terça-feira, 12 de maio de 2009

CANTIGA DO FERRALHEIRO

CANTIGA DO FERRALHEIRO

Fiz brasa do aço, até queimei minhas mãos, amei tanto Maria
Que fiz do aço os trilhos que tão finos e brilhantes, escorregava o trem
Dei seu nome Maria, Maria Fumaça,
Fumaça branca que se misturava as nuvens.
Fiz brasa do aço que fiz um sino na Maria Fumaça
Sorria quando badalava na estação da Trindade
Nem era domingo nem era igreja, era apenas um sino
Que nem sei por que Maria Fumaça levava esse sino.
Fiz brasa do aço, que fiz um apito, de tão fino o apito
Que ao sair da estação, parecia canção eu ouvia na curva
O apito de Maria, Maria Fumaça que levava nos trilhos
Gente, boiada, e carvão.
Suas rodas de aço, brasa no forno, vagão de madeira
Descia ladeiras apitando canção
Lá ia Maria, Maria Fumaça levando saudade
Adeuses nas estradas, espantando boiada, deslizando nos trilhos
Trazendo alegria, badalando o sino
Queimando meu coração.
Minhas mãos já queimadas alisava Maria
Maria Fumaça passava lá fora, apitando
Rompendo o silencio da noite, fazendo sorrir
Em meus braço, Maria, que corria a janela
Para dar adeus a Maria Fumaça
Seria a Maria Fumaça ou outro alguém
Que quando apitava Maria Fumaça
Em outra estação estaria esperando Maria.
Maria ninguém.
Maria que partiu para longe, e até hoje
Queimadura nas mão, e no coração também.
Fiz brasa no aço, e no coração também
Adeus Maria, Maria Fumaça
Queimei meus olhos para não ver Maria Fumaça
Mas o som do sino e do apito
Me trazem lembranças da Maria, e da Maria Fumaça
Também, trem, trem, Maria, trem.

Lira Vargas.

Publicação: www.paralerepensar.com.br 27/11/2007

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