UMA MULHER NO COTIDIANO
Para o dia internacional da mulher
Dedico esse dia a Miriam e a todas as mães de filhos especiais.
A buzina do micro ônibus ecoa num sinal de impaciência do motorista. Miriam abre o portão, nas mãos a bolsa de seu neném esta cheia, na outra, uma sacola de viagem pesada, cheia de roupas para vender, no ombro a bolsa a tiracolo e nos braços seu filho de dez anos, corre para não piorar o mau humor do motorista do transporte comunitário da prefeitura.
Nicolas ‘e um menino loirinho, sorridente, feliz ao ver o ônibus que o leva três vezes por semana para a clinica de reabilitação. Com dez anos, mas tem tamanho de uma criança de três anos, não fala, teve fendas palatinas abertas, se alimentava via estomacal, varias paradas cardíacas e respiratórias, convulsões com ausências, varias síndromes, os neurologistas dizem que a ponte entre a vida e a morte, ‘e muito pequena. Mas Miriam não acredita a cada dia que amanhece, ela sorri e diz, VIU? MAIS UMA NOITE DE VITORIA, MAIS UM DIA DE LUTA.
Quando o transporte ‘e cortado, Miriam vai para o ponto de outros ônibus, ouve reclamação dos passageiros por tanta bagagem que ela precisa levar, não perde a paciência, pede desculpas, sofre humilhação, mas em seu coração não tem lugar para ódio, desprezo, e outros sentimentos pequenos, em seu coração tem lugar apenas para esperança, agradecimento a Deus, e muito trabalho diário.
Ela deixa o Nicolas na clinica de reabilitação, sai pelas casas de suas clientes a vender roupas, de umas leva calote, de outras algumas gorjetas a mais. Retorna a clinica as 13 h, volta para casa, faz almoço, e outra vez sai pelas ruas com Nicolas num carrinho de neném para continuar seu trabalho, afinal, ela tem que ajudar nas despesas da casa, na compra de remédios. Jose chega de madrugada depois de um dia de trabalho num supermercado.
Miriam sempre sorrindo, diz que seu filho foi uma benção de Deus, cada gesto novo que ele faz, tem motivo de comemoração, Nicolas sorri, sorri sempre, quem sabe, no mundo incompreensível para nos, ele ‘e feliz porque tem o amor de seus pais.
E os dias passam, muitas mulheres competindo na vida profissional, outras se casando outras em capas de revistas, e Miriam deseja apenas que não falte clientes para comprar suas roupas, afinal, o mundo registra historias de mulheres guerreiras, e Miriam faz parte desse grupo que todos os dias ao ver a noite chegar, conta o que ganhou, dorme cansada, mas quando o dia amanhece, ela olha as mulheres belas, de sorrisos largos, de olhos ansiosos nas capas de revistas, mas ela sorri, um sorriso de vitória, ela venceu mais uma noite, a vitória de seu cotidiano.
Lira Vargas
Esse relato trata da realidade vida cotidiana de Miriam, mãe de Nicolas uma criança especial com muitas síndromes.
quinta-feira, 21 de maio de 2009
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