, Américo não mais aparece. Um grande jogo marcado. Na platéia os gritos de alegria. O treinador oferece joelheira a Lia. O jogo inicia (a câmera trabalha com muita luz). Brasil x México. Os jornais comentavam da atleta que deixara um grande amor em sua cidade. Américo corre o mais que pode para conseguir um lugar no estádio. O jogo começa. Após o hino Nacional um ex-atleta comenta o jogo na rádio. (Seu corpo saltando em cena de câmera lenta). A torcida eufórica. No intervalo do jogo, ao retornar à quadra Lia ouve alguém gritar da multidão. Lia olha emocionada, a locutora que já os conhecia fala por Lia, "Américo eu te amo". Jogo difícil. Quase perdendo. Equipe nervosa. Alguém grita e um coro de vozes. Lia o saltoooooooooo!!!!!!. Lia olha a torcida, acena que sim. Vem a bola, a câmera preparada. Lia dá o salto. Alto demais. Errou o cálculo. Sua cabeça agarra na rede. Permanece pendurada. A equipe corre (câmera lenta), pessoas tentando ajudá-la. São minutos fatais. Seu corpo cai pesadamente no chão. Os torcedores invadem a quadra. Gritos de socorro. Os olhos semi-abertos, na maca. Uma lágrima misturada ao suor. Na arquibancada Américo de pé, olhar ansioso, sabia que o acidente fora fatal. Alguém liga a musica para controlar a multidão. “... de repente você revelou, sua cor de rosa... você é real" (Simone). Lia morrera. Américo caminha contra a multidão. Sai do estádio. Lá fora o vazio da rua. Chora como um menino. A música em sua mente, ele cantarolando a música. Américo olha pro céu. A estrela azul, Américo visualiza Lia subindo para o céu e se transformando numa grande estrela.
Sugestão: início do filme, uma bola indo a direção ao infinito com o entardecer bem vermelho e logo, o céu anoitecendo com muitas estrelas e a bola se transformando numa estrela emitindo um som sideral e passando para uma música bem melodiosa.
No colégio Estadual, a turma do segundo grau era formada de uma equipe dedicada ao vôlei. Em sala de aula, o professor de matemática insistia numa luta desigual em chamar a atenção da turma que conversam sobre o jogo.
Lia era a mais dedicada, morena, olhos azuis, cabelos negros, pele alva. Ao lado da carteira de sala de aula, duas irmãs, Regina e Sônia. Ambas muito tímidas e não participavam dos jogos. Admiram a Lia por sua beleza e por ser a capitã do time. Tanto falaram de Lia em casa que despertou em seu irmão também jovem o desejo de conhecer Lia.
E chegou o primeiro bilhete. Lia achou engraçado, com o jeito descontraído, respondeu sem emoção, mas gostando da idéia, embora muito assediada pelos colegas. E os bilhetes foram surgindo e despertando curiosidade em conhece-lo. E foi chegado o dia do jogo. Havia uma festa junina junto com o campeonato da cidade. A quadra cheia, na multidão Américo se confundia na multidão. Lia olhava cada rosto, ninguém se condenava, era euforia total. Lia procurou as irmãs dele, essas riram, timidamente dizendo que ele estava ali nas arquibancadas e que só apareceria no final do jogo. Foi iniciado o jogo, a torcida gritava o nome de Lia. O uniforme do time era branco, seus cabelos destacavam pelo negrume, sorriso zombateiro. A equipe esforçava-se o mais que podia, na arquibancada alguém gritou -----Lia o saltooooooooo toda multidão repetia numa só voz. Lia o Saltooo!!!!!!!. Lia olha para a platéia, dá um sorriso e aguarda a bola. Deu o salto tanto esperado pelos que já conheciam e maravilhados pelos que não conheciam. O corpo salta bem alto (câmara lenta) e atinge a bola para o adversário. Gritos de euforia, aplausos e indignação, (nesse momento estádio fica silencioso), seu corpo salta tão alto que parece ir até o alto da rede. Quando chega ao chão, dá um sorriso, tímido e zombeteiro ao mesmo tempo. Terminado o jogo, a vitória para seu time. Lia sai do vestiário com outra roupa, cabelos molhados do banho. Sorrindo pela alegria do encontro com Américo. Namorado desconhecido. Anda pela festa, a todo o momento sendo parabenizada pelos amigos. Um balão sendo preparado com o nome do colégio. Olha maravilhado aquele enorme balão, as luzes da lanterna no chão refletindo em seus cabelos. Olha sorrindo para as colegas que arrumavam as lanternas. Alguém segura seu braço, Lia vira-se, olha perplexa aquele rosto. Calados olharam-se por um tempo, em sua mente lembrando o sorriso tímido das irmãs dele, entregando o primeiro bilhete. Alguém solta uma bomba. Outra pessoa ordenou que desocupassem a área, o balão já em chamas lutava para subir, mas era agarrado por fortes cordas. No alto falante tocava uma música da Simone..."Você é real...". Ao meio daquela barulhada, Américo convidou-a para se afastarem, os dois saem sem falar nada. Américo só parou quando bem afastado da festa, perto de uma casa. Lia recobrada da situação, olha para ele. Ele de uma beleza angelical. Cabelos negros. (escolher ator com essas características). Num diálogo de admiração e carícia, Américo informa que está apaixonado, mas está comprometido com um casamento breve, com outra pessoa. A emoção envolve-os, fazem amor naquele local. Longe dali a festa, o brilho dos fogos e a voz da cantora Simone no alto falante. Ficaram adormecendo no local. O sol ilumina os corpos nus naquele jardim abandonado. Assustada, Lia pensa o que diria aos pais. Chega em casa nervosa dando desculpas de um problema na festa. A noite chega e Lia no barzinho da esquina espera ansiosa por Américo. E nada. Durante as aulas as irmãs de Américo nada comentam. Lia olha ansiosa por um bilhete, e nada. Já desistindo do grande amor, Lia retorna ao treino do vôlei. Na saída do estádio, todo conversando com entusiasmo, Américo surge na esquina. Lia assustada murmura sorrindo-Américo!
Ele explica que não pode retornar a enviar bilhetes (dá uma desculpa qualquer).
Os jogos transcorriam cada vez melhor, a Prefeitura local apoiava os jogos. Os saltos de Lia cada vez mais cobrados pelos torcedores. Num dos jogos, Lia olha para a torcida e na multidão surge o rosto de Américo, esse levanta e joga uma flor para a quadra. Lia corre para pegá-la e a torcida aplaude. (ainda treino)
Chegado o dia do jogo, Lia olha ansiosa para a torcida, não vê Américo. Alguem grita Liaaaaaaaaaa o saltooooo!!!!!!
Lia salta, as colegas ficam pasmas olhando admiradas Lia jogando a bola. Vitória do time. O locutor anuncia o astro da Lia, profetisa a fama. No vestuário a animação, mas Lia passa mal. Fica atestada uma gravidez. Na saída Américo a espera, fica sabendo do fato. Aceita e diz que se casariam. No colégio os comentários, uns contra outros a favor. Chega o final das aulas. Numa noite chuvosa Lia aguarda a ligação de Américo, o telefone silencioso. Sai sem nada dizer a familia, segue até o bairro de Américo. A chuva caindo, raios, vento, roupa molhada. Caiu na poça de água, assustada aumenta os passos até a casa de Américo. Na varanda muitas pessoas comemorando a festa de vestibular de Américo. Chega no jardim e grita por Américo. Nesse momento ele enchia o copo de cerveja da antiga namorada. Quando a vê, larga a garrafa no chão. Sai ao seu socorro. Lia desmaia e percebem uma hemorragia. Seus pais chegam à casa de Américo (haviam previsto que ela estaria lá). Lia é levada ao hospital. Américo ansioso relembra o primeiro encontro (cena repetida). Lia perde o bebê. Quando Lia retorna pede a Americo que saia de sua vida. Quando fica sozinha com sua mae, chora muito.
O tempo passa, a fama aumenta, Américo não mais aparece. Um grande jogo marcado. Na platéia os gritos de alegria. O treinador oferece joelheira a Lia. O jogo inicia (a câmera trabalha com muita luz). Brasil x México. Os jornais comentavam da atleta que deixara um grande amor em sua cidade. Américo corre o mais que pode para conseguir um lugar no estádio. O jogo começa. Após o hino Nacional um ex-atleta comenta o jogo na rádio. (Seu corpo saltando em cena de câmera lenta). A torcida eufórica. No intervalo do jogo, ao retornar à quadra Lia ouve alguém gritar da multidão. Lia olha emocionada, a locutora que já os conhecia fala por Lia, "Américo eu te amo". Jogo difícil. Quase perdendo. Equipe nervosa. Alguém grita e um coro de vozes. Lia o saltoooooooooo!!!!!!. Lia olha a torcida, acena que sim. Vem a bola, a câmera preparada. Lia dá o salto. Alto demais. Errou o cálculo. Sua cabeça agarra na rede. Permanece pendurada. A equipe corre (câmera lenta), pessoas tentando ajudá-la. São minutos fatais. Seu corpo cai pesadamente no chão. Os torcedores invadem a quadra. Gritos de socorro. Os olhos semi-abertos, na maca. Uma lágrima misturada ao suor. Na arquibancada Américo de pé, olhar ansioso, sabia que o acidente fora fatal. Alguém liga a musica para controlar a multidão. “... de repente você revelou, sua cor de rosa... você é real" (Simone). Lia morrera. Américo caminha contra a multidão. Sai do estádio. Lá fora o vazio da rua. Chora como um menino. A música em sua mente, ele cantarolando a música. Américo olha pro céu. A estrela azul, Américo visualiza Lia subindo para o céu e se transformando numa grande estrela.
GOTA D´ÁGUA
Gota d`agua
Estava no meu quarto, no céu grandes nuvens se formavam, era o prenúncio de um temporal. Lentamente uma brisa fresca, parecia lutar, mas com furiosa forças foi afastando as nuvens ameaçadoras e indefesas, o que resultou foram gotas d àgua que se cristalizaram em minha vidraça que com a luz do meu quarto, se tornaram coloridas.
Escorregaram uma a uma mansamente, restando uma gota solitária. Fiquei contemplando aquela gota que à minha visão parecia melancólica. Desejei conversar com ela mesmo que uma conversa débil, perguntei, quem era ela para entender-me?mas para minha surpresa, num vôo razante uma borboleta pequenina pouso na gota d`agua que na fragilidade de ambas morreram. A borboleta afogada e a gota absorvida.
Estava no meu quarto, no céu grandes nuvens se formavam, era o prenúncio de um temporal. Lentamente uma brisa fresca, parecia lutar, mas com furiosa forças foi afastando as nuvens ameaçadoras e indefesas, o que resultou foram gotas d àgua que se cristalizaram em minha vidraça que com a luz do meu quarto, se tornaram coloridas.
Escorregaram uma a uma mansamente, restando uma gota solitária. Fiquei contemplando aquela gota que à minha visão parecia melancólica. Desejei conversar com ela mesmo que uma conversa débil, perguntei, quem era ela para entender-me?mas para minha surpresa, num vôo razante uma borboleta pequenina pouso na gota d`agua que na fragilidade de ambas morreram. A borboleta afogada e a gota absorvida.
GLAUCIA E JULINHA NOSSAS VIDAS.
GLAUCIA E JULINHA NOSSAS VIDAS.
Você chegou numa tarde e em meus braços se aconchegou
Nossos olhos se encontraram como alguém que se conhece bem.
Acalentei seu choro numa proteção infinda
Chorei de emoção, você ainda neném.
Era você minha pequenina GLAUCIA
As árvores atapetavam o chão de folhas
Era o outono dando boas vinda a vida.
Outros outonos chegaram e foram embora
Do seu lado fiquei, verão, inverno e primavera
Vi sua infância se fazendo juventude
E na inquietude dessa fase... estive ao seu lado
Nas suas dúvidas, respondia com sinceridade
E vi a minha pequenina menina
Se desabrochar em cada outono
E como as estações do ano
Foi preciso vento forte para transformar,
Primavera,verão,outono e inverno.
E gotas de orvalhos alimentaram
as folhas das flores e dos frutos.
E numa noite de outono
As folhas atapetavam o chão
Minha menina com outra menina... JULINHA
Transformaram o outono em verão
Com calor, felicidade e paixão.
No céu as estrelas brilharam
“essa luz, só pode ser Jesus”
Que nos ofertou tanta felicidade
Que nesse outono minha meninas
O aroma das flores e a doçura dos frutos
Sejam o sabor que adoçará suas vidas.
Que Deus ilumine todos os dias das estações de suas vidas,
E Guilherme junto com esse amor e dedicação
São os votos de suas famílias e todos que estão aqui.
Você chegou numa tarde e em meus braços se aconchegou
Nossos olhos se encontraram como alguém que se conhece bem.
Acalentei seu choro numa proteção infinda
Chorei de emoção, você ainda neném.
Era você minha pequenina GLAUCIA
As árvores atapetavam o chão de folhas
Era o outono dando boas vinda a vida.
Outros outonos chegaram e foram embora
Do seu lado fiquei, verão, inverno e primavera
Vi sua infância se fazendo juventude
E na inquietude dessa fase... estive ao seu lado
Nas suas dúvidas, respondia com sinceridade
E vi a minha pequenina menina
Se desabrochar em cada outono
E como as estações do ano
Foi preciso vento forte para transformar,
Primavera,verão,outono e inverno.
E gotas de orvalhos alimentaram
as folhas das flores e dos frutos.
E numa noite de outono
As folhas atapetavam o chão
Minha menina com outra menina... JULINHA
Transformaram o outono em verão
Com calor, felicidade e paixão.
No céu as estrelas brilharam
“essa luz, só pode ser Jesus”
Que nos ofertou tanta felicidade
Que nesse outono minha meninas
O aroma das flores e a doçura dos frutos
Sejam o sabor que adoçará suas vidas.
Que Deus ilumine todos os dias das estações de suas vidas,
E Guilherme junto com esse amor e dedicação
São os votos de suas famílias e todos que estão aqui.
A LIMONADA
A limonada
Meu pai e Rejane minha irmã, foram convidados a batizar um menino de uma família humilde do bairro.
Chegado o dia do batizado, a família esmerava de atenção naquele jeito simples de pessoas humildes.
Foi colocada a mesa, o almoço era frango assado, arroz, farofa e maionese, e uma jarra de um liquido embaçado, e outra de plástico azul que depois é que Rejane ficou sabendo que era limonada. Rejane muito despachada, foi logo pedindo em voz alta:
____Posso tomar um pouco dessa laranjada ?. Isso sem saber do que se tratava.
E para sua decepção, alguém respondeu baixinho:
_____Não é laranjada é água do poço.
Rejane já levara a boca uma boa porção, e com a boca cheia olhava suplicante para todos sem saber o que fazer, permanecendo com a boca cheia, o compadre humildemente falou:
____Ô comadre, pode engolir, é água da boa.
Rejane obedeceu e deu uma risada sem graça.
No decorrer do almoço foi tudo tranqüilo.
À tarde, o calor era forte, o compadre oferece humildemente um suco, encheu o copo de meu pai, que delicadamente dizia que bastava, e o compadre encheu até a borda, se dirigiu a Rejane que tentou recusar, mas não deu tempo, o compadre encheu seu copo até a borda, era uma limonada na temperatura ambiente, ou seja quente, terrível. O compadre permanecia de pé à espera dos copos esvaziarem e papai delicadamente recusava, mas lá vinha mais limonada, Rejane apavorada, olhava para uma janela a sua frente e sonhava com a volta pra casa para livrar-se daquela tortura. E lá veio o compadre com a jarra na mão. Rejane tenta tirar o copo das mãos do compadre, este força sorrindo naquele modo simples, achando que Rejane estava
recusando pôr delicadeza e nessa de puxar o copo, Rejane olha para papai e diz: ei, toma o senhor, eu não quero mais, e
o olhar suplicante de papai recusando, o compadre enche o copo de Rejane e se vira para o de papai que olha desesperado, pois não agüentava mais tanta limonada, e lá vem o compadre com a jarra dizendo: tá calor né compadre?
Papai aceita e fica com o copo na mão cheio e tenta uma conversa sem graça.
Rejane muito astuciosa, olha para a janela a sua frente e diz:
____compadre, que paisagem linda....
O compadre olha pela janela, e ela aproveita e faz sinal para papai
____vamos embora.
Nesse momento a comadre entra e percebe o que Rejane falou e diz:
____Que isso comadre, tá saindo um cafezinho.
Rejane impaciente, faz idéia do novo tormento que estava pôr vir.
E lá vem a comadre com o café.
Nesse momento, Rejane já se instalara perto da janela.
E toma de café, numa caneca de ágata, cheia, o calor insuportável, Rejane não agüenta, num momento de distração em que os compadres conversavam com papai, Rejane joga o café pela janela.
Nesse momento ela ouve um grito.
O garotinho que ela batizara, estava exatamente abaixo da janela.
_____Mãeeeeeeeeeee, tá chovendo café quente.
Rejane põe a mão na boca e dá uma cínica risada.
Meu pai e Rejane minha irmã, foram convidados a batizar um menino de uma família humilde do bairro.
Chegado o dia do batizado, a família esmerava de atenção naquele jeito simples de pessoas humildes.
Foi colocada a mesa, o almoço era frango assado, arroz, farofa e maionese, e uma jarra de um liquido embaçado, e outra de plástico azul que depois é que Rejane ficou sabendo que era limonada. Rejane muito despachada, foi logo pedindo em voz alta:
____Posso tomar um pouco dessa laranjada ?. Isso sem saber do que se tratava.
E para sua decepção, alguém respondeu baixinho:
_____Não é laranjada é água do poço.
Rejane já levara a boca uma boa porção, e com a boca cheia olhava suplicante para todos sem saber o que fazer, permanecendo com a boca cheia, o compadre humildemente falou:
____Ô comadre, pode engolir, é água da boa.
Rejane obedeceu e deu uma risada sem graça.
No decorrer do almoço foi tudo tranqüilo.
À tarde, o calor era forte, o compadre oferece humildemente um suco, encheu o copo de meu pai, que delicadamente dizia que bastava, e o compadre encheu até a borda, se dirigiu a Rejane que tentou recusar, mas não deu tempo, o compadre encheu seu copo até a borda, era uma limonada na temperatura ambiente, ou seja quente, terrível. O compadre permanecia de pé à espera dos copos esvaziarem e papai delicadamente recusava, mas lá vinha mais limonada, Rejane apavorada, olhava para uma janela a sua frente e sonhava com a volta pra casa para livrar-se daquela tortura. E lá veio o compadre com a jarra na mão. Rejane tenta tirar o copo das mãos do compadre, este força sorrindo naquele modo simples, achando que Rejane estava
recusando pôr delicadeza e nessa de puxar o copo, Rejane olha para papai e diz: ei, toma o senhor, eu não quero mais, e
o olhar suplicante de papai recusando, o compadre enche o copo de Rejane e se vira para o de papai que olha desesperado, pois não agüentava mais tanta limonada, e lá vem o compadre com a jarra dizendo: tá calor né compadre?
Papai aceita e fica com o copo na mão cheio e tenta uma conversa sem graça.
Rejane muito astuciosa, olha para a janela a sua frente e diz:
____compadre, que paisagem linda....
O compadre olha pela janela, e ela aproveita e faz sinal para papai
____vamos embora.
Nesse momento a comadre entra e percebe o que Rejane falou e diz:
____Que isso comadre, tá saindo um cafezinho.
Rejane impaciente, faz idéia do novo tormento que estava pôr vir.
E lá vem a comadre com o café.
Nesse momento, Rejane já se instalara perto da janela.
E toma de café, numa caneca de ágata, cheia, o calor insuportável, Rejane não agüenta, num momento de distração em que os compadres conversavam com papai, Rejane joga o café pela janela.
Nesse momento ela ouve um grito.
O garotinho que ela batizara, estava exatamente abaixo da janela.
_____Mãeeeeeeeeeee, tá chovendo café quente.
Rejane põe a mão na boca e dá uma cínica risada.
NOITE DE OUTONO
NOITE DE OUTONO
Telma completara 17 anos. Morando no interior de Minas, seus pais acham que ela deveria ir para São Paulo, tentar a universidade. Telma vai pra São Paulo tentar a vida em casa de família. Procurou uma agência que logo a indicou para uma família de classe alta. Sua tarefa doméstica inicia assim que chega à mansão. Cuidar das louças. Tarefa que Telma faz com delicadeza capricho. Numa noite, após uma grandiosa festa, Telma trabalha na copa cuidando das porcelanas e cristais. O patrão, que nunca se envolvia com os empregados, havia bebido um pouco mais, vai até a copa pedir água. Imediatamente o mordomo o interpela com educação, informando que ele poderia ficar tranqüilo que o serviria numa das salas. Mas ao olhar para a copo seus olhos param naquela figura morena, magrinha e delicada acariciando com delicadeza um copo de cristal. Telma também pára. Os dois se olham, ela com timidez típica de uma jovem abaixa os olhos. O mordomo insiste que o patrão vá para a sala que seria servido. Américo fala baixinho que gostaria de ser servido pela jovem copeira. Américo se retira. O mordomo em gesto humorístico, manda Telma levar a água ao patrão. Telma se ajeita, olha para o mordomo e pergunta timidamente o nome dele. O mordomo rindo diz o nome.
Telma vai até a sala com a bandeja, nesse momento Américo pega levemente seus dedos, olhando-se o clima de desejo nascera no tocar das mãos. Nesse instante a madame vem descendo a escada, com ar elegante e desprezível, olha a jovem e o marido e diz que a noite fora um sucesso e que estava muito cansada e convida o marido para os aposentos. Da escada Américo olha a jovem se retirando.
Nos dias que se seguem, Telma não mais o encontra, mas suas noites são de agonia e curiosidade. Telma passa a observar o horário em que Américo retorna à mansão. Do jardim Telma o olha. Até que um dia chuvoso, era tarde chuvosa, o sol se misturando com a chuva fina, Telma está no jardim colhendo flores para colocar na copa, Américo vem chegando. Pede ao motorista que de uma parada, se dirige à Telma em tom delicado que as flores estavam lindas, mas insinuante. Os dias transcorrem, a madame Laura, decide passar uns dias na fazenda e como de costume, o mordomo escolhe quem deveria acompanha-la. E Telma foi a escolhida. Num ar de tristeza, sabe que ficaria uns dias longe de seu patrão. Foi uma viajem tranqüila e silenciosa. Na fazenda, Telma tem as mesmas funções. Num final de semana haveria uma festa. Telma se alegre pois com certeza Américo viria. Na festa, Telma foi escolhida para servir as pessoas. Os olhares se encontravam sempre que havia uma chance. Laura indiferente ao que estava acontecendo, dedicava suas atenções aos convidados. No dia seguinte, amanheceu chovendo, à tarde, todos haviam se recolhido, Telma vai até o aras e pede um cavalo. O cocheiro fica admirado de sua facilidade em lidar com os cavalos e com muita desenvoltura, Telma monta num cavalo. Sai lentamente pela fazenda, explorando os caminhos e admirando as árvores, os vales e bate uma saudade dos pais, vai galopando seguindo uma trilha, desce o vale e depara com um riacho. Fica feliz, apeia e vai até a beira do rio. Brinca como uma criança nas pedras, saltando e atirando pedras nas águas. Nesse momento, começa uma chuva fininha, Telma não se importa, deixa-se molhar como nos velhos tempos de criança. Nesse momento Telma olha para cima e percebe que está sendo vigiada. Seu coração dispara, fecha os olhos e dá um sorriso. Não errou. Américo está olhando-a. Desce lentamente até o rio, e sem muita cerimonia, conversa com ela, mostra o horizonte além do morro e informa que aquelas terras pertenciam à fazenda. Telma fala de sua terra com saudade, Américo a olha com amor. Os dois são envolvidos pelo desejo contido há tanto tempo. Fazem amor na beira do rio protegidos pela natureza. Depois de saciado os desejos, acordam pela realidade, e retornam em caminhos diferentes, assumindo um pecado imperdoável. Não mais se encontram na fazenda, e Américo fica feliz pela discrição de Telma que se mantém com o mesmo comportamento de antes, sem dar a perceber a ninguém. Américo retorna à cidade e Telma continua na fazenda. Uma tarde, Telma sabe que Laura tinha saído, e vai até o aras, pedir um cavalo para passear. Vai até o rio e lembra da cena. Ao retornar, muda o caminho e percebe um galpão de armazenamento de milho. Vai se aproximando e para sua surpresa, ouve gemidos, ela dá um sorriso, percebendo que eram gemidos de amor. Vai pelas frestas e olha. Fica perplexa pois o casal que fazia amor era Laura e um fazendeiro que estivera na festa. Telma fica assustada, e sai lentamente, mas o cavalo denuncia a presença de alguém. O homem vai até a porta e a olha assustado, Telma vira as costa e vai embora. O homem volta e tranqüiliza Laura, dizendo que ela não fora vista.
Retornam à cidade. A rotina continua, Telma sempre esperando Américo quando chega do trabalho sem ser vista. Uma noite Telma estava dormindo, Américo vai até seu quarto, fazem amor. Outras noites sucediam, aproveitavam quando Laura viajava. Até que um dia Laura começa a perceber que estava acontecendo algo. E com sua elegância e inteligência arranja um jeito de mandar Telma embora. As escondidas quebra uma peça rara de cristal e acusa Telma, que tenta se defender mas Laura não dá chance. Chama o mordomo e ordena que sejam tomadas as devidas providências. Telma fora despedida. Américo consegue um jeito de dar um endereço a ela para que o espere. Telma fora para um hotel, e para sua surpresa já estava reservado. Ela se arruma para esperá-lo. Emocionada vai a todo instante até a porta, encosta o ouvido na espera longa de seu grande amor. Américo chega. Em clima de emoção Telma o abraça. Américo carinhosamente a beija, sem o desejo de antes.Telma fica decepcionada, então ouve as desculpa de Américo, dizendo que jamais tivera uma amante e que deveriam dar um ponto final naquela história e que Laura sempre fora uma esposa dedicada, que recebia seus convidados como uma dama e que ela não merecia aquela situação. Telma o olha, as lágrimas rolam pôr seus olhos. Lembra da cena de Laura com o fazendeiro. Mas no silêncio daquela despedida, Telma diz apenas : Américo sou inocente, não quebrei aquela peça, preciso apenas que você me responda se acredita. Américo pega em seu queixo e diz: Acredito. E vai embora, deixando uma grande quantia na mesa com um bilhete. ...não é pagamento, é apenas pra você recomeçar sua vida com dignidade e conforto.
Telma vai até a janela do hotel, lá em baixo, a cidade acendendo as primeiras luzes da noite, e a chuva caindo numa noite de outono.
Lira Vargas.
Telma completara 17 anos. Morando no interior de Minas, seus pais acham que ela deveria ir para São Paulo, tentar a universidade. Telma vai pra São Paulo tentar a vida em casa de família. Procurou uma agência que logo a indicou para uma família de classe alta. Sua tarefa doméstica inicia assim que chega à mansão. Cuidar das louças. Tarefa que Telma faz com delicadeza capricho. Numa noite, após uma grandiosa festa, Telma trabalha na copa cuidando das porcelanas e cristais. O patrão, que nunca se envolvia com os empregados, havia bebido um pouco mais, vai até a copa pedir água. Imediatamente o mordomo o interpela com educação, informando que ele poderia ficar tranqüilo que o serviria numa das salas. Mas ao olhar para a copo seus olhos param naquela figura morena, magrinha e delicada acariciando com delicadeza um copo de cristal. Telma também pára. Os dois se olham, ela com timidez típica de uma jovem abaixa os olhos. O mordomo insiste que o patrão vá para a sala que seria servido. Américo fala baixinho que gostaria de ser servido pela jovem copeira. Américo se retira. O mordomo em gesto humorístico, manda Telma levar a água ao patrão. Telma se ajeita, olha para o mordomo e pergunta timidamente o nome dele. O mordomo rindo diz o nome.
Telma vai até a sala com a bandeja, nesse momento Américo pega levemente seus dedos, olhando-se o clima de desejo nascera no tocar das mãos. Nesse instante a madame vem descendo a escada, com ar elegante e desprezível, olha a jovem e o marido e diz que a noite fora um sucesso e que estava muito cansada e convida o marido para os aposentos. Da escada Américo olha a jovem se retirando.
Nos dias que se seguem, Telma não mais o encontra, mas suas noites são de agonia e curiosidade. Telma passa a observar o horário em que Américo retorna à mansão. Do jardim Telma o olha. Até que um dia chuvoso, era tarde chuvosa, o sol se misturando com a chuva fina, Telma está no jardim colhendo flores para colocar na copa, Américo vem chegando. Pede ao motorista que de uma parada, se dirige à Telma em tom delicado que as flores estavam lindas, mas insinuante. Os dias transcorrem, a madame Laura, decide passar uns dias na fazenda e como de costume, o mordomo escolhe quem deveria acompanha-la. E Telma foi a escolhida. Num ar de tristeza, sabe que ficaria uns dias longe de seu patrão. Foi uma viajem tranqüila e silenciosa. Na fazenda, Telma tem as mesmas funções. Num final de semana haveria uma festa. Telma se alegre pois com certeza Américo viria. Na festa, Telma foi escolhida para servir as pessoas. Os olhares se encontravam sempre que havia uma chance. Laura indiferente ao que estava acontecendo, dedicava suas atenções aos convidados. No dia seguinte, amanheceu chovendo, à tarde, todos haviam se recolhido, Telma vai até o aras e pede um cavalo. O cocheiro fica admirado de sua facilidade em lidar com os cavalos e com muita desenvoltura, Telma monta num cavalo. Sai lentamente pela fazenda, explorando os caminhos e admirando as árvores, os vales e bate uma saudade dos pais, vai galopando seguindo uma trilha, desce o vale e depara com um riacho. Fica feliz, apeia e vai até a beira do rio. Brinca como uma criança nas pedras, saltando e atirando pedras nas águas. Nesse momento, começa uma chuva fininha, Telma não se importa, deixa-se molhar como nos velhos tempos de criança. Nesse momento Telma olha para cima e percebe que está sendo vigiada. Seu coração dispara, fecha os olhos e dá um sorriso. Não errou. Américo está olhando-a. Desce lentamente até o rio, e sem muita cerimonia, conversa com ela, mostra o horizonte além do morro e informa que aquelas terras pertenciam à fazenda. Telma fala de sua terra com saudade, Américo a olha com amor. Os dois são envolvidos pelo desejo contido há tanto tempo. Fazem amor na beira do rio protegidos pela natureza. Depois de saciado os desejos, acordam pela realidade, e retornam em caminhos diferentes, assumindo um pecado imperdoável. Não mais se encontram na fazenda, e Américo fica feliz pela discrição de Telma que se mantém com o mesmo comportamento de antes, sem dar a perceber a ninguém. Américo retorna à cidade e Telma continua na fazenda. Uma tarde, Telma sabe que Laura tinha saído, e vai até o aras, pedir um cavalo para passear. Vai até o rio e lembra da cena. Ao retornar, muda o caminho e percebe um galpão de armazenamento de milho. Vai se aproximando e para sua surpresa, ouve gemidos, ela dá um sorriso, percebendo que eram gemidos de amor. Vai pelas frestas e olha. Fica perplexa pois o casal que fazia amor era Laura e um fazendeiro que estivera na festa. Telma fica assustada, e sai lentamente, mas o cavalo denuncia a presença de alguém. O homem vai até a porta e a olha assustado, Telma vira as costa e vai embora. O homem volta e tranqüiliza Laura, dizendo que ela não fora vista.
Retornam à cidade. A rotina continua, Telma sempre esperando Américo quando chega do trabalho sem ser vista. Uma noite Telma estava dormindo, Américo vai até seu quarto, fazem amor. Outras noites sucediam, aproveitavam quando Laura viajava. Até que um dia Laura começa a perceber que estava acontecendo algo. E com sua elegância e inteligência arranja um jeito de mandar Telma embora. As escondidas quebra uma peça rara de cristal e acusa Telma, que tenta se defender mas Laura não dá chance. Chama o mordomo e ordena que sejam tomadas as devidas providências. Telma fora despedida. Américo consegue um jeito de dar um endereço a ela para que o espere. Telma fora para um hotel, e para sua surpresa já estava reservado. Ela se arruma para esperá-lo. Emocionada vai a todo instante até a porta, encosta o ouvido na espera longa de seu grande amor. Américo chega. Em clima de emoção Telma o abraça. Américo carinhosamente a beija, sem o desejo de antes.Telma fica decepcionada, então ouve as desculpa de Américo, dizendo que jamais tivera uma amante e que deveriam dar um ponto final naquela história e que Laura sempre fora uma esposa dedicada, que recebia seus convidados como uma dama e que ela não merecia aquela situação. Telma o olha, as lágrimas rolam pôr seus olhos. Lembra da cena de Laura com o fazendeiro. Mas no silêncio daquela despedida, Telma diz apenas : Américo sou inocente, não quebrei aquela peça, preciso apenas que você me responda se acredita. Américo pega em seu queixo e diz: Acredito. E vai embora, deixando uma grande quantia na mesa com um bilhete. ...não é pagamento, é apenas pra você recomeçar sua vida com dignidade e conforto.
Telma vai até a janela do hotel, lá em baixo, a cidade acendendo as primeiras luzes da noite, e a chuva caindo numa noite de outono.
Lira Vargas.
DO OUTRO LADO DA RUA
DO OUTRO LADO DA RUA
A porta de vidro do aeroporto se abre, Dorval surge à procura de alguém. Ao seu lado uma moça de olhar curioso, um sorriso tímido também com expressão de achar alguém, os dois se viram lentamente quase que esbarrando o rosto um no outro. Dorval solta um sorriso ela também e pedem desculpas simultaneamente. Apresentam-se e na rápida troca de informações, relatam que são estrangeiros e brasileiros ao mesmo tempo, foi motivo de risos.
Dorval é brasileiros mas, foi para a Itália seguir sua carreira de bailarino, Sarah, é brasileira, mas foi adotada por uma família Sueca, e que a presenteou com aquela viagem ao Brasil, pelo seu aniversário. Dorval a olha calculando uns vinte anos, mas não pergunta, não tem por que.
Silvio apressado pelo longo salão do aeroporto, esbarrando e pedindo desculpas às pessoas para chegar até a porta de saída do aeroporto. Ao chegar reconhece o tio e o chama alargando um sorriso de alegria.
Dorval se despede de Sarah, ela de costas, recebe um olhar insinuante de Silvio, mas logo se abraça ao Dorval num cumprimento alegre mas, discreto.
Caminham até a parada de táxi e com uma pouca bagagem, mas a que tinha era meio complicada de entrar na porta mala, o motorista e Silvio, tentam ajeitar, e Dorval indiferente olha para os lados, curioso por estar de volta. Vendo que os dois não conseguiam ajeitar a bagagem, aproxima-se e rapidamente sem esforço, gira o estranho embrulho que logo se acomoda na mala. Silvio dá um sorriso sem graça, o motorista coça a cabeça e balança-a sem entender como Dorval resolveu os problemas tão rápidos. Seguem viagem para Copacabana.
Chegando em frente ao prédio de Silvio, que tenta explicar que é um lugar simples, mas é que ele podia pagar para continuar a viver mais perto de seu trabalho, pois como dançarino igual ao tio, chegavam altas horas e ali era mais perto. Dorval não responde e sorri compreendendo. Paga o táxi e vai direto na mala pegar as malas e a complicada bagagem. Com tudo no chão, Silvio tenta explicar que um dia compraria um apartamento em um prédio bem bonito. Dorval segura seu braço e aponta para uma padaria em frente, e Silvio desajeitado com as bagagens, mas Dorval sugere que ele fique na calçada e atravessa a rua, entra na padaria e compra um quindim e sai saboreando. Chegando perto, Silvio cara de enjôo, mas Dorval diz que há muitos anos não comia quindim que na Itália não tinha. Silvio sacode os ombros e tenta entrar no prédio. Dorval ajuda a levar a bagagem até o elevador, e informa ao sobrinho que o espere, que iria até a esquina. Silvio sorri daquele jeito descontraído do tio, obedecendo, entra o elevador, e lembra que o tio não sabia o numero do apartamento e grita pela fresta da porta que se fechava que era oitocentos e dois, mas Dorval entendeu “trás dois” e faz uma cara de quem não entendeu nada e vai para a calçada.
Era tarde de verão, nas ruas, as pessoas se esbarrando se misturando aos turistas de bermuda branca e blusas estampadas, Dorval caminha até a calçada da praia, o mar se debruçava na areia convidando para um mergulho, Dorval fica parado olhando aquela praia que um dia foi sua maior diversão, ali disputou bola com jogadores que ficarão famosos, e já até pararam de jogar, ali conheceu muitos amigos e que quando o chamavam para beber, preferia suco de frutas.
Seus pensamentos vagavam pelo passado, caminha lentamente, atravessa a rua e para numa estreita pista, quando uma ciclista vem assoviando nervoso por que Dorval esta parado impedindo a passagem, o ciclista solta uma pilheria e ele olha serio, ma logo faz uma cara de “pai”e olha para o chão percebendo onde estava parado, faz um sinal de desculpas e sobe na calçada da praia.
O vento forte levantava a areia da praia, o sol convidava as pessoas a um bronzeado. Dorval não resiste e pisa na areia, os sapatos o incomoda, tira-os e vai caminhando cada vez mais para perto das ondas, fica ali parado, fascinado com a imensidão do mar, no céu um avião corta as nuvens, Dorval olha distraído, quando uma imensa onda bate na areia, jogando uma boa quantidade de água fazendo-o meio patético para se livrar tarde demais de ter a roupa uma tanto molhada. Olha para trás esperando ter sido visto naquela situação, mas as pessoas que estavam jogando vôlei, nem perceberam, e dorval retorna para a calçada, decidido ira para o apartamento do sobrinho. Caminha pela rua, um cachorrinho na coleira, guiado por uma mulher, para obedecendo à mesma a espera do sinal abrir, Dorval tenta fazer um afago, mas o cachorrinho dá um grito assustado, a mulher o olha como se ele tivesse beliscado o cãozinho, e Dorval tenta explicar, que apenas o afagara, e a mulher compreensivamente, diz que ele era um cão muito mimado.
Chegando perto no prédio, Dorval, olha para a seta que indicava os andares, e sorri desajeitado, lembrando que não sabia o andar do apartamento do sobrinho. Dirige-se ao porteiro que o olha com uma cara desconfiada, pois Dorval esta com a roupa molhada, e pergunta, mas esse informa que está de pouco tempo ali e não sabia. Dorval coça a cabeça numa situação difícil. Vai até a calçada e tenta olhar para o alto do prédio, na esperança do sobrinho estar na janela. E Sem esperança retorna para a portaria. Procura a carteira na esperança de achar o telefone, mas lembra que a frasqueira com documentos e agendas, tinham subido com o sobrinho.
Resolve dar mais uma caminhada pela calçada, passa por uma casa de espetáculos e vê o cartaz da exuberante Rogéria, que informava o show para os próximo fina de semana, Dorval sorri e lembra de Rogéria como uma pessoa que ele admirava muito, pois Rogéria mantinha a fama de travesti, mas as pessoas a respeitava muito, pelo seu talento e personalidade segura.
Dorval tenta anotar o dia do show, mas não tem caneta, vai até a banca de jornal mais próxima e em um pequeno pedaço de papel, anota o dia e faz planos de assistir.
Silvio olha a hora preocupada com Dorval que não chega, e desce, vai até a praia e fica a procura do tio, passa por um quiosque e toma uma água de coco, caminha a procura do tio e encontra um amigo do teatro e comenta sobre o ocorrido, o amigo o tranqüiliza e diz que breve o encontrará. Sentado numas cadeiras em frente ao mar a conversa segue descontraída.
Dorval em frente ao prédio, a roupa já secando da água do mar, olha indiferente paras as pessoas e, mas de vez em quando olha para a portaria na esperança do sobrinho descer a sua procura.
Outra vez entra na padaria e compra outro quindim. O tempo vai passando e nada de resolver a situação, segue para a praia pra fazer hora, de longe avista o sobrinho conversando com um amigo e se aproxima.
A chegar perto o sobrinho fica surpreso com sua chegada e pergunta se acontecera algo, Dorval responde que não. O sobrinho vendo os vestígio de água na camisa, faz um olhar de indagação, e Dorval diz apenas que era água do mar. O amigo do Silvio, Pedro, se apresenta, e Dorval o cumprimenta com elegância e simpatia.
Voltam para o apartamento e na sala as malas ainda no chão. Silvio indica o quarto e fazem planos para um chope. Dorval saindo do banho informa que o chuveiro está muito quente, Silvio sorri e diz que vai desligar.
A noite quente é final de semana, Silvio os dois conversam num bar na calçada de Copacabana, um grupo de artista de rua batucam uma velha samba, e Dorval tenta cantarolar, demonstrando que lembra dessa musica, o sobrinho alegre, acompanha. Uma prostituta chega perto, Silvio tenta afasta-la de jeito meio brusco, mas Dorval a trata com respeito e oferece um chope, a prostituta aceita e conversam banalidades até tarde da noite.
No dia seguinte, Silvio acorda, vai até o quarto e olha as bagagens ainda no chão, o embrulho complicado encostado na parede, e procura por Dorval, este já havia saído.Silvio coça a cabeça, já se conformando com o jeito silencioso e a disposição do tio.
Logo ele retorna com lanches, os embrulhos mal acomodados, Dorval chega a tempo de despeja-los sobre a pia. Silvio arruma a mesa, Silvio é organizado com a casa. Logo depois Dorval o convida até o quarto e o presenteia com o complicado embrulho que deu tanto trabalho para entrar no táxi. Com dificuldades Silvio vai abrindo, como uma criança, sorri a cada folha vencida, ao abrir, dá um sorriso e surpresa, o tio trouxera Home Theater e uma câmera de Vídeo. Silvio ri da extravagância de Dorval, e faz planos em distribuir as caixas de som no quarto.
Seguem para o ponto de ônibus, iam se encontrar com Valter um velho amigo. O vento desalinhava os cabelos das pessoas. Uma folha de uma revista feminina exibia uma bela negra seminua, Dorval desce o meio fio para apanhar, mas uma rajada de vento a leva para longe. Silvio sorri de sua tentativa inútil. Dorval desiste e sugere ao Silvio um táxi, sobre protesto, pois iriam para Ipanema, Silvio está distraído olhando uma casal que discutia, Dorval chama um táxi, quando já está dentro, chama Silvio, que se espanta e entra rindo.
Em Ipanema, marcaram o encontro com Valter num restaurante. Num reencontro alegre, Valter inicia a conversa protestando que o governo está sufocando a economia do país, que faziam reformas há cada mês, Dorval não dá continuidade ao assunto e comenta que vira uma negra na folha de uma revista que o fascinou, tenta explicar como ela estava, Valter desapontado pela indiferença que Dorval deu ao assunto, aponta para uma banca de revista e sugere que ele vá até lá, e diz que Dorival não mudara nada, desde que se conheceram.
Dorval levanta da mesa e atravessa a rua, uma senhora com dificuldades tentava descer a rampa, que dá acesso à rua, Dorval a pega pelo braço e a ajuda, da mesa, Valter e Silvio o olham com um sorriso meio debochado, e continuam a conversa que foi, interrompida por Dorval.
Dorval volta com a revista e na capa estava a mesma negra que o vento levara a folha quando tentou pegar.
Durante a conversa, Valter pergunta o motivo que Dorval viera ao Brasil, apostando que era saudade. Dorval confirma, mas diz que o maior motivo era levar informações para um amigo que estava muito mal com aids na Itália. Valter lamenta e diz que no Brasil o tratamento está muito desenvolvido e sem perder a mania de críticas políticas, Valter diz que o Brasil tem políticos safados, mas que o tratamento de aidéticos tem o apoio do governo federal que é totalmente gratuito, Dorval admirado pergunta detalhes, e Valter explica que há postos de apoio em todas as cidades inclusive com atendimentos com psicólogos e nutricionista, e reuniões com grupos de apoio, formando uma sociedade de aidéticos para acompanhar as taxas virais e orientações para os cuidados, e as empresas não podem demitir um funcionário com essa doença sobre de multas altíssimas. E que os colégios também são obrigados a receber alunos com essa doença e não discrimina-los perante aos colegas.Dorval ouve interessado na informação, e lamenta que na Europa esse tratamento ainda não é tão adiantado como no Brasil, e demonstra com orgulho que o Brasil, está dando passos importantes. Imediato ao comentário, pergunta sobre a negra da capa da revista. Os três sorriem desse jeito elegante de Dorval de mudar de assunto. Numa rápida despedida, marcam novos encontros, Valter insiste que Dorival precisa saber como está a situação política do país, e que tem muita informação sobre o movimento negro do Brasil.
Dorval diz que enquanto os próprios negros acreditarem que são diferente, eles terão muitos movimentos. Silvio acredita na sabedoria do tio e concorda, Dorval mostra a revista e diz que se aquela modelo, estivesse mais simples na capa, não despertaria a atenção para sua cor, mas sim para sua beleza.
A noite estava chegando, as luzes da cidade acesa, e retornam para Copacabana.
À noite, estão na sala, do apartamento, Silvio distraído na copa, prepara um lanche, e chama o tio varias vezes, e vai a seu encontro, depara com ele no quarto de frente a câmara, relatando o que conversou naquele dia, e prometendo que a partir do dia seguinte, filmaria a cidade para que o amigo relembrasse e visse como muitas coisas mudaram.
Com a chegada de Silvio, Dorval para e o olha. Silvio nota uma ponta de tristeza em seus olhos, mas não falam nada.
Silvio não pergunta para quem ele estava enviando a mensagem. Dorval comenta que o chope do Brasil era tão bom quanto ao da Itália, e cantarola uma canção italiana.
Silvio faz gestos de um velho italiano saudoso, Poe as mãos no coração e finge chorar. Sorriem daquele momento de descontração.
Amanhece, e Silvio comenta com Dorval que ele precisava conhecer a Barra, que quando ele foi embora do Brasil, lá ainda era um matagal, mas que mudara muito, e que tem shopping, maravilhosos. Dorval sugere alugarem um carro, Silvio diz que é muito caro, mas Dorval não se importa e diz que iria alugar um.
Silvio fica em casa.
Na agencia o atendente se aproxima de Dorval, sem muito entusiasmo, ele passeia por entre os carros sem olhar para o atendente, que oferece um modelo, mas Dorval, sem reclamar, avista um Peogot e aponta, o vendedor suspende os ombros e diz o preço, Dorval não se importa e paga antecipada oito dias com um cartão de crédito internacional.
Saí da agencia e bate num gelo baiano, o pessoal da agencia apavorados vem ao alcance dele, que imediatamente paga o prejuízo e escolhe outro carro. Ficam olhando aquele jeito simples e elegante daquele negro brasileiro com sotaque estrangeiro.
Chega em Copacabana, Silvio está na calçada do prédio preocupado, e quando avista o carro do tio, dá uma risada com espanto diante do carro. Dorval retribui e diz que estava bem perfumado o carro. Passa o volante para o Silvio e da janela, filma todos os detalhes da viagem até a Barra, conversava como se estivesse de frente para alguém.
Num shopping da Barra Dorval filma o estacionamento rodando a câmera para registrar todo o local. Quando entram, faz pequenas comprar. Do outro lado de uma passarela do shopping, Silvio avista uma jovem tomando sorvete e com algumas bolsas de compras, fica admirado com aquela negra esguia e meiga, seus olhos procuram os dela, mas ela vai se afastando sem ter notado, quando de costas, Silvio dá um tapa na testa, e diz que já havia visto aquele traseiro, mas não lembrava de onde. Dorval dá uma risada, sem olhar para a negra, e diz que Silvio é doido.
Outro dia, solicita ao Silvio que desejava ir até o centro do Rio de Janeiro, com a câmera não esquecia de detalhes. Na Av. Rio branco, ele registra de longe o movimento dos pracinhas do aterro. Percorre as ruas e admira as novas construções, sem deixar de comentar a arquitetura do século passado sem preservação, Dorval faz uma crítica às autoridades brasileiras, pois na Europa essas arquiteturas são visitadas por turistas brasileiros, e que nem sabem que aqui também tem o mesmo valor artístico.Filmando prédios e sobrados do século passado, ele faz esses comentários, sob a admiração de Silvio, que também não tinha dado importância, mas naquele momento passa a ficar fascinado.
O sol afugentava as pessoas que escolhiam as calçadas com sombra, Dorval para em frente à Central do Brasil, olha o relógio e confere com o seu, o prédio exuberante, demonstrando os detalhes arquitetônicos Dorval o compara como o corpo de um grande relógio, parado sob o sol, Silvio demonstrando incomodo, mas acompanha o tio, parado de frente e filmando cada detalhe, e faz questão de passear pela velha estação que guarda história dos cariocas de vários bairros e foi até motivo de quase um “Oscar” num filme. Aproveita e rodopia lentamente a procura do Cristo Redentor para registra-lo àquele cenário.
No final da tarde resolvem ir até o Cristo Redentor. A paisagem estava límpida, lá embaixo a cidade exibia sua beleza competindo com o mar e as montanhas. Dorval filma o Cristo de baixo para cima, uns pássaros voam completando a beleza.
Outro dia estão no Pão de Açúcar, lancham e visitam o zôo quando desciam o bondinho encontra outro que subia e na vidraça a mesma jovem com o rosto colado e meio assustado, sorria. Silvio a olha, mas tarde demais, os bondinhos em direções opostas. Ele tenta comentar com Dorval, que filmava naquele momento, mas não o interrompeu. Sentiu vontade de retornar para encontra-la lá em cima, mas tinham marcado um encontro com Valter. E Dorval por ser meticuloso com horários, Silvio nem comentara, Quando chegaram no estacionamento, Silvio ficou olhando meio patético pra cima da estação do bondinho.
Encontram com Valter, num bar no centro. Ao chegar, o cumprimento foi alegre, Valter faz comentário sobre a câmera, e Dorval diz que é para filmar as mulheres bonitas do Brasil. Durante a conversa, um menino chega, oferecendo para engraxar os sapatos, Dorval oferece o tênis, e o menino o olha sem entender, e Dorval paga como se tivesse feito o serviço, o menino sai rindo e feliz. Valter inicia a conversa sobre os negros, que o menino engraxa sapatos por que é pobre, e negro, Dorval diz que ele engraxa por que sabe faze-lo, pois nem todo mundo sabe. E quando Valter insiste, Dorval diz que tem um programa para o final de semana, iria assistir ao show da Rogéria.E convida o Valter.
O teatro lotado, Rogéria faz o show com grande estilo. De repente o silencio, ela para, olha para a platéia e agradece a presença de todos, mas tinha um agradecimento especial, pois estava ali, um grande amigo que a fez muito feliz por sua presença, solicita ao Dorval que se levante, sobre aplausos, da platéia Dorval agradece surpreso, pois não sabia que fora notado por Rogéria.
Ao chegarem em casa, Silvio se despede do tio e vai para o quarto, mas ao passar para cozinha, ouve o tio falando, para na porta e pela fresta, percebe que ele estava de frente à câmera, falando do ocorrido do dia. Silvio balança a cabeça sem entender, mas ao chegar na cama, sente uma certa pena daquele tio elegante, simples e sentimental.
A noite era animada na Lapa, a pessoa nos diversos barzinho conversavam banalidades, Dorval falava com Silvio sobre a dança, que quando o bailarino está no palco, sua alma sai do corpo para dar lugar à energia da vida,da beleza e da felicidade momentânea naqueles momentos, é como se o corpo tomasse a forma da essência da plenitude, por isso a leveza da dança. Em uma mesa acompanhada por um grupo, Silvio percebe alguém olhar para ele. Dorval levanta e escolhe um ponto para filmar aquele lugar. Silvio dá um sorriso e estuda uma maneira de chegar até aquela negra que chamara sua atenção. Quando Dorival senta Silvio fala sobre o fato e confessa que não sabe como chegar até aquela jovem. Dorval o olha sério e abrindo um sorriso faz gesto de levantar e ir até a jovem, mas é impedido por Silvio que ri da situação. Mas Dorval a reconhece do aeroporto, e se levanta, mas quando vai chegar perto, percebe que ela já havia saído.
Amanhece, da janela do hotel, Sarah está absorta no pensamento, olhando o mar, a espera do telefonema dos amigos. Pensa que o destino fora cruel, pois não viveu no Brasil e quando conhece a maravilha do Rio de Janeiro já esta perto de acabar a estadia.
O telefone chama e Sarah sai para o encontro dos amigos no planetário.
Dorval e Silvio tomam café, apressados para um ensaio do Silvio no teatro. Ao chegarem o diretor informa que precisaria de umas fotos do planetário. Quando estão chegando, Silvio encontra com a jovem e não perde a oportunidade, diz que seu tio a conheceu no aeroporto e gostaria de cumprimenta-la, olha para trás e chama o tio, mas Dorval tinha se afastado do local, Silvio fica sem jeito, a jovem dá uma risada, e foi chamada pelos amigos para outro lugar. Silvio fica sem jeito e quando ela se afasta, ele olha fascinada a figura da jovem se afastando e olha discretamente para ele. Silvio dá um suspiro. Dorval se aproxima e pergunta se ela está no espaço. Dão umas risadas descontraídas.
À noite Dorval encosta a porta, se posiciona perante a câmera e começa a falar fazendo menção dos lugares que passou. “Franco, venha para o Brasil, aqui o tratamento da aids é grátis e está bem evoluído, venha desfrutar da beleza do Brasil e do Rio de Janeiro que continua lindo”
Silvio bate na porta e confessa ao tio que já havia observado que ele enviava mensagens para alguém pela câmera. Dorval em poucas palavras informa que tem um amigo na Itália que está sofrendo de aids, e seu desejo era conhecer o Rio de janeiro, mas nunca tivera oportunidade de vim, e que ele fez aquela viagem para levar as imagens para ter uma idéia.
Dorval retorna o inicio da filmagem e quando passa a do Pão de Açúcar, Silvio pede que ele pare a cena, e percebe a jovem que chamara sua atenção.
O clima de melancolia se transforma em comentários banais.
Silvio retorna para o quarto pensativo, a admiração pelo tio aumentara com aquela atitude.
O domingo era de sol, Dorval chama Silvio para um mergulho na praia, de noite iriam embora.
Quando estavam indo para o aeroporto, na Linha Vermelha, o transito congestionado, o táxi deles para ao lado de outro, e no banco de trás, estava a jovem. Silvio a olha, e tenta um sinal, ela o vê e dá um sorriso. Tentam uma comunicação, mas é inútil. No aeroporto, Dorval vai fazer o chekin, após uma despedida emocionante, caminha para o portão de embarque, dá uma olhada para trás e Silvio vê uma lágrima denunciando a emoção. Dorval passa a mão rapidamente no rosto, dá um sorriso e acena sem olhar para trás.
Silvio também emocionado sai andando lentamente pelo salão do aeroporto, quando avista a jovem. Sarah vai se dirigindo ao balcão e Silvio a interpela e diz que gostaria de uma oportunidade de conversarem. Ainda faltando mais de uma hora para o embarque, Silvio a convida para ir até o restaurante do terceiro andar.
Sarah o acompanha. Na mesa, Sarah fala da experiência dos dias que passara no Rio. Silvio comenta dos lugares que a viu. E da filmagem que ela aparece na descida do bondinho.
De repente Sarah olha para o relógio, perdera o avião. Sorriem do fato. E saem do aeroporto rumo a Copacabana.
No dia seguinte os dois passeiam pela praia de Copacabana. O sol se pondo, os dois de mãos dadas, ela prometendo que vai para a Suíça, mas que um dia voltaria.
Do outro lado da rua, um grupo manifestava o movimento negro.
Lira Vargas.
01/10/2001.
A porta de vidro do aeroporto se abre, Dorval surge à procura de alguém. Ao seu lado uma moça de olhar curioso, um sorriso tímido também com expressão de achar alguém, os dois se viram lentamente quase que esbarrando o rosto um no outro. Dorval solta um sorriso ela também e pedem desculpas simultaneamente. Apresentam-se e na rápida troca de informações, relatam que são estrangeiros e brasileiros ao mesmo tempo, foi motivo de risos.
Dorval é brasileiros mas, foi para a Itália seguir sua carreira de bailarino, Sarah, é brasileira, mas foi adotada por uma família Sueca, e que a presenteou com aquela viagem ao Brasil, pelo seu aniversário. Dorval a olha calculando uns vinte anos, mas não pergunta, não tem por que.
Silvio apressado pelo longo salão do aeroporto, esbarrando e pedindo desculpas às pessoas para chegar até a porta de saída do aeroporto. Ao chegar reconhece o tio e o chama alargando um sorriso de alegria.
Dorval se despede de Sarah, ela de costas, recebe um olhar insinuante de Silvio, mas logo se abraça ao Dorval num cumprimento alegre mas, discreto.
Caminham até a parada de táxi e com uma pouca bagagem, mas a que tinha era meio complicada de entrar na porta mala, o motorista e Silvio, tentam ajeitar, e Dorval indiferente olha para os lados, curioso por estar de volta. Vendo que os dois não conseguiam ajeitar a bagagem, aproxima-se e rapidamente sem esforço, gira o estranho embrulho que logo se acomoda na mala. Silvio dá um sorriso sem graça, o motorista coça a cabeça e balança-a sem entender como Dorval resolveu os problemas tão rápidos. Seguem viagem para Copacabana.
Chegando em frente ao prédio de Silvio, que tenta explicar que é um lugar simples, mas é que ele podia pagar para continuar a viver mais perto de seu trabalho, pois como dançarino igual ao tio, chegavam altas horas e ali era mais perto. Dorval não responde e sorri compreendendo. Paga o táxi e vai direto na mala pegar as malas e a complicada bagagem. Com tudo no chão, Silvio tenta explicar que um dia compraria um apartamento em um prédio bem bonito. Dorval segura seu braço e aponta para uma padaria em frente, e Silvio desajeitado com as bagagens, mas Dorval sugere que ele fique na calçada e atravessa a rua, entra na padaria e compra um quindim e sai saboreando. Chegando perto, Silvio cara de enjôo, mas Dorval diz que há muitos anos não comia quindim que na Itália não tinha. Silvio sacode os ombros e tenta entrar no prédio. Dorval ajuda a levar a bagagem até o elevador, e informa ao sobrinho que o espere, que iria até a esquina. Silvio sorri daquele jeito descontraído do tio, obedecendo, entra o elevador, e lembra que o tio não sabia o numero do apartamento e grita pela fresta da porta que se fechava que era oitocentos e dois, mas Dorval entendeu “trás dois” e faz uma cara de quem não entendeu nada e vai para a calçada.
Era tarde de verão, nas ruas, as pessoas se esbarrando se misturando aos turistas de bermuda branca e blusas estampadas, Dorval caminha até a calçada da praia, o mar se debruçava na areia convidando para um mergulho, Dorval fica parado olhando aquela praia que um dia foi sua maior diversão, ali disputou bola com jogadores que ficarão famosos, e já até pararam de jogar, ali conheceu muitos amigos e que quando o chamavam para beber, preferia suco de frutas.
Seus pensamentos vagavam pelo passado, caminha lentamente, atravessa a rua e para numa estreita pista, quando uma ciclista vem assoviando nervoso por que Dorval esta parado impedindo a passagem, o ciclista solta uma pilheria e ele olha serio, ma logo faz uma cara de “pai”e olha para o chão percebendo onde estava parado, faz um sinal de desculpas e sobe na calçada da praia.
O vento forte levantava a areia da praia, o sol convidava as pessoas a um bronzeado. Dorval não resiste e pisa na areia, os sapatos o incomoda, tira-os e vai caminhando cada vez mais para perto das ondas, fica ali parado, fascinado com a imensidão do mar, no céu um avião corta as nuvens, Dorval olha distraído, quando uma imensa onda bate na areia, jogando uma boa quantidade de água fazendo-o meio patético para se livrar tarde demais de ter a roupa uma tanto molhada. Olha para trás esperando ter sido visto naquela situação, mas as pessoas que estavam jogando vôlei, nem perceberam, e dorval retorna para a calçada, decidido ira para o apartamento do sobrinho. Caminha pela rua, um cachorrinho na coleira, guiado por uma mulher, para obedecendo à mesma a espera do sinal abrir, Dorval tenta fazer um afago, mas o cachorrinho dá um grito assustado, a mulher o olha como se ele tivesse beliscado o cãozinho, e Dorval tenta explicar, que apenas o afagara, e a mulher compreensivamente, diz que ele era um cão muito mimado.
Chegando perto no prédio, Dorval, olha para a seta que indicava os andares, e sorri desajeitado, lembrando que não sabia o andar do apartamento do sobrinho. Dirige-se ao porteiro que o olha com uma cara desconfiada, pois Dorval esta com a roupa molhada, e pergunta, mas esse informa que está de pouco tempo ali e não sabia. Dorval coça a cabeça numa situação difícil. Vai até a calçada e tenta olhar para o alto do prédio, na esperança do sobrinho estar na janela. E Sem esperança retorna para a portaria. Procura a carteira na esperança de achar o telefone, mas lembra que a frasqueira com documentos e agendas, tinham subido com o sobrinho.
Resolve dar mais uma caminhada pela calçada, passa por uma casa de espetáculos e vê o cartaz da exuberante Rogéria, que informava o show para os próximo fina de semana, Dorval sorri e lembra de Rogéria como uma pessoa que ele admirava muito, pois Rogéria mantinha a fama de travesti, mas as pessoas a respeitava muito, pelo seu talento e personalidade segura.
Dorval tenta anotar o dia do show, mas não tem caneta, vai até a banca de jornal mais próxima e em um pequeno pedaço de papel, anota o dia e faz planos de assistir.
Silvio olha a hora preocupada com Dorval que não chega, e desce, vai até a praia e fica a procura do tio, passa por um quiosque e toma uma água de coco, caminha a procura do tio e encontra um amigo do teatro e comenta sobre o ocorrido, o amigo o tranqüiliza e diz que breve o encontrará. Sentado numas cadeiras em frente ao mar a conversa segue descontraída.
Dorval em frente ao prédio, a roupa já secando da água do mar, olha indiferente paras as pessoas e, mas de vez em quando olha para a portaria na esperança do sobrinho descer a sua procura.
Outra vez entra na padaria e compra outro quindim. O tempo vai passando e nada de resolver a situação, segue para a praia pra fazer hora, de longe avista o sobrinho conversando com um amigo e se aproxima.
A chegar perto o sobrinho fica surpreso com sua chegada e pergunta se acontecera algo, Dorval responde que não. O sobrinho vendo os vestígio de água na camisa, faz um olhar de indagação, e Dorval diz apenas que era água do mar. O amigo do Silvio, Pedro, se apresenta, e Dorval o cumprimenta com elegância e simpatia.
Voltam para o apartamento e na sala as malas ainda no chão. Silvio indica o quarto e fazem planos para um chope. Dorval saindo do banho informa que o chuveiro está muito quente, Silvio sorri e diz que vai desligar.
A noite quente é final de semana, Silvio os dois conversam num bar na calçada de Copacabana, um grupo de artista de rua batucam uma velha samba, e Dorval tenta cantarolar, demonstrando que lembra dessa musica, o sobrinho alegre, acompanha. Uma prostituta chega perto, Silvio tenta afasta-la de jeito meio brusco, mas Dorval a trata com respeito e oferece um chope, a prostituta aceita e conversam banalidades até tarde da noite.
No dia seguinte, Silvio acorda, vai até o quarto e olha as bagagens ainda no chão, o embrulho complicado encostado na parede, e procura por Dorval, este já havia saído.Silvio coça a cabeça, já se conformando com o jeito silencioso e a disposição do tio.
Logo ele retorna com lanches, os embrulhos mal acomodados, Dorval chega a tempo de despeja-los sobre a pia. Silvio arruma a mesa, Silvio é organizado com a casa. Logo depois Dorval o convida até o quarto e o presenteia com o complicado embrulho que deu tanto trabalho para entrar no táxi. Com dificuldades Silvio vai abrindo, como uma criança, sorri a cada folha vencida, ao abrir, dá um sorriso e surpresa, o tio trouxera Home Theater e uma câmera de Vídeo. Silvio ri da extravagância de Dorval, e faz planos em distribuir as caixas de som no quarto.
Seguem para o ponto de ônibus, iam se encontrar com Valter um velho amigo. O vento desalinhava os cabelos das pessoas. Uma folha de uma revista feminina exibia uma bela negra seminua, Dorval desce o meio fio para apanhar, mas uma rajada de vento a leva para longe. Silvio sorri de sua tentativa inútil. Dorval desiste e sugere ao Silvio um táxi, sobre protesto, pois iriam para Ipanema, Silvio está distraído olhando uma casal que discutia, Dorval chama um táxi, quando já está dentro, chama Silvio, que se espanta e entra rindo.
Em Ipanema, marcaram o encontro com Valter num restaurante. Num reencontro alegre, Valter inicia a conversa protestando que o governo está sufocando a economia do país, que faziam reformas há cada mês, Dorval não dá continuidade ao assunto e comenta que vira uma negra na folha de uma revista que o fascinou, tenta explicar como ela estava, Valter desapontado pela indiferença que Dorval deu ao assunto, aponta para uma banca de revista e sugere que ele vá até lá, e diz que Dorival não mudara nada, desde que se conheceram.
Dorval levanta da mesa e atravessa a rua, uma senhora com dificuldades tentava descer a rampa, que dá acesso à rua, Dorval a pega pelo braço e a ajuda, da mesa, Valter e Silvio o olham com um sorriso meio debochado, e continuam a conversa que foi, interrompida por Dorval.
Dorval volta com a revista e na capa estava a mesma negra que o vento levara a folha quando tentou pegar.
Durante a conversa, Valter pergunta o motivo que Dorval viera ao Brasil, apostando que era saudade. Dorval confirma, mas diz que o maior motivo era levar informações para um amigo que estava muito mal com aids na Itália. Valter lamenta e diz que no Brasil o tratamento está muito desenvolvido e sem perder a mania de críticas políticas, Valter diz que o Brasil tem políticos safados, mas que o tratamento de aidéticos tem o apoio do governo federal que é totalmente gratuito, Dorval admirado pergunta detalhes, e Valter explica que há postos de apoio em todas as cidades inclusive com atendimentos com psicólogos e nutricionista, e reuniões com grupos de apoio, formando uma sociedade de aidéticos para acompanhar as taxas virais e orientações para os cuidados, e as empresas não podem demitir um funcionário com essa doença sobre de multas altíssimas. E que os colégios também são obrigados a receber alunos com essa doença e não discrimina-los perante aos colegas.Dorval ouve interessado na informação, e lamenta que na Europa esse tratamento ainda não é tão adiantado como no Brasil, e demonstra com orgulho que o Brasil, está dando passos importantes. Imediato ao comentário, pergunta sobre a negra da capa da revista. Os três sorriem desse jeito elegante de Dorval de mudar de assunto. Numa rápida despedida, marcam novos encontros, Valter insiste que Dorival precisa saber como está a situação política do país, e que tem muita informação sobre o movimento negro do Brasil.
Dorval diz que enquanto os próprios negros acreditarem que são diferente, eles terão muitos movimentos. Silvio acredita na sabedoria do tio e concorda, Dorval mostra a revista e diz que se aquela modelo, estivesse mais simples na capa, não despertaria a atenção para sua cor, mas sim para sua beleza.
A noite estava chegando, as luzes da cidade acesa, e retornam para Copacabana.
À noite, estão na sala, do apartamento, Silvio distraído na copa, prepara um lanche, e chama o tio varias vezes, e vai a seu encontro, depara com ele no quarto de frente a câmara, relatando o que conversou naquele dia, e prometendo que a partir do dia seguinte, filmaria a cidade para que o amigo relembrasse e visse como muitas coisas mudaram.
Com a chegada de Silvio, Dorval para e o olha. Silvio nota uma ponta de tristeza em seus olhos, mas não falam nada.
Silvio não pergunta para quem ele estava enviando a mensagem. Dorval comenta que o chope do Brasil era tão bom quanto ao da Itália, e cantarola uma canção italiana.
Silvio faz gestos de um velho italiano saudoso, Poe as mãos no coração e finge chorar. Sorriem daquele momento de descontração.
Amanhece, e Silvio comenta com Dorval que ele precisava conhecer a Barra, que quando ele foi embora do Brasil, lá ainda era um matagal, mas que mudara muito, e que tem shopping, maravilhosos. Dorval sugere alugarem um carro, Silvio diz que é muito caro, mas Dorval não se importa e diz que iria alugar um.
Silvio fica em casa.
Na agencia o atendente se aproxima de Dorval, sem muito entusiasmo, ele passeia por entre os carros sem olhar para o atendente, que oferece um modelo, mas Dorval, sem reclamar, avista um Peogot e aponta, o vendedor suspende os ombros e diz o preço, Dorval não se importa e paga antecipada oito dias com um cartão de crédito internacional.
Saí da agencia e bate num gelo baiano, o pessoal da agencia apavorados vem ao alcance dele, que imediatamente paga o prejuízo e escolhe outro carro. Ficam olhando aquele jeito simples e elegante daquele negro brasileiro com sotaque estrangeiro.
Chega em Copacabana, Silvio está na calçada do prédio preocupado, e quando avista o carro do tio, dá uma risada com espanto diante do carro. Dorval retribui e diz que estava bem perfumado o carro. Passa o volante para o Silvio e da janela, filma todos os detalhes da viagem até a Barra, conversava como se estivesse de frente para alguém.
Num shopping da Barra Dorval filma o estacionamento rodando a câmera para registrar todo o local. Quando entram, faz pequenas comprar. Do outro lado de uma passarela do shopping, Silvio avista uma jovem tomando sorvete e com algumas bolsas de compras, fica admirado com aquela negra esguia e meiga, seus olhos procuram os dela, mas ela vai se afastando sem ter notado, quando de costas, Silvio dá um tapa na testa, e diz que já havia visto aquele traseiro, mas não lembrava de onde. Dorval dá uma risada, sem olhar para a negra, e diz que Silvio é doido.
Outro dia, solicita ao Silvio que desejava ir até o centro do Rio de Janeiro, com a câmera não esquecia de detalhes. Na Av. Rio branco, ele registra de longe o movimento dos pracinhas do aterro. Percorre as ruas e admira as novas construções, sem deixar de comentar a arquitetura do século passado sem preservação, Dorval faz uma crítica às autoridades brasileiras, pois na Europa essas arquiteturas são visitadas por turistas brasileiros, e que nem sabem que aqui também tem o mesmo valor artístico.Filmando prédios e sobrados do século passado, ele faz esses comentários, sob a admiração de Silvio, que também não tinha dado importância, mas naquele momento passa a ficar fascinado.
O sol afugentava as pessoas que escolhiam as calçadas com sombra, Dorval para em frente à Central do Brasil, olha o relógio e confere com o seu, o prédio exuberante, demonstrando os detalhes arquitetônicos Dorval o compara como o corpo de um grande relógio, parado sob o sol, Silvio demonstrando incomodo, mas acompanha o tio, parado de frente e filmando cada detalhe, e faz questão de passear pela velha estação que guarda história dos cariocas de vários bairros e foi até motivo de quase um “Oscar” num filme. Aproveita e rodopia lentamente a procura do Cristo Redentor para registra-lo àquele cenário.
No final da tarde resolvem ir até o Cristo Redentor. A paisagem estava límpida, lá embaixo a cidade exibia sua beleza competindo com o mar e as montanhas. Dorval filma o Cristo de baixo para cima, uns pássaros voam completando a beleza.
Outro dia estão no Pão de Açúcar, lancham e visitam o zôo quando desciam o bondinho encontra outro que subia e na vidraça a mesma jovem com o rosto colado e meio assustado, sorria. Silvio a olha, mas tarde demais, os bondinhos em direções opostas. Ele tenta comentar com Dorval, que filmava naquele momento, mas não o interrompeu. Sentiu vontade de retornar para encontra-la lá em cima, mas tinham marcado um encontro com Valter. E Dorval por ser meticuloso com horários, Silvio nem comentara, Quando chegaram no estacionamento, Silvio ficou olhando meio patético pra cima da estação do bondinho.
Encontram com Valter, num bar no centro. Ao chegar, o cumprimento foi alegre, Valter faz comentário sobre a câmera, e Dorval diz que é para filmar as mulheres bonitas do Brasil. Durante a conversa, um menino chega, oferecendo para engraxar os sapatos, Dorval oferece o tênis, e o menino o olha sem entender, e Dorval paga como se tivesse feito o serviço, o menino sai rindo e feliz. Valter inicia a conversa sobre os negros, que o menino engraxa sapatos por que é pobre, e negro, Dorval diz que ele engraxa por que sabe faze-lo, pois nem todo mundo sabe. E quando Valter insiste, Dorval diz que tem um programa para o final de semana, iria assistir ao show da Rogéria.E convida o Valter.
O teatro lotado, Rogéria faz o show com grande estilo. De repente o silencio, ela para, olha para a platéia e agradece a presença de todos, mas tinha um agradecimento especial, pois estava ali, um grande amigo que a fez muito feliz por sua presença, solicita ao Dorval que se levante, sobre aplausos, da platéia Dorval agradece surpreso, pois não sabia que fora notado por Rogéria.
Ao chegarem em casa, Silvio se despede do tio e vai para o quarto, mas ao passar para cozinha, ouve o tio falando, para na porta e pela fresta, percebe que ele estava de frente à câmera, falando do ocorrido do dia. Silvio balança a cabeça sem entender, mas ao chegar na cama, sente uma certa pena daquele tio elegante, simples e sentimental.
A noite era animada na Lapa, a pessoa nos diversos barzinho conversavam banalidades, Dorval falava com Silvio sobre a dança, que quando o bailarino está no palco, sua alma sai do corpo para dar lugar à energia da vida,da beleza e da felicidade momentânea naqueles momentos, é como se o corpo tomasse a forma da essência da plenitude, por isso a leveza da dança. Em uma mesa acompanhada por um grupo, Silvio percebe alguém olhar para ele. Dorval levanta e escolhe um ponto para filmar aquele lugar. Silvio dá um sorriso e estuda uma maneira de chegar até aquela negra que chamara sua atenção. Quando Dorival senta Silvio fala sobre o fato e confessa que não sabe como chegar até aquela jovem. Dorval o olha sério e abrindo um sorriso faz gesto de levantar e ir até a jovem, mas é impedido por Silvio que ri da situação. Mas Dorval a reconhece do aeroporto, e se levanta, mas quando vai chegar perto, percebe que ela já havia saído.
Amanhece, da janela do hotel, Sarah está absorta no pensamento, olhando o mar, a espera do telefonema dos amigos. Pensa que o destino fora cruel, pois não viveu no Brasil e quando conhece a maravilha do Rio de Janeiro já esta perto de acabar a estadia.
O telefone chama e Sarah sai para o encontro dos amigos no planetário.
Dorval e Silvio tomam café, apressados para um ensaio do Silvio no teatro. Ao chegarem o diretor informa que precisaria de umas fotos do planetário. Quando estão chegando, Silvio encontra com a jovem e não perde a oportunidade, diz que seu tio a conheceu no aeroporto e gostaria de cumprimenta-la, olha para trás e chama o tio, mas Dorval tinha se afastado do local, Silvio fica sem jeito, a jovem dá uma risada, e foi chamada pelos amigos para outro lugar. Silvio fica sem jeito e quando ela se afasta, ele olha fascinada a figura da jovem se afastando e olha discretamente para ele. Silvio dá um suspiro. Dorval se aproxima e pergunta se ela está no espaço. Dão umas risadas descontraídas.
À noite Dorval encosta a porta, se posiciona perante a câmera e começa a falar fazendo menção dos lugares que passou. “Franco, venha para o Brasil, aqui o tratamento da aids é grátis e está bem evoluído, venha desfrutar da beleza do Brasil e do Rio de Janeiro que continua lindo”
Silvio bate na porta e confessa ao tio que já havia observado que ele enviava mensagens para alguém pela câmera. Dorval em poucas palavras informa que tem um amigo na Itália que está sofrendo de aids, e seu desejo era conhecer o Rio de janeiro, mas nunca tivera oportunidade de vim, e que ele fez aquela viagem para levar as imagens para ter uma idéia.
Dorval retorna o inicio da filmagem e quando passa a do Pão de Açúcar, Silvio pede que ele pare a cena, e percebe a jovem que chamara sua atenção.
O clima de melancolia se transforma em comentários banais.
Silvio retorna para o quarto pensativo, a admiração pelo tio aumentara com aquela atitude.
O domingo era de sol, Dorval chama Silvio para um mergulho na praia, de noite iriam embora.
Quando estavam indo para o aeroporto, na Linha Vermelha, o transito congestionado, o táxi deles para ao lado de outro, e no banco de trás, estava a jovem. Silvio a olha, e tenta um sinal, ela o vê e dá um sorriso. Tentam uma comunicação, mas é inútil. No aeroporto, Dorval vai fazer o chekin, após uma despedida emocionante, caminha para o portão de embarque, dá uma olhada para trás e Silvio vê uma lágrima denunciando a emoção. Dorval passa a mão rapidamente no rosto, dá um sorriso e acena sem olhar para trás.
Silvio também emocionado sai andando lentamente pelo salão do aeroporto, quando avista a jovem. Sarah vai se dirigindo ao balcão e Silvio a interpela e diz que gostaria de uma oportunidade de conversarem. Ainda faltando mais de uma hora para o embarque, Silvio a convida para ir até o restaurante do terceiro andar.
Sarah o acompanha. Na mesa, Sarah fala da experiência dos dias que passara no Rio. Silvio comenta dos lugares que a viu. E da filmagem que ela aparece na descida do bondinho.
De repente Sarah olha para o relógio, perdera o avião. Sorriem do fato. E saem do aeroporto rumo a Copacabana.
No dia seguinte os dois passeiam pela praia de Copacabana. O sol se pondo, os dois de mãos dadas, ela prometendo que vai para a Suíça, mas que um dia voltaria.
Do outro lado da rua, um grupo manifestava o movimento negro.
Lira Vargas.
01/10/2001.
BERMUDA AZUL
Bermuda azul
Naara é muçulmana, seu marido em traje comum, caminha a sua frente, com seus 22 anos, Naara olha fascinada a praia com aquela gente quase nua, numa barraca de picolé o vendedor faz um gesto de oferecimento a ela, seus olhos azuis deparam com um casal sentado no quiosque tomando uma bebida diferente (cerveja). Ela vai acompanhando seu marido distraído e aproveita sua situação de mulher, que deve andar atrás do marido, e acompanha as lojas do outro lado da calçada.
Entram em sua recente residência. Ao chegarem, Naara comenta com o marido como é lindo o Rio de Janeiro. Ele a repreende pelo exagero.
No dia seguinte Naara está outra vez fazendo o mesmo percurso pela praia de Copacabana, seu marido vai andando na frente e as mesmas cenas se repetem em seus olhos, o brilho de fascinação pela beleza das pessoas livres.
O vento balançava sua roupa, o calor imenso e novamente eles passam pelo quiosque e depara com o mesmo casal tomando aquela estranha bebida, os olhos do rapaz encontram os seus, por um momento ele dá um sorriso, ela o olha seriamente, mas não ri. O rapaz moreno totalmente físico de carioca permanece olhando-a por um longo tempo, ela abaixa a cabeça, arrependida pelo fato.
Ao chegarem em casa ela está preocupada, vai até a janela de seu apartamento e percebe que fica exatamente em frente ao quiosque. Solicita do marido um binóculo, este pergunta asperamente, "pra que?", e Naara responde que gostaria de ver um navio que passa no horizonte. O marido a olha com desconfiança e Naara abaixa os olhos escondendo a culpa.
Seu marido finge que esqueceu o pedido e se distrai com um livro. Naara volta a pedir pelo binóculo e o mesmo, asperamente, levanta do sofá e vai ao quarto pegar o binóculo. Ansiosamente Naara vai até a janela a procura daquele homem que a olhara de uma maneira tão esquisita. Posiciona o objeto para o mar e discretamente vai descendo até encontrar o quiosque e fica olhando aquele homem. De repente ele olha pra cima e a vê. Assustada Naara recua, seu marido percebe seu gesto e vai se levantando perguntando o que foi, nesse momento um avião corta o céu e ela finge que foi tomada pela saudade de seu povo. O marido balança a cabeça criticando sua infantilidade e a pega pelos braços e a leva para o quarto.
No dia seguinte Naara pergunta ao marido se não vão dar o passeio pela praia, ele nega, informando que está cansado. Naara vai até o quarto pega o binóculo e procura aquele homem. E lá está ele na mesma mesa de bar, dessa vez sozinho, ele percebe que está sendo visto e olha pra cima, nesse momento alguém atrapalha a visão, ambos tentam se ver, mas quando ela nota que ele já percebeu levanta o binóculo para outra direção, mas o homem dá um sorriso. Naara vai até a cama e senta, olha para seu livro de ensinamento e pede perdão.
No outro dia seu marido a convida para passear na praia, Naara procura uma roupa bem sedosa e acompanha seu marido, ao passear na praia, ela procura com ansiedade aquele homem que balançou sua cabeça. E lá estava ele sentado na mesma mesa. O marido na frente e Naara à procura daquele olhar, daquele sorriso meigo.
Ao chegar em casa, seu marido tem a surpresa de uma viagem urgente. Naara sente uma certa satisfação. Na manha seguinte seu marido faz apenas uma recordação: não sair de casa. Naara concorda e abaixa a cabeça.
Naara ansiosa pela hora da tarde, se arruma com capricho, chega à hora do passeio e não resiste, desce de escadas até a rua, vai até ao quarteirão, volta pela praia à procura do namorado oculto e, para sua surpresa, lá estava ele. Ao perceber que estava sozinha, levanta da cadeira e a acompanha, Naara percebendo, aumenta os passos e passa da direção de seu prédio. Ele pega em seus braços e tenta um diálogo.
Não podia ser diferente, Naara estava envolvida por aquela emoção. Conversa rápido, o homem compara seus olhos com o céu, diz que daria tudo para ver aquelas pernas e que ela ficava muito bonita de roupas azuis. Naara solta de seus braços e Pedro pedem que ela volte no dia seguinte, Naara retorna para a calçada e entra assustada no prédio.
No dia seguinte, na mesma hora, Naara vai até o quarto da empregada, revira suas roupas e acha uma bermuda azul. Não resiste, veste a bermuda e uma camiseta e põe suas roupas por cima.
Desce as escadas correndo, a juventude falava mais alta, a alegria em seus olhos eram notáveis, ao passar pelo porteiro dá um sorriso, o mesmo estranha àquela atitude, pois desde que fora morar ali, nunca o cumprimentou.
Naara chega na calçada da praia e ali estava Pedro, a mesma cena, ela vai andando ele a segue e conversam banalidades. Ao chegarem ao Leme, a tarde caia o sol dourando as nuvens, um vento quente, era alegria no ar. Ambos riem daquela loucura e sorriem, era verdade, o amor tomara conta dos dois. Brincam na areia, suas roupas esvoaçantes a faziam mais linda, beijam-se com a liberdade dos pássaros que sobrevoavam nesse momento o mar, no horizonte passa um navio, e um avião corta o céu, Naara conta o episódio da primeira vez que pediu o binóculo ao marido para vê-lo na praia.
Pedro pede para ver suas pernas. Naara diz que tem uma surpresa pra ele. Levanta a roupa e deixa a mostra a pele branca e a bermuda azul. Pedro fica surpreso com aquela bermuda, ela diz aonde conseguiu. Riem muito até que se abraçam e a bermuda foi para longe, já era noite e se amam sem a preocupação da hora. Amanhece o dia, Naara assustada percebe o sol em seu rosto, olha assustada, "cadê Pedro?". Assustada, levanta, mais acima Pedro a olha carinhosamente. Ela diz que precisa ir embora.
Seguem pela praia, de mãos dadas, as vestes dobradas em seus braços, de bermuda azul e camiseta, ela segue despreocupada. Pedro diz que deseja vê-la à tarde, pois ele é médico e após as dezesseis horas, ele faz aquele relax e que a esperaria outra vez.
Naara entra na portaria, eram seis horas da manhã, ela sobe pelas escadas e procura a chave no bolso da blusa, pega a chave abre a porta e depara com seu apartamento cheio de pessoas, seu marido e demais parentes a sua espera.
Assustada ela para na porta. Os olhares de condenação percorreram seu corpo, a empregada dá um sorriso e sai, Naara olha para o marido e diz que precisa falar com ele a sós.
Vão até o quarto, chegando lá ele a conduz até a janela e mostra a calçada.
Naara sobe no parapeito e se joga.
Naara é muçulmana, seu marido em traje comum, caminha a sua frente, com seus 22 anos, Naara olha fascinada a praia com aquela gente quase nua, numa barraca de picolé o vendedor faz um gesto de oferecimento a ela, seus olhos azuis deparam com um casal sentado no quiosque tomando uma bebida diferente (cerveja). Ela vai acompanhando seu marido distraído e aproveita sua situação de mulher, que deve andar atrás do marido, e acompanha as lojas do outro lado da calçada.
Entram em sua recente residência. Ao chegarem, Naara comenta com o marido como é lindo o Rio de Janeiro. Ele a repreende pelo exagero.
No dia seguinte Naara está outra vez fazendo o mesmo percurso pela praia de Copacabana, seu marido vai andando na frente e as mesmas cenas se repetem em seus olhos, o brilho de fascinação pela beleza das pessoas livres.
O vento balançava sua roupa, o calor imenso e novamente eles passam pelo quiosque e depara com o mesmo casal tomando aquela estranha bebida, os olhos do rapaz encontram os seus, por um momento ele dá um sorriso, ela o olha seriamente, mas não ri. O rapaz moreno totalmente físico de carioca permanece olhando-a por um longo tempo, ela abaixa a cabeça, arrependida pelo fato.
Ao chegarem em casa ela está preocupada, vai até a janela de seu apartamento e percebe que fica exatamente em frente ao quiosque. Solicita do marido um binóculo, este pergunta asperamente, "pra que?", e Naara responde que gostaria de ver um navio que passa no horizonte. O marido a olha com desconfiança e Naara abaixa os olhos escondendo a culpa.
Seu marido finge que esqueceu o pedido e se distrai com um livro. Naara volta a pedir pelo binóculo e o mesmo, asperamente, levanta do sofá e vai ao quarto pegar o binóculo. Ansiosamente Naara vai até a janela a procura daquele homem que a olhara de uma maneira tão esquisita. Posiciona o objeto para o mar e discretamente vai descendo até encontrar o quiosque e fica olhando aquele homem. De repente ele olha pra cima e a vê. Assustada Naara recua, seu marido percebe seu gesto e vai se levantando perguntando o que foi, nesse momento um avião corta o céu e ela finge que foi tomada pela saudade de seu povo. O marido balança a cabeça criticando sua infantilidade e a pega pelos braços e a leva para o quarto.
No dia seguinte Naara pergunta ao marido se não vão dar o passeio pela praia, ele nega, informando que está cansado. Naara vai até o quarto pega o binóculo e procura aquele homem. E lá está ele na mesma mesa de bar, dessa vez sozinho, ele percebe que está sendo visto e olha pra cima, nesse momento alguém atrapalha a visão, ambos tentam se ver, mas quando ela nota que ele já percebeu levanta o binóculo para outra direção, mas o homem dá um sorriso. Naara vai até a cama e senta, olha para seu livro de ensinamento e pede perdão.
No outro dia seu marido a convida para passear na praia, Naara procura uma roupa bem sedosa e acompanha seu marido, ao passear na praia, ela procura com ansiedade aquele homem que balançou sua cabeça. E lá estava ele sentado na mesma mesa. O marido na frente e Naara à procura daquele olhar, daquele sorriso meigo.
Ao chegar em casa, seu marido tem a surpresa de uma viagem urgente. Naara sente uma certa satisfação. Na manha seguinte seu marido faz apenas uma recordação: não sair de casa. Naara concorda e abaixa a cabeça.
Naara ansiosa pela hora da tarde, se arruma com capricho, chega à hora do passeio e não resiste, desce de escadas até a rua, vai até ao quarteirão, volta pela praia à procura do namorado oculto e, para sua surpresa, lá estava ele. Ao perceber que estava sozinha, levanta da cadeira e a acompanha, Naara percebendo, aumenta os passos e passa da direção de seu prédio. Ele pega em seus braços e tenta um diálogo.
Não podia ser diferente, Naara estava envolvida por aquela emoção. Conversa rápido, o homem compara seus olhos com o céu, diz que daria tudo para ver aquelas pernas e que ela ficava muito bonita de roupas azuis. Naara solta de seus braços e Pedro pedem que ela volte no dia seguinte, Naara retorna para a calçada e entra assustada no prédio.
No dia seguinte, na mesma hora, Naara vai até o quarto da empregada, revira suas roupas e acha uma bermuda azul. Não resiste, veste a bermuda e uma camiseta e põe suas roupas por cima.
Desce as escadas correndo, a juventude falava mais alta, a alegria em seus olhos eram notáveis, ao passar pelo porteiro dá um sorriso, o mesmo estranha àquela atitude, pois desde que fora morar ali, nunca o cumprimentou.
Naara chega na calçada da praia e ali estava Pedro, a mesma cena, ela vai andando ele a segue e conversam banalidades. Ao chegarem ao Leme, a tarde caia o sol dourando as nuvens, um vento quente, era alegria no ar. Ambos riem daquela loucura e sorriem, era verdade, o amor tomara conta dos dois. Brincam na areia, suas roupas esvoaçantes a faziam mais linda, beijam-se com a liberdade dos pássaros que sobrevoavam nesse momento o mar, no horizonte passa um navio, e um avião corta o céu, Naara conta o episódio da primeira vez que pediu o binóculo ao marido para vê-lo na praia.
Pedro pede para ver suas pernas. Naara diz que tem uma surpresa pra ele. Levanta a roupa e deixa a mostra a pele branca e a bermuda azul. Pedro fica surpreso com aquela bermuda, ela diz aonde conseguiu. Riem muito até que se abraçam e a bermuda foi para longe, já era noite e se amam sem a preocupação da hora. Amanhece o dia, Naara assustada percebe o sol em seu rosto, olha assustada, "cadê Pedro?". Assustada, levanta, mais acima Pedro a olha carinhosamente. Ela diz que precisa ir embora.
Seguem pela praia, de mãos dadas, as vestes dobradas em seus braços, de bermuda azul e camiseta, ela segue despreocupada. Pedro diz que deseja vê-la à tarde, pois ele é médico e após as dezesseis horas, ele faz aquele relax e que a esperaria outra vez.
Naara entra na portaria, eram seis horas da manhã, ela sobe pelas escadas e procura a chave no bolso da blusa, pega a chave abre a porta e depara com seu apartamento cheio de pessoas, seu marido e demais parentes a sua espera.
Assustada ela para na porta. Os olhares de condenação percorreram seu corpo, a empregada dá um sorriso e sai, Naara olha para o marido e diz que precisa falar com ele a sós.
Vão até o quarto, chegando lá ele a conduz até a janela e mostra a calçada.
Naara sobe no parapeito e se joga.
ESTRADA DO CONFLITO
ESTRADA DO CONFLITO
Celeste mora em Rio bonito, seu marido Orlando é caminhoneiro, eles tem uma filha Laiza, de oito anos.
Foi numa tarde, Celeste dava os últimos acabamentos do vestido de noiva encomendado da filha de um rico fazendeiro do local. O telefone toca e alguém do outro lado da linha pergunta pôr Orlando, Celeste informa que ele esta no Paraguai trazendo produtos em seu caminhão e que só chegaria dois dias depois.
Na Quinta feira Orlando chegara, estavam jantando quando Celeste comenta sobre o telefonema, animada, pois haveria mais cargas para Orlando, logo que ela termina de falar, o telefone toca, Orlando atende e alguém informa que precisa falar com ele no bar da esquina, Orlando meio confuso, se despede de Celeste e diz que era mais trabalho.
Retorna cabisbaixo, Celeste pergunta e Orlando informa que não entendeu bem mais que tinha algo para trazer do Paraguai, e disseram que ele não precisaria ir com carga, pois o pagamento seria alto. Celeste olha pra Orlando e diz que não gostou da conversa. Orlando responde que se for carga suspeita, lá mesmo dispensaria.
Orlando pega a estrada na manhã seguinte. Chegando no Paraguai, encontra o contato, era para trazer toras de madeiras, mas no miolo das mesmas, tinha quantidades enormes de cocaína. Orlando ao saber, nega, diz que não aceitava trazer. Os homens então, informa que ele era o escolhido, pôr Ter muita prática da estrada e já era conhecido na patrulha federal, oferecem uma quantia enorme pelo trabalho. Orlando não aceita e vira as costa e parte. Era uma tarde quente de verão, no rádio tocava uma música melancólica, Orlando cantarolava, para disfarçar a decepção da despesa que tivera de combustível, pois ao negar, nem lembrou de cobrar a viagem. Colado ao painel do caminhão, estava a foto de Celestial e Laiza. Pôr elas não valia o risco. Orlando entra na divisa do Brasil, quando passa pela rodoviária, cumprimenta os guardas de plantão seguindo seu caminho. Já anoitecia, quando o celular toca, Orlando atende preocupado, tendo uma preocupação estranha, era Celeste desesperada, dizendo que Laiza fora seqüestrada e que alguém dizia que Orlando deveria retornar e concluir o trabalho que ele negara. Orlando joga o caminhão para o acostamento, pede a Celeste que repita tudo como se não acreditando. Diz para que ela tenha calma, que ele vai voltar, Celeste implora que ele não diga nada a polícia. Orlando retorna. Já era tarde, a noite caia, a preocupação tomara conta de seu semblante, e Orlando numa força desesperada, corria pelas estradas, os faróis iluminavam o suor de seu rosto, o medo o sufocava, mas ele tinha que salvar sua filha.
Chega no local já amanhecendo, os homens o esperavam, um deles cinicamente ri e pergunta se o “pai herói”estava disposto a ajudar. Orlando tenta partir para dar um soco nele, mas é impedido pelos outros. E nesse momento o homem chama os carregadores e começam a colocar a carga na carroceria do caminhão. Orlando sentado num degrau da madeireira pensa sem saída para aquele problema.
É terminada a colocação e Orlando levanta e vai até o homem e pergunta o que fazer com aquela maldita carga. O homem em poucas palavras diz que na estrada ele saberá, Orlando pergunta pela filha, ele responde que quando tudo estiver pronto, ela será devolvida, e que ele ficasse tranqüilo, ela estava em boas mãos e bem tratada. Orlando informa que teme pela saúde dela pois ela tem asma, o homem diz que já fora informado e que ela estava com os medicamentos em mãos. Orlando liga para Celeste para saber como ela está, Celeste chora muito no telefone e diz que aquela era a última comunicação, pois informaram que ela só poderia fazer contato quando Orlando chegasse em casa.
Orlando sobe na cabina, liga o caminhão e sai sem despedir para os homens, na estrada, o suor brotava, Orlando nervoso assiste o amanhecer, que tantas vezes era o espetáculo mais maravilhoso do dia, mas naquela manhã, Orlando lutava com a sorte.
Vai chegando perto da rodoviária, Orlando nervoso aperta o volante do caminhão, o medo vai tomando conta, ele olha para o posto policial e vai se aproximando, quando passava, cumprimentou como de costume os guardas, mas seu olhar encontra o mesmo guarda da noite anterior e este com olhar desconfiado olha o caminhão de Orlando se afastando, Orlando o olha pelo retrovisor, uma ponta de alivio pelo primeiro obstáculo, mas nesse instante o guarda dá um apito para Orlando parar, mas esse finge não entender e segue até poder acelerar, o guarda avisa aos companheiros que em menos de 12 horas ele passara pôr ali, que era suspeito, mas logo foi tranqüilizado pelo colega que poderia ser uma coincidência. Orlando vai se afastando daquele posto.
Mas a segurança ainda não era total, pois ainda tinha três posto até ele se livrar de fiscalizações. Foi chegando o outro posto, Orlando olha a foto da esposa e da Filha, olha para o céu e pede proteção a Deus, as árvores contornando a estrada, já não tinham tanta beleza, Orlando passa pôr uma ponte, o medo vai aumentando, logo adiante tem uma curva, e ele sabe que logo depois mais um posto. Orlando vai chegando, tenta tranqüilidade no olhar, e lentamente diminui a velocidade para não parecer suspeito, olhando firmemente para o posto policial, a estrada vai estreitando, avista um policial debruçado no caput de um carro da federal, este levanta a cabeça e num olhar firme, faz sinal para Orlando parar. Este para, o suor escorre, suas mãos tremem, olha para a foto e para o céu. O caminhão parado, o policial o olha nos olhos, Orlando nunca tinha visto aquele policial, este pede que tire a lona da carga, Orlando vai lentamente já se entregando, e o policial olha desconfiado, pede os documentos, vem se aproximando um outro policial, ambos se olham e pergunta : cadê a encomenda? Orlando diz que não sabe de nada. O policial vai até umas toras de madeiras e retira a encomenda. Orlando treme e tenta explicar, mas é algemado. Vai para a cadeia. Fica sem comunicação, não sabe o que aconteceu com sua filha.
Na cadeia recebe a visita de advogado, explica o que aconteceu, este sem acreditar na história de Orlando promete apurar o caso. Os dias se passam, Orlando conta o fato para o colega de sela, juntos estudam uma fuga. Numa noite, Orlando quando planejara a fuga, percebe que alguém facilitara, ele sai da cadeia e segue pela estrada, arranja uma carona e consegue chegar em casa. Encontra a casa vazia, desesperado vai até o vizinho e pergunta pela família este diz que há muito tempo sua esposa e filha tinham viajado. Orlando perambula pela rua. Toma uma decisão, pega a estrada de carona com outros caminhoneiros e chega até o posto policial em que fora preso. Fica vigiando o movimento e vê de longe o mesmo policial que o prendera. Fica até anoitecer e junto com o colega caminhoneiro, segue o policial até sua casa. Estuda todo o movimento, e descobre que o mesmo tem uma filha e uma esposa. Planeja um seqüestro. E no dia seguinte quando o policial vai trabalhar, Orlando invade a casa e leva a esposa e a filha amordaçadas até o caminhão. Do celular faz contato com o policial e exige explicações. Marcam um encontro informando que se acontecesse algo com ele a filha e a esposa seriam mortas. E o policial, apavorado concorda com o encontro. Orlando aguarda o policial num bar na estrada. Este chega com o mesmo cinismo do dia de sua prisão, mas com uma ponta de medo. Orlando prepara um soco, mas se controla. O policial senta, e Orlando marca dez minutos para ele falar, este então explica, que mandara a Celeste e Laiza para o Paraguai dizendo que Orlando fora preso e se ela tentasse contato, ficaria presa e Laiza seria mandada para o juizado de menores. Diz que o que rendeu naquela mercadoria, brevemente ele iria para a Europa, rico e feliz. Orlando pergunta por que fizera isso com ele, se nem se conheciam? O policial, com ar maldoso, diz que só Orlando poderia passar pelo posto anterior sem levantar suspeita. Orlando indignado diz; covarde, e dá um soco no rosto do policial. Nesse momento a sirena de policiais armados param no bar. O policial levanta as mãos fingindo-se de vítima e aponta para Orlando, os policiais cercam o bar. Orlando o olha nos olhos. E diz: você tá preso. Nesse momento, Orlando sob a mira dos policiais, levanta as mãos e diz: olhem em baixo de minha mesa.
Sob a mesa, havia um gravador.
O policial vai preso. Orlando exige o endereço de onde está sua esposa e filha. No dia seguinte o TV relata o ocorrido. Orlando recebe apoio da policia e vai até o Paraguai ao encontro de Celeste e Laiza.
Lira Vargas
Celeste mora em Rio bonito, seu marido Orlando é caminhoneiro, eles tem uma filha Laiza, de oito anos.
Foi numa tarde, Celeste dava os últimos acabamentos do vestido de noiva encomendado da filha de um rico fazendeiro do local. O telefone toca e alguém do outro lado da linha pergunta pôr Orlando, Celeste informa que ele esta no Paraguai trazendo produtos em seu caminhão e que só chegaria dois dias depois.
Na Quinta feira Orlando chegara, estavam jantando quando Celeste comenta sobre o telefonema, animada, pois haveria mais cargas para Orlando, logo que ela termina de falar, o telefone toca, Orlando atende e alguém informa que precisa falar com ele no bar da esquina, Orlando meio confuso, se despede de Celeste e diz que era mais trabalho.
Retorna cabisbaixo, Celeste pergunta e Orlando informa que não entendeu bem mais que tinha algo para trazer do Paraguai, e disseram que ele não precisaria ir com carga, pois o pagamento seria alto. Celeste olha pra Orlando e diz que não gostou da conversa. Orlando responde que se for carga suspeita, lá mesmo dispensaria.
Orlando pega a estrada na manhã seguinte. Chegando no Paraguai, encontra o contato, era para trazer toras de madeiras, mas no miolo das mesmas, tinha quantidades enormes de cocaína. Orlando ao saber, nega, diz que não aceitava trazer. Os homens então, informa que ele era o escolhido, pôr Ter muita prática da estrada e já era conhecido na patrulha federal, oferecem uma quantia enorme pelo trabalho. Orlando não aceita e vira as costa e parte. Era uma tarde quente de verão, no rádio tocava uma música melancólica, Orlando cantarolava, para disfarçar a decepção da despesa que tivera de combustível, pois ao negar, nem lembrou de cobrar a viagem. Colado ao painel do caminhão, estava a foto de Celestial e Laiza. Pôr elas não valia o risco. Orlando entra na divisa do Brasil, quando passa pela rodoviária, cumprimenta os guardas de plantão seguindo seu caminho. Já anoitecia, quando o celular toca, Orlando atende preocupado, tendo uma preocupação estranha, era Celeste desesperada, dizendo que Laiza fora seqüestrada e que alguém dizia que Orlando deveria retornar e concluir o trabalho que ele negara. Orlando joga o caminhão para o acostamento, pede a Celeste que repita tudo como se não acreditando. Diz para que ela tenha calma, que ele vai voltar, Celeste implora que ele não diga nada a polícia. Orlando retorna. Já era tarde, a noite caia, a preocupação tomara conta de seu semblante, e Orlando numa força desesperada, corria pelas estradas, os faróis iluminavam o suor de seu rosto, o medo o sufocava, mas ele tinha que salvar sua filha.
Chega no local já amanhecendo, os homens o esperavam, um deles cinicamente ri e pergunta se o “pai herói”estava disposto a ajudar. Orlando tenta partir para dar um soco nele, mas é impedido pelos outros. E nesse momento o homem chama os carregadores e começam a colocar a carga na carroceria do caminhão. Orlando sentado num degrau da madeireira pensa sem saída para aquele problema.
É terminada a colocação e Orlando levanta e vai até o homem e pergunta o que fazer com aquela maldita carga. O homem em poucas palavras diz que na estrada ele saberá, Orlando pergunta pela filha, ele responde que quando tudo estiver pronto, ela será devolvida, e que ele ficasse tranqüilo, ela estava em boas mãos e bem tratada. Orlando informa que teme pela saúde dela pois ela tem asma, o homem diz que já fora informado e que ela estava com os medicamentos em mãos. Orlando liga para Celeste para saber como ela está, Celeste chora muito no telefone e diz que aquela era a última comunicação, pois informaram que ela só poderia fazer contato quando Orlando chegasse em casa.
Orlando sobe na cabina, liga o caminhão e sai sem despedir para os homens, na estrada, o suor brotava, Orlando nervoso assiste o amanhecer, que tantas vezes era o espetáculo mais maravilhoso do dia, mas naquela manhã, Orlando lutava com a sorte.
Vai chegando perto da rodoviária, Orlando nervoso aperta o volante do caminhão, o medo vai tomando conta, ele olha para o posto policial e vai se aproximando, quando passava, cumprimentou como de costume os guardas, mas seu olhar encontra o mesmo guarda da noite anterior e este com olhar desconfiado olha o caminhão de Orlando se afastando, Orlando o olha pelo retrovisor, uma ponta de alivio pelo primeiro obstáculo, mas nesse instante o guarda dá um apito para Orlando parar, mas esse finge não entender e segue até poder acelerar, o guarda avisa aos companheiros que em menos de 12 horas ele passara pôr ali, que era suspeito, mas logo foi tranqüilizado pelo colega que poderia ser uma coincidência. Orlando vai se afastando daquele posto.
Mas a segurança ainda não era total, pois ainda tinha três posto até ele se livrar de fiscalizações. Foi chegando o outro posto, Orlando olha a foto da esposa e da Filha, olha para o céu e pede proteção a Deus, as árvores contornando a estrada, já não tinham tanta beleza, Orlando passa pôr uma ponte, o medo vai aumentando, logo adiante tem uma curva, e ele sabe que logo depois mais um posto. Orlando vai chegando, tenta tranqüilidade no olhar, e lentamente diminui a velocidade para não parecer suspeito, olhando firmemente para o posto policial, a estrada vai estreitando, avista um policial debruçado no caput de um carro da federal, este levanta a cabeça e num olhar firme, faz sinal para Orlando parar. Este para, o suor escorre, suas mãos tremem, olha para a foto e para o céu. O caminhão parado, o policial o olha nos olhos, Orlando nunca tinha visto aquele policial, este pede que tire a lona da carga, Orlando vai lentamente já se entregando, e o policial olha desconfiado, pede os documentos, vem se aproximando um outro policial, ambos se olham e pergunta : cadê a encomenda? Orlando diz que não sabe de nada. O policial vai até umas toras de madeiras e retira a encomenda. Orlando treme e tenta explicar, mas é algemado. Vai para a cadeia. Fica sem comunicação, não sabe o que aconteceu com sua filha.
Na cadeia recebe a visita de advogado, explica o que aconteceu, este sem acreditar na história de Orlando promete apurar o caso. Os dias se passam, Orlando conta o fato para o colega de sela, juntos estudam uma fuga. Numa noite, Orlando quando planejara a fuga, percebe que alguém facilitara, ele sai da cadeia e segue pela estrada, arranja uma carona e consegue chegar em casa. Encontra a casa vazia, desesperado vai até o vizinho e pergunta pela família este diz que há muito tempo sua esposa e filha tinham viajado. Orlando perambula pela rua. Toma uma decisão, pega a estrada de carona com outros caminhoneiros e chega até o posto policial em que fora preso. Fica vigiando o movimento e vê de longe o mesmo policial que o prendera. Fica até anoitecer e junto com o colega caminhoneiro, segue o policial até sua casa. Estuda todo o movimento, e descobre que o mesmo tem uma filha e uma esposa. Planeja um seqüestro. E no dia seguinte quando o policial vai trabalhar, Orlando invade a casa e leva a esposa e a filha amordaçadas até o caminhão. Do celular faz contato com o policial e exige explicações. Marcam um encontro informando que se acontecesse algo com ele a filha e a esposa seriam mortas. E o policial, apavorado concorda com o encontro. Orlando aguarda o policial num bar na estrada. Este chega com o mesmo cinismo do dia de sua prisão, mas com uma ponta de medo. Orlando prepara um soco, mas se controla. O policial senta, e Orlando marca dez minutos para ele falar, este então explica, que mandara a Celeste e Laiza para o Paraguai dizendo que Orlando fora preso e se ela tentasse contato, ficaria presa e Laiza seria mandada para o juizado de menores. Diz que o que rendeu naquela mercadoria, brevemente ele iria para a Europa, rico e feliz. Orlando pergunta por que fizera isso com ele, se nem se conheciam? O policial, com ar maldoso, diz que só Orlando poderia passar pelo posto anterior sem levantar suspeita. Orlando indignado diz; covarde, e dá um soco no rosto do policial. Nesse momento a sirena de policiais armados param no bar. O policial levanta as mãos fingindo-se de vítima e aponta para Orlando, os policiais cercam o bar. Orlando o olha nos olhos. E diz: você tá preso. Nesse momento, Orlando sob a mira dos policiais, levanta as mãos e diz: olhem em baixo de minha mesa.
Sob a mesa, havia um gravador.
O policial vai preso. Orlando exige o endereço de onde está sua esposa e filha. No dia seguinte o TV relata o ocorrido. Orlando recebe apoio da policia e vai até o Paraguai ao encontro de Celeste e Laiza.
Lira Vargas
ENTRE O REAL E O VIRTUAL
ENTRE O REAL E O VIRTUAL
Sheila, escritora de uma grande editora, recebe o convite para apresentar seu novo livro. Casada com Leopoldo, médico ortopedista bem sucedido em sua especialidade e grande admirador de Sheila, ambos repartiam suas profissões com respeito e muito amor. Sem filhos, o casal dedicam as horas noturnas para contarem como fora o dia e para trocarem carinho com a alegria de um casal feliz.
Amanheceu, Leopoldo despede-se de Sheila, depois das tarefas domésticas, entre uma ordem aqui, outra ali com as duas empregadas, chega a hora do almoço, depois Sheila desanca e só vai para o escritório na parte da tarde, iniciar o romance do livro comprometido com a editora.
Nos anos 50, Carolina completou dezesseis anos, o orfanato arranja um emprego num fábrica de soro de sua cidade. Trabalhando numa seção de altoclave ,próximo às
Caldeiras, na hora do almoço, quando vai para o refeitório, Carolina senta numa mesa e a sua frente está um rapaz moreno, meigo, que logo fazem amizade, Silvio, tinha vindo do nordeste, perdera seus pais de doença desconhecida, nasce daquela troca da experiência difícil de vida, uma grande amizade. Tornam-se namorados, e uma grande paixão unia aquele casal sofridos, da seção que Carolina trabalha, do outro lado fica as caldeira, onde Silvio é responsável pelo desempenho das mesmas, cuidando da temperatura e válvulas, Carolina sentia orgulho de sua função, ao meio daquela barulhada, da fumaça e dos apitos, Silvio ficava manchado de óleo, Carolina o amava há cada dia mais.
Foi numa tarde de inverno, fazia frio na fábrica, lá fora a chuva caia, fazendo as plantas do jardim da fábrica mais verde, da seção, Carolina olhava a chuva e pensava com ansiedade na hora de sair com seu grande amor. Nesse instante, uma turma de uns quatro diretores, percorriam a seção para uma avaliação, entre eles estava o Dr. Willis, presidente da empresa com seus cinqüenta anos, de olhar penetrante, bigode bem tratado, pele morena, de forte personalidade, parou diante da seção de Carolina, olhou-a firmemente, parecia que ia falar algo, Carolina tremeu diante aquele olhar, suas colegas a volta notaram o silencio, Carolina olhou em direção à caldeira, ao meio a fumaça lá estava Silvio trabalhando numa válvula que escapava fumaça branca.
Sheila dá um suspiro, estica os braços e com um sorriso de satisfação, salva o texto, e resolve dar uma navegada pela Internet, vai até um portal famoso, onde tem muitas salas, Sheila tem a intenção de conversar com alguém, para distrair até que descanse um pouco. Entra numa sala com o nick de Estrela. E alguém com o nick de Flamingo, chama-a para conversar. De trocas de informações banais, o papo estende-se pôr muito tempo, Sheila chega a ficar feliz com o Flamingo, uma alegria nunca sentida no mundo virtual, essa era a primeira vez que Sheila conversava com alguém nas salas de bate papo. Mas Sheila teve uma certa preocupação com a hora, pois tinha compromisso com o livro. No relógio do computador marcava dezenove horas, quase na hora de Leopoldo chegar, e quando a conversa estava animada, de repente Flamingo some da sala. Sheila fica olhando o visor com uma ponta de frustração. Desliga o computador e vai se arrumar para esperar Leopoldo chegar. E como toda noite, Sheila dá atenção a Leopoldo que fala do que acontecera durante o dia, e pergunta sobre o livro que Sheila escrevia, e vão para o quarto dormir. De madrugada, Sheila desperta pensando no Flamingo, dá um sorriso, acreditando que o mundo virtual, era fácil de construir e destruir, fica lembrando das palavras do flamingo, e até das risadas que escrevera no visor.
Dr. Willis sem cerimonia pergunta a chefe da seção, qual o nome daquela mocinha loira de olhos azuis que embalava o soro. A chefe responde que é Carolina. O Dr, Willis anota seu nome e vai embora. Carolina sente medo daquele homem, sabia que ele era o presidente da empresa, e se a mandasse embora? Seus pensamentos ficaram confusos, e mais ainda quando a chefe disse que ele perguntara seu nome. Na saída Carolina diz a Silvio o que acontecera, o mesmo a conforma, dizendo que ele deve Ter achado-a parecida com alguém. Numa manhã, quando chega a hora do lanche, a chefe da seção, diz para Carolina que o Dr. Willis queria falar algo e que ela deveria ir até sua sala. Na inocencia de sua situação, Carolina vai assustada, bate na porta do presidente da empresa, logo a secretária abre, Carolina parada em sua frente, as mãos tremulas, olhos no chão, no pensamento o medo de ser despedida. O Dr. Willis, levanta da mesa, abraça-a num falso carinho e oferece a cadeira para Carolina, que balbucia recusando sentar. O Dr. Willis, sem rodeio, pergunta se ela tinha namorado, Carolina, inocentemente responde que sim, esse dá uma pausa de silencio e oferece a ela uma grande quantia em dinheiro para que ela comprasse um vestido e calçados para um jantar que ele a convidava. Carolina nervosa, recusa, mas a imposição do Dr. Willis faz-a pegar, este informa o local do encontro e seria no dia seguinte. Dizendo que ela teria que guardar segredo daquela conversa. Carolina sai de sua sala assustada e chorando, vai ao vestuário e lava o rosto, confusa e assustada, Carolina conta a quantia, era três vezes seu salário. Passa o dia todo tremula, olhava para Silvio, não tinha coragem de falar, chega a tarde, quando soa o apito de final de expediente, Carolina vai ao encontro de Silvio, de mãos dadas, Silvio percebe seu nervosismo, pergunta, mas Carolina nada fala. O encontro seria no dia seguinte. Carolina morava sozinha em um quarto alugado num pensionato, a noite foi de sofrimento, como faria para sair daquela situação, o dinheiro permanecia intacto. Carolina toma uma decisão, no dia seguinte, entregaria o dinheiro, mas o medo que Dr. Willis a mandasse embora da fabrica, como faria, se já saíra do orfanato, alugara aquele quarto, todas essa perguntas a tormentaram durante a noite. E amanhece, Carolina vai para a fabrica, seu semblante era de sofrimento, ao chegar encontra rapidamente com Silvio, este pergunta se ela estava doente, Carolina nega com lágrimas nos olhos. No trabalho as pessoas percebem seu nervosismo, mas silenciosamente, Carolina vivia um turbilhao de angustia. Antes do almoço o Dr. Willis mandou chama-la, Carolina tomou um susto, e obedeceu, foi até sua sala, o corredor longo, de muitas portas fechadas, ela ouvia as teclas das maquinas de datilografia que pareciam aplausos a cada passo. Chega a sala do Dr. Willis, este fecha a porta e pergunta se ela estava preparada para o jantar que seria num hotel de luxo. Carolina de cabeça baixa, acena que não, este então diz que lamentava mas que seu emprego e do Silvio seu namorado estava perdido. Carolina imediatamente suplica que ele a perdoasse, ela aceitaria. Dr. Willis, dá um sorriso, aproxima-se de Carolina, aperta levemente seu ombro, passa as mãos pelo seu corpo, imovel, gelado e tremulo, percebe que Carolina é virgem, e sorrindo de triunfo, o Dr. Willis, dá um abraço nela, e diz que ela deve ir para o trabalho, que a noite seria de muita alegria. Carolina retorna pêlos corredores, as maquinas de datilografia agora, pareciam dar gargalhadas assustadoras, Carolina corre, as lagrimas rolando, colando os fios de seus cabelos pelo rosto. As horas foram passando, a tarde chega rápida, Carolina trabalha incansável na seção, silenciosa, de vez em quando sentia o olhar de Silvio, ansioso, perguntando o que estava acontecendo. Carolina o olha pôr um instante, a ansiedade de correr até seus braços e pedir ajuda. Permanecem assim pôr uns instantes. O tempo vai passando, a tarde findava, logo ela estaria caminhando para o encontro do Dr. Willis para garantir emprego dela e do Silvio, o medo e a raiva se misturavam em seu coração quando antes só havia amor e felicidade depois que conhecera Silvio, pois de sua vida no orfanato trazia solidão e sofrimento.
Sheila, olha para o relógio, dezenove horas, lembra do Flamingo, dá um sorriso, salva o texto e vai até a sala, a sua procura, e lá estava o Flamingo, parecia silencioso o monitor nesse instante. E num cumprimento de novos amigos, timidamente, falam e perguntam como fora o dia. Depois de alguns instantes, Flamingo a convida para um beijo virtual, Sheila dá um sorriso, como seria um beijo virtual, Flamingo diz que bastaria ela fechar os olhos e ficar silenciosa, que ele se transportaria até ela, que imaginassem juntos as pedras do Arpoador, que desceriam até perto do mar, que as ondas jogariam chuvas do mar para abençoarem aquela união. Sheila fica silenciosa, se deixa transportar até a praia, e sente suas mãos tocando as suas, sente seu corpo unindo-se ao dela, uma alegria imaginária, mas que chegava verdadeira até sua alma. E como Estrela, prateia as asas de Flamingo, numa cena misteriosa, mergulham no mar azul, até as profundezas do infinito. Quando, nas areias do fundo do mar, os peixes passeiam em seus corpos, em juras de amor virtual eterno, Flamingo a convida para voltar a tona. Sheila acorda daquela sensação, fica estarrecida olhando o visor vazio, Flamingo sai sem uma despedida, Sheila, percebe que está suada e tremula, da alegria que sentira do primeiro encontro, que agora se transformava em preocupação e ansiedade, pensando com pena que o novo encontro seria no dia seguinte.
Rodolfo chega, abraça Sheila que parecia distante, a preocupação o faz perguntar o que acontecera, Sheila sem saber o que responder, diz que o livro a preocupava, que se envolvia com os personagens. Rodolfo quer ler o livro, Sheila nega, mas a insistência de Rodolfo a irrita, mas vai até o computador e mostra o romance, e sobre o sorriso de admiração, Rodolfo a abraça parabenizando-a, diz que Carolina terá que sair daquela situação, que Sheila tivesse muito cuidado para não estragar aquele romance. Nesse momento, Sheila se envolve com o entusiasmo de Rodolfo, e de seu coração brota o amor real, e o abraça agradecida pela força que ela dá em sua obra.
Seus pensamentos vão tomando forma, olha para Silvio, decididamente, Carolina para de trabalhar, vai se afastando da esteira, os frascos de soro acumulando-se um pôr cima do outro, Carolina retorna, tem que continuar, nesse instante soa o alarme de incentivo, uma explosão seguida de fumaça negra, Carolina pensa em Silvio, ele estaria nas caldeiras em chamas, as pessoas correm em direção à saída, Carolina ao contrário corre até o local do incêndio, ao meio da fumaça, Silvio estava caído, Carolina grita seu nome, mergulha no vapor quente, arrasta destemperadamente Silvio até a porta, num esforço sobre humano, Carolina vai arrastando seu corpo misturado a óleo, nesse instante alguém grita que ela tinha que sair dali, mas Carolina não obedece, tinha que salvar seu grande amor. Nesse instante uma outra explosão, o telhado cai pesadamente sobre as penas de Silvio, e silencio total. Carolina acorda no hospital, fica sabendo que Silvio perdera a perna. Passado os meses, Carolina recupera os ferimentos, volta a trabalhar. O Dr. Willis aguarda a primeira oportunidade para retornar a marcar um novo encontro. Silvio não mais trabalhava, e em uma de suas visitas, Silvio diz a Carolina que o médico dissera que havia uma chance dele voltar a andar, que havia prótese, mas era muito cara. Carolina de frente ao Dr. Willis, lembra da importância de uma prótese. Implora ao dr. Willis o valor da prótese, que ela não usara o dinheiro que ele dera, mas que precisava de um valor dez vezes mais. Este concorda, mas a condição seria dela nunca mais encontrar Silvio. Carolina aceita ,e o Dr. Willis manda a secretária providencia uma clinica de próteses.
Na solidão dos dias em casa, Silvio sofre a saudade e o desprezo de Carolina, sem saber que essa seria a condição dele voltar a andar.
Numa tarde de verão, o Dr. Willis, marca com Carolina, esta deveria espera-lo no ponto do ônibus em frente a fábrica bem depois que os funcionários teriam ido embora. Carolina com o coração apertado vai para o ponto. Os ônibus paravam bruscamente levantando poeira, Carolina olha para o portão da fabrica, e percebe o dr. Willis caminhando até seu carro, Carolina esfrega as mãos uma na outra, o coração dispara, a lagrima desce uma após outra em seu rosto. Para um ônibus, ela olha para o itinerário, Rio Bonito, o ônibus da cidade de Silvio, Carolina ameaça subir no ônibus, o portão da fabrica se abre, um farol ilumina seu rosto, e a lembrança de Silvio chega.
Sheila para, salva o texto e vai ansiosa até a sala, agora desejando encontrar Flamingo, e lá estava seu pássaro misterioso. Num breve cumprimento, Sheila percebe a ansiedade sendo reciproca, as teclas traduziam suas almas, dessa vez navegaram do infinito mar, subiram ao céu e se acomodaram em blocos de nuvens para amar rodeados do céu azul e o silencio do infinito. Saborearam a frescura das nuvens, e nesse instante passa um avião, acordam do torpor, E sorrindo em nas teclas cúmplices daquele estranho amor, onde o mundo virtual era mais leve, mais fácil de ser feliz. Flamingo então diz que o amor era verdadeiro, que eles deveriam marcar um encontro real. Sheila toma um susto, mas concorda com a idéia, marcaram de se encontrar num bar em Copacabana, ele vestiria blusão azul marinho e calça jeans, Sheila queria ver o rosto daquele misterioso pássaro virtual. Marcam para a tarde seguinte. E Flamingo some do visor. Sheila fica parada, se perguntando se deveria ir ao encontro. Leopoldo chega, Sheila esta tranqüila, parecia que nada acontecera, consegue nessa noite administrar aquela situação. Quando vão para o quarto, Leopoldo abraça Sheila com carinho, mas essa recusa carinhosamente seu abraço dizendo que precisava retornar ao livro, pois tivera uma idéia para o trecho que parara. Leopoldo compreensivo, beija-a e Sheila levanta para o escritório.
O farol do carro vai se aproximando, o ônibus parado, o vento soprando forte, era inicio da noite, alguém passou cantando ... é tão calma a noite, a noite é de nós dois, ninguém amou assim, nem amará depois, quando a manhã nos separar, em nossas lembranças, hão de ficar..." o ônibus se afasta, as luzes vão ficando cada vez mais longe, o farol do carro do Dr. Willis apagam. Carolina paga a passagem, e senta no banco perto do motorista, como se assim ele correria mais e mais. Chega na casa de Silvio, ele estava na janela como a espera-la. Carolina entra e abraça-o, Silvio segura seu rosto suado, já adaptado a prótese, Silvio a leva até seu quarto, e se amam. Quando amanhece, Carolina o olha com carinho, tinha que ir trabalhar. Agora estava feliz. Vai para o ponto do ônibus, lembrando da musica de Moacir Franco,...é tão calma a noite...quando a manha nos separar...
Chega na fabrica, vai até o escritório do Dr. Wiilis, e diz que no dia anterior, ela teve muito medo, mas que agora estava pronta para ser dele.
Sheila desliga o monitor e volta para acama. Leopoldo dormia, deita com cuidado ao seu lado e adormece.
Na tarde seguinte, Sheila se arruma, passa pela sala do computador, e suspira, não tinha escrito nada naquele dia, a espera do encontro. Segue em direção a Copacabana, no túnel um acidente atrapalha o transito, irritada, Sheila desvia o carro batendo no meio fio, consegue chegar no encontro atrasada quase uma hora, vai até o local, o coração disparando, mas nas mesas não tinha ninguém de roupa azul marinho. Triste, Carolina volta pra casa, vai direto para o monitor, e seu Flamingo não estava lá. Espera ansiosa pela chegada de seus pássaro, diria tudo que guardara no visor da saudade e do desejo.
O Dr. Willis abraça Carolina carinhosamente e olhando-a nos olhos, diz baixinho que seu amor era grande muito grande pôr ela, e que a faria a mulher mais feliz do mundo, tira do bolso um anel com um coração e diz : volte para seu trabalho, e para seu namorado, quero que vocês sejam felizes. Nunca mais exigirei nada de você.
Carolina levanta o rosto, dá um beijo em seu rosto, um beijo de agradecimento e sai sorrindo da sua sala. Ao passas pelo corredor, as maquinas de datilografia aplaudiam sua felicidade.
No termino do expediente, Carolina vai para a casa de Silvio para sempre.
Sheila para acaba o texto, vai até as salas de conversa, Flamingo na estava lá. Nesse instante o telefone toca, Sheila fica sabendo que Leopoldo sofrera um acidente, Sheila vai para o hospital, fica sabendo que Leopoldo sofrera o acidente no túnel, Sheila fica apreensiva, justamente o acidente que ela não parou para olhar e a fizera chegar atrasada no encontro. Sheila chora desesperada, fica sabendo que Leopoldo perdera a perna no acidente. Uma enfermeira entrega sua roupa num saco plástico. Na sala de cirurgia Leopoldo lutava contra a morte. Sheila na sala de espera, orava, pedia a Deus que o salvasse, Sheila percebe a roupa muito escura dentro da sacola, olha assustada, o sangue em quantidade, a roupa rasgada, Sheila tira de dentro da sacola um blusão azul marinho e uma calça jeans.
Sheila fica parada, segurando aquelas roupas rasgadas de seu Flamingo, e como uma estrela, Sheila vai até o céu pedir a Deus que o salve.
Passaram os anos, Sheila e Leopoldo vivem felizes, mas nunca comentaram sobre o que acontecera.
Lira Vargas.
Sheila, escritora de uma grande editora, recebe o convite para apresentar seu novo livro. Casada com Leopoldo, médico ortopedista bem sucedido em sua especialidade e grande admirador de Sheila, ambos repartiam suas profissões com respeito e muito amor. Sem filhos, o casal dedicam as horas noturnas para contarem como fora o dia e para trocarem carinho com a alegria de um casal feliz.
Amanheceu, Leopoldo despede-se de Sheila, depois das tarefas domésticas, entre uma ordem aqui, outra ali com as duas empregadas, chega a hora do almoço, depois Sheila desanca e só vai para o escritório na parte da tarde, iniciar o romance do livro comprometido com a editora.
Nos anos 50, Carolina completou dezesseis anos, o orfanato arranja um emprego num fábrica de soro de sua cidade. Trabalhando numa seção de altoclave ,próximo às
Caldeiras, na hora do almoço, quando vai para o refeitório, Carolina senta numa mesa e a sua frente está um rapaz moreno, meigo, que logo fazem amizade, Silvio, tinha vindo do nordeste, perdera seus pais de doença desconhecida, nasce daquela troca da experiência difícil de vida, uma grande amizade. Tornam-se namorados, e uma grande paixão unia aquele casal sofridos, da seção que Carolina trabalha, do outro lado fica as caldeira, onde Silvio é responsável pelo desempenho das mesmas, cuidando da temperatura e válvulas, Carolina sentia orgulho de sua função, ao meio daquela barulhada, da fumaça e dos apitos, Silvio ficava manchado de óleo, Carolina o amava há cada dia mais.
Foi numa tarde de inverno, fazia frio na fábrica, lá fora a chuva caia, fazendo as plantas do jardim da fábrica mais verde, da seção, Carolina olhava a chuva e pensava com ansiedade na hora de sair com seu grande amor. Nesse instante, uma turma de uns quatro diretores, percorriam a seção para uma avaliação, entre eles estava o Dr. Willis, presidente da empresa com seus cinqüenta anos, de olhar penetrante, bigode bem tratado, pele morena, de forte personalidade, parou diante da seção de Carolina, olhou-a firmemente, parecia que ia falar algo, Carolina tremeu diante aquele olhar, suas colegas a volta notaram o silencio, Carolina olhou em direção à caldeira, ao meio a fumaça lá estava Silvio trabalhando numa válvula que escapava fumaça branca.
Sheila dá um suspiro, estica os braços e com um sorriso de satisfação, salva o texto, e resolve dar uma navegada pela Internet, vai até um portal famoso, onde tem muitas salas, Sheila tem a intenção de conversar com alguém, para distrair até que descanse um pouco. Entra numa sala com o nick de Estrela. E alguém com o nick de Flamingo, chama-a para conversar. De trocas de informações banais, o papo estende-se pôr muito tempo, Sheila chega a ficar feliz com o Flamingo, uma alegria nunca sentida no mundo virtual, essa era a primeira vez que Sheila conversava com alguém nas salas de bate papo. Mas Sheila teve uma certa preocupação com a hora, pois tinha compromisso com o livro. No relógio do computador marcava dezenove horas, quase na hora de Leopoldo chegar, e quando a conversa estava animada, de repente Flamingo some da sala. Sheila fica olhando o visor com uma ponta de frustração. Desliga o computador e vai se arrumar para esperar Leopoldo chegar. E como toda noite, Sheila dá atenção a Leopoldo que fala do que acontecera durante o dia, e pergunta sobre o livro que Sheila escrevia, e vão para o quarto dormir. De madrugada, Sheila desperta pensando no Flamingo, dá um sorriso, acreditando que o mundo virtual, era fácil de construir e destruir, fica lembrando das palavras do flamingo, e até das risadas que escrevera no visor.
Dr. Willis sem cerimonia pergunta a chefe da seção, qual o nome daquela mocinha loira de olhos azuis que embalava o soro. A chefe responde que é Carolina. O Dr, Willis anota seu nome e vai embora. Carolina sente medo daquele homem, sabia que ele era o presidente da empresa, e se a mandasse embora? Seus pensamentos ficaram confusos, e mais ainda quando a chefe disse que ele perguntara seu nome. Na saída Carolina diz a Silvio o que acontecera, o mesmo a conforma, dizendo que ele deve Ter achado-a parecida com alguém. Numa manhã, quando chega a hora do lanche, a chefe da seção, diz para Carolina que o Dr. Willis queria falar algo e que ela deveria ir até sua sala. Na inocencia de sua situação, Carolina vai assustada, bate na porta do presidente da empresa, logo a secretária abre, Carolina parada em sua frente, as mãos tremulas, olhos no chão, no pensamento o medo de ser despedida. O Dr. Willis, levanta da mesa, abraça-a num falso carinho e oferece a cadeira para Carolina, que balbucia recusando sentar. O Dr. Willis, sem rodeio, pergunta se ela tinha namorado, Carolina, inocentemente responde que sim, esse dá uma pausa de silencio e oferece a ela uma grande quantia em dinheiro para que ela comprasse um vestido e calçados para um jantar que ele a convidava. Carolina nervosa, recusa, mas a imposição do Dr. Willis faz-a pegar, este informa o local do encontro e seria no dia seguinte. Dizendo que ela teria que guardar segredo daquela conversa. Carolina sai de sua sala assustada e chorando, vai ao vestuário e lava o rosto, confusa e assustada, Carolina conta a quantia, era três vezes seu salário. Passa o dia todo tremula, olhava para Silvio, não tinha coragem de falar, chega a tarde, quando soa o apito de final de expediente, Carolina vai ao encontro de Silvio, de mãos dadas, Silvio percebe seu nervosismo, pergunta, mas Carolina nada fala. O encontro seria no dia seguinte. Carolina morava sozinha em um quarto alugado num pensionato, a noite foi de sofrimento, como faria para sair daquela situação, o dinheiro permanecia intacto. Carolina toma uma decisão, no dia seguinte, entregaria o dinheiro, mas o medo que Dr. Willis a mandasse embora da fabrica, como faria, se já saíra do orfanato, alugara aquele quarto, todas essa perguntas a tormentaram durante a noite. E amanhece, Carolina vai para a fabrica, seu semblante era de sofrimento, ao chegar encontra rapidamente com Silvio, este pergunta se ela estava doente, Carolina nega com lágrimas nos olhos. No trabalho as pessoas percebem seu nervosismo, mas silenciosamente, Carolina vivia um turbilhao de angustia. Antes do almoço o Dr. Willis mandou chama-la, Carolina tomou um susto, e obedeceu, foi até sua sala, o corredor longo, de muitas portas fechadas, ela ouvia as teclas das maquinas de datilografia que pareciam aplausos a cada passo. Chega a sala do Dr. Willis, este fecha a porta e pergunta se ela estava preparada para o jantar que seria num hotel de luxo. Carolina de cabeça baixa, acena que não, este então diz que lamentava mas que seu emprego e do Silvio seu namorado estava perdido. Carolina imediatamente suplica que ele a perdoasse, ela aceitaria. Dr. Willis, dá um sorriso, aproxima-se de Carolina, aperta levemente seu ombro, passa as mãos pelo seu corpo, imovel, gelado e tremulo, percebe que Carolina é virgem, e sorrindo de triunfo, o Dr. Willis, dá um abraço nela, e diz que ela deve ir para o trabalho, que a noite seria de muita alegria. Carolina retorna pêlos corredores, as maquinas de datilografia agora, pareciam dar gargalhadas assustadoras, Carolina corre, as lagrimas rolando, colando os fios de seus cabelos pelo rosto. As horas foram passando, a tarde chega rápida, Carolina trabalha incansável na seção, silenciosa, de vez em quando sentia o olhar de Silvio, ansioso, perguntando o que estava acontecendo. Carolina o olha pôr um instante, a ansiedade de correr até seus braços e pedir ajuda. Permanecem assim pôr uns instantes. O tempo vai passando, a tarde findava, logo ela estaria caminhando para o encontro do Dr. Willis para garantir emprego dela e do Silvio, o medo e a raiva se misturavam em seu coração quando antes só havia amor e felicidade depois que conhecera Silvio, pois de sua vida no orfanato trazia solidão e sofrimento.
Sheila, olha para o relógio, dezenove horas, lembra do Flamingo, dá um sorriso, salva o texto e vai até a sala, a sua procura, e lá estava o Flamingo, parecia silencioso o monitor nesse instante. E num cumprimento de novos amigos, timidamente, falam e perguntam como fora o dia. Depois de alguns instantes, Flamingo a convida para um beijo virtual, Sheila dá um sorriso, como seria um beijo virtual, Flamingo diz que bastaria ela fechar os olhos e ficar silenciosa, que ele se transportaria até ela, que imaginassem juntos as pedras do Arpoador, que desceriam até perto do mar, que as ondas jogariam chuvas do mar para abençoarem aquela união. Sheila fica silenciosa, se deixa transportar até a praia, e sente suas mãos tocando as suas, sente seu corpo unindo-se ao dela, uma alegria imaginária, mas que chegava verdadeira até sua alma. E como Estrela, prateia as asas de Flamingo, numa cena misteriosa, mergulham no mar azul, até as profundezas do infinito. Quando, nas areias do fundo do mar, os peixes passeiam em seus corpos, em juras de amor virtual eterno, Flamingo a convida para voltar a tona. Sheila acorda daquela sensação, fica estarrecida olhando o visor vazio, Flamingo sai sem uma despedida, Sheila, percebe que está suada e tremula, da alegria que sentira do primeiro encontro, que agora se transformava em preocupação e ansiedade, pensando com pena que o novo encontro seria no dia seguinte.
Rodolfo chega, abraça Sheila que parecia distante, a preocupação o faz perguntar o que acontecera, Sheila sem saber o que responder, diz que o livro a preocupava, que se envolvia com os personagens. Rodolfo quer ler o livro, Sheila nega, mas a insistência de Rodolfo a irrita, mas vai até o computador e mostra o romance, e sobre o sorriso de admiração, Rodolfo a abraça parabenizando-a, diz que Carolina terá que sair daquela situação, que Sheila tivesse muito cuidado para não estragar aquele romance. Nesse momento, Sheila se envolve com o entusiasmo de Rodolfo, e de seu coração brota o amor real, e o abraça agradecida pela força que ela dá em sua obra.
Seus pensamentos vão tomando forma, olha para Silvio, decididamente, Carolina para de trabalhar, vai se afastando da esteira, os frascos de soro acumulando-se um pôr cima do outro, Carolina retorna, tem que continuar, nesse instante soa o alarme de incentivo, uma explosão seguida de fumaça negra, Carolina pensa em Silvio, ele estaria nas caldeiras em chamas, as pessoas correm em direção à saída, Carolina ao contrário corre até o local do incêndio, ao meio da fumaça, Silvio estava caído, Carolina grita seu nome, mergulha no vapor quente, arrasta destemperadamente Silvio até a porta, num esforço sobre humano, Carolina vai arrastando seu corpo misturado a óleo, nesse instante alguém grita que ela tinha que sair dali, mas Carolina não obedece, tinha que salvar seu grande amor. Nesse instante uma outra explosão, o telhado cai pesadamente sobre as penas de Silvio, e silencio total. Carolina acorda no hospital, fica sabendo que Silvio perdera a perna. Passado os meses, Carolina recupera os ferimentos, volta a trabalhar. O Dr. Willis aguarda a primeira oportunidade para retornar a marcar um novo encontro. Silvio não mais trabalhava, e em uma de suas visitas, Silvio diz a Carolina que o médico dissera que havia uma chance dele voltar a andar, que havia prótese, mas era muito cara. Carolina de frente ao Dr. Willis, lembra da importância de uma prótese. Implora ao dr. Willis o valor da prótese, que ela não usara o dinheiro que ele dera, mas que precisava de um valor dez vezes mais. Este concorda, mas a condição seria dela nunca mais encontrar Silvio. Carolina aceita ,e o Dr. Willis manda a secretária providencia uma clinica de próteses.
Na solidão dos dias em casa, Silvio sofre a saudade e o desprezo de Carolina, sem saber que essa seria a condição dele voltar a andar.
Numa tarde de verão, o Dr. Willis, marca com Carolina, esta deveria espera-lo no ponto do ônibus em frente a fábrica bem depois que os funcionários teriam ido embora. Carolina com o coração apertado vai para o ponto. Os ônibus paravam bruscamente levantando poeira, Carolina olha para o portão da fabrica, e percebe o dr. Willis caminhando até seu carro, Carolina esfrega as mãos uma na outra, o coração dispara, a lagrima desce uma após outra em seu rosto. Para um ônibus, ela olha para o itinerário, Rio Bonito, o ônibus da cidade de Silvio, Carolina ameaça subir no ônibus, o portão da fabrica se abre, um farol ilumina seu rosto, e a lembrança de Silvio chega.
Sheila para, salva o texto e vai ansiosa até a sala, agora desejando encontrar Flamingo, e lá estava seu pássaro misterioso. Num breve cumprimento, Sheila percebe a ansiedade sendo reciproca, as teclas traduziam suas almas, dessa vez navegaram do infinito mar, subiram ao céu e se acomodaram em blocos de nuvens para amar rodeados do céu azul e o silencio do infinito. Saborearam a frescura das nuvens, e nesse instante passa um avião, acordam do torpor, E sorrindo em nas teclas cúmplices daquele estranho amor, onde o mundo virtual era mais leve, mais fácil de ser feliz. Flamingo então diz que o amor era verdadeiro, que eles deveriam marcar um encontro real. Sheila toma um susto, mas concorda com a idéia, marcaram de se encontrar num bar em Copacabana, ele vestiria blusão azul marinho e calça jeans, Sheila queria ver o rosto daquele misterioso pássaro virtual. Marcam para a tarde seguinte. E Flamingo some do visor. Sheila fica parada, se perguntando se deveria ir ao encontro. Leopoldo chega, Sheila esta tranqüila, parecia que nada acontecera, consegue nessa noite administrar aquela situação. Quando vão para o quarto, Leopoldo abraça Sheila com carinho, mas essa recusa carinhosamente seu abraço dizendo que precisava retornar ao livro, pois tivera uma idéia para o trecho que parara. Leopoldo compreensivo, beija-a e Sheila levanta para o escritório.
O farol do carro vai se aproximando, o ônibus parado, o vento soprando forte, era inicio da noite, alguém passou cantando ... é tão calma a noite, a noite é de nós dois, ninguém amou assim, nem amará depois, quando a manhã nos separar, em nossas lembranças, hão de ficar..." o ônibus se afasta, as luzes vão ficando cada vez mais longe, o farol do carro do Dr. Willis apagam. Carolina paga a passagem, e senta no banco perto do motorista, como se assim ele correria mais e mais. Chega na casa de Silvio, ele estava na janela como a espera-la. Carolina entra e abraça-o, Silvio segura seu rosto suado, já adaptado a prótese, Silvio a leva até seu quarto, e se amam. Quando amanhece, Carolina o olha com carinho, tinha que ir trabalhar. Agora estava feliz. Vai para o ponto do ônibus, lembrando da musica de Moacir Franco,...é tão calma a noite...quando a manha nos separar...
Chega na fabrica, vai até o escritório do Dr. Wiilis, e diz que no dia anterior, ela teve muito medo, mas que agora estava pronta para ser dele.
Sheila desliga o monitor e volta para acama. Leopoldo dormia, deita com cuidado ao seu lado e adormece.
Na tarde seguinte, Sheila se arruma, passa pela sala do computador, e suspira, não tinha escrito nada naquele dia, a espera do encontro. Segue em direção a Copacabana, no túnel um acidente atrapalha o transito, irritada, Sheila desvia o carro batendo no meio fio, consegue chegar no encontro atrasada quase uma hora, vai até o local, o coração disparando, mas nas mesas não tinha ninguém de roupa azul marinho. Triste, Carolina volta pra casa, vai direto para o monitor, e seu Flamingo não estava lá. Espera ansiosa pela chegada de seus pássaro, diria tudo que guardara no visor da saudade e do desejo.
O Dr. Willis abraça Carolina carinhosamente e olhando-a nos olhos, diz baixinho que seu amor era grande muito grande pôr ela, e que a faria a mulher mais feliz do mundo, tira do bolso um anel com um coração e diz : volte para seu trabalho, e para seu namorado, quero que vocês sejam felizes. Nunca mais exigirei nada de você.
Carolina levanta o rosto, dá um beijo em seu rosto, um beijo de agradecimento e sai sorrindo da sua sala. Ao passas pelo corredor, as maquinas de datilografia aplaudiam sua felicidade.
No termino do expediente, Carolina vai para a casa de Silvio para sempre.
Sheila para acaba o texto, vai até as salas de conversa, Flamingo na estava lá. Nesse instante o telefone toca, Sheila fica sabendo que Leopoldo sofrera um acidente, Sheila vai para o hospital, fica sabendo que Leopoldo sofrera o acidente no túnel, Sheila fica apreensiva, justamente o acidente que ela não parou para olhar e a fizera chegar atrasada no encontro. Sheila chora desesperada, fica sabendo que Leopoldo perdera a perna no acidente. Uma enfermeira entrega sua roupa num saco plástico. Na sala de cirurgia Leopoldo lutava contra a morte. Sheila na sala de espera, orava, pedia a Deus que o salvasse, Sheila percebe a roupa muito escura dentro da sacola, olha assustada, o sangue em quantidade, a roupa rasgada, Sheila tira de dentro da sacola um blusão azul marinho e uma calça jeans.
Sheila fica parada, segurando aquelas roupas rasgadas de seu Flamingo, e como uma estrela, Sheila vai até o céu pedir a Deus que o salve.
Passaram os anos, Sheila e Leopoldo vivem felizes, mas nunca comentaram sobre o que acontecera.
Lira Vargas.
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