sexta-feira, 22 de maio de 2009

DE UMA MAE PARA TODOS OS FILHOS

DE UMA MÃE PARA TODOS OS FILHOS

Um dia percebi que você estava em meu ventre. Acariciei, sorri e me perguntei qual nome daria a você, se for menino será João, se for menina... Maria. Tinha manhãs que eu acordava enjoada, chegava a vomitar, mas nesse momento segurava meu ventre, como a proteger você. O tempo passava, você crescia dentro de mim, pesava, mas eu estava feliz, ansiosa por sua chegada. Você chegou, um anjo com rosto de neném, e quando chorava, eu alimentava com meu sangue transformado em leite, magia da natureza!
Nesse dia das mães, quero pedir a você, que quando eu não puder lembrar aonde guardei meus chinelos, não perca a paciência, porque quando você perdia os seus, eu procurava no quintal ou me abaixava a procurar sob as camas ou móveis. Quero pedir que o dia que eu contar um caso que você já conhece, não perca a paciência, ouça, porque muitas vezes você chegava para contar um caso, e mesmo que eu soubesse, eu ouvia e fazia cara de admiração, como se fosse novidade. Quero pedir que se minhas mãos tremerem e eu entornar a água do copo, não brigue comigo, pois quando você estava aprendendo a segurar seus copinhos de plástico, muitas vezes você entornou e assustado me olhava e eu dizia que daria água outra vez. Quero pedir que quando eu fizer minhas necessidades na roupa, não sinta nojo, muitas vezes lavei suas roupas ansiando que o sol secasse para que você não ficasse com frio. Quero pedir que seu não puder ler ou escrever um recado que falaram por telefone, não perca a paciência, porque muitas vezes o ajudei sorrindo nas tarefas de casa. Quero pedir que se eu esquecer o nome de seu melhor amigo numa festa, não sinta vergonha de mim, muitas vezes você perguntou o nome de algum parente e sorrindo eu dizia inventando uma desculpa para não envergonhá-lo. Quero pedir que se um dia eu não quiser me levantar da cama no quarto dos fundos, não insista, eu deverei estar cansada, feche a porta e me deixe, quem sabe estarei envolvida em alguma lembrança do passado, pois um dia você pediu para ficar a só, quem sabe sonhando com seu futuro. Quero pedir que se um dia eu estiver chorona, não perca a paciência, quem sabe estarei com saudade das pessoas que fizeram parte de minha vida, pois muitas vezes você chorava e eu o aconchegava em meu peito, e acalentava na vontade de fazer o choro virar riso. Quero pedir, que se um dia meus passos estiverem lentos, e meu chinelos arrastarem pelo corredor, não me apresse, pois um dia segurei suas mãos para ajudar nos seus primeiros passos. Quero pedir que quando eu estiver silenciosa, olhando para o nada, não diga que estou caduca, posso estar lembrando de quando você me olhava quando era neném. Quero pedir que se eu não ouvir algum assunto, não grite, pois posso estar ficando surda, mas perceberei sua expressão de impaciência, pois quando ouvia seus gritos, o alertava para falar baixo para que você fosse uma pessoa educada. Esses pedidos, meu filho, são para que quando eu estiver no leito da morte, você possa ficar ao meu lado e não chorar, mas se chorar que seja de saudade e não de remorso. Mas se for de remorso, eu o perdoarei meu filho.

Lira Vargas
09.05.2008.

Nenhum comentário: